Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

(Sem título)

Há uns dias li numa entrevista a uma repórter da Sic Notícias, a Ana Lourenço, uma frase que dizia qualquer coisa como "quando uma pessoa da nossa família está doente, isso sim é um problema. O resto são meros precalces que de forma mais fácil ou mais difícil acabam por se resolver".
E eu não podia estar mais de acordo com isto. Porque o sinto na pele. Todos os dias, minutos e segundos. Porque, por mais que queiramos pensar que vai correr tudo bem, há sempre medo. Porque, por mais que as pessoas nos digam vai correr tudo bem, há sempre receio. Porque, por mais que queiramos pensar noutra coisa e deixar o tempo passar e resolver as coisas pelo melhor, o nosso coração está sempre apertadinho.
Sei que há muitas pessoas que vão entender o que eu estou a dizer. Porque estão a passar por isso. Porque já passaram. Porque conhecem alguém próximo que já passou e lhes sentiram o sofrimento. Mas sei também que há outros que vão achar que estou a exagerar. Mas não estou. E espero sinceramente, sejam quem forem essas pessoas, que nunca tenham de passar por uma situação assim para perceberem que não há aqui ponta de exagero.

Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Constatação #4

Gosto (MUITO) de pessoas directas. Que dizem o que têm a dizer no matter what. Porque as amizades se o forem aguentam. E, no extremo oposto, não gosto de quem diz as coisas de forma indirecta, dissimuladamente, fazendo uso de subterfúgios. Acho que quando algo nos chateia ou temos coragem e sem ofender dizemos à pessoa o que pensamos ou é preferível ficarmos calados. Mas isso sou apenas eu.

Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

Este homem #4

Bonito, elegante, inteligente, culto e interessante... É preciso dizer mais alguma coisa? Apaixonava-me em menos de três tempos...

Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Um dia nós aprendemos

Depois de algum tempo tu aprendes a diferença,
A subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E tu aprendes que amar não significa apoiares-te,
E que companhia nem sempre significa segurança.
E começas a aprender que beijos não são contratos
E presentes não são promessas.
E começas a aceitar as tuas derrotas
Com a cabeça erguida e olhos adiante,
Com a graça de um adultoE não com a tristeza de uma criança.
E aprendes a construir todas as tuas estradas no hoje,
Porque o terreno do amanhãÉ incerto demais para os planos,
E o futuro tem o costume de cair no meio do vão.
Depois de um tempo tu aprendes
Que o sol queima se ficares exposto por muito tempo.
E aprendes que não importa o quanto tu te importes,
Algumas pessoas simplesmente não se importam...
E aceitas que não importa quão boa seja uma pessoa,
Ela vai ferir-te de vez em quando e tu precisas perdoá-la por isso.
Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobres que se leva anos para se construir confiança
E apenas segundos para destruí-la,
E que tu podes fazer coisas num instante,
Das quais te arrependerás para o resto da vida.
Aprendes que as verdadeiras amizades
Continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que tu tens na vida,
Mas quem tu tens na vida.
E que bons amigos são a família
Que nos permitiram escolher.
Aprendes que não temos que mudar de amigos
Se compreendemos que os amigos mudam,
Percebes que o teu melhor amigo e tu
Podem fazer qualquer coisa, ou nada,
E terem bons momentos juntos.
Descobres que as pessoas
Com quem tu mais te importas na vida
São-te tomadas muito depressa,
Por isso sempre devemos deixar
As pessoas que amamos com palavras amorosas,
Pode ser a última vez que as vemos.
Aprendes que as circunstâncias e os ambientes
Têm influência sobre nós,
Mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começas a aprender que não te deves comparar com os outros,
Mas com o melhor que podes ser.
Descobres que levas muito tempo
Para te tornares na pessoa que queres ser,
E que o tempo é curto.
Aprendes que não importa aonde já chegaste,
Mas para onde estás a ir.
Mas se tu não sabes para onde estás a ir,
Qualquer lugar serve.
Aprendes que, ou tu controlas as tuas acções
Ou elas te controlarão,
E que ser flexível não significaS
er fraco ou não ter personalidade,
Pois não importa quão delicada e frágil
Seja um situação,Existem sempre dois lados.
Aprendes que heróis são pessoas
Que fizeram o que era necessário fazer,
Enfrentando as consequências.
Aprendes que a paciência requer muita prática.
Descobres que algumas vezes
A pessoa que tu esperas que te chute quando tu cais~
É uma das poucas que te ajuda a levantar.
Aprendes que maturidade tem mais a ver
Com os tipos de experiência que tiveste
E o que tu aprendeste com elas
Do que com quantos aniversários já celebraste.
Aprendes que há mais dos teus pais em ti
Do que tu supunhas.
Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança
Que os sonhos são uma parvoíce,
Poucas coisas são tão humilhantes
E seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprendes que quando estás com raiva
Tens o direito de estar com raiva,
Mas isso não te dá o direito de seres cruel.
Descobres que só porque alguém não te ama
Da forma que tu queres que te ame,
Não significa que esse alguém
Não te ame com tudo o que pode,
Pois existem pessoas que nos amam,
Mas simplesmente não sabem
Como demonstrar ou viver isso.
Aprendes que nem sempre é suficiente
Ser perdoado por alguém,
Algumas vezes tu tens que aprender
A perdoar-te a ti mesmo.
Aprendes que com a mesma severidade com que julgas,
Tu serás em algum momento condenado.
Aprendes que não importa
Em quantos pedaços o teu coração foi partido,
O mundo não pára para que tu o consertes.
Aprendes que o tempo não é algo
Que possa voltar para trás,
Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma,
Ao invés de esperares que alguém te traga... flores.
E tu aprendes que realmente podes suportar...
Que realmente és forte,
E que podes ir muito mais longe
Mesmo depois de pensares que não podes mais.
E que realmente a vida tem valor
E que tu tens valor diante da vida!
As nossas dádivas são traidoras
E fazem-nos perder
O bem que poderíamos conquistar,
Se não fosse o medo de o tentar...'

(William Shakespeare)
Recebi por e-mail o aviso, do Sávio Fernandes, de que este poema não é do Shakespeare e sim a adaptação do poema After a while, da Veronica Shoffstall.

Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

Pergunta #6

Duas pessoas que se amam fazem sempre amor ou também fazem sexo? E podem fazer ao mesmo tempo sexo e amor? Ou quando fazem amor é uma coisa e quando fazem sexo é outra?

P.S.: "Pergunta" é uma das rubricas do "A Vida de Uma gaija" que têm por objectivo incentivar a vossa participação e os vossos comentários, por forma a estimular debate/discussão e aprendermos algo uns com os outros.

Quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

Pergunta #5

Vamos lá descontruir um mito (ou quem sabe ajudar a confirmá-lo): a primeira vez é mesmo assim tão importante? E é possível que na primeira vez o sexo seja bom (e por bom não digo que seja bonito e fofinho e ternurento)? E é marcante ou não para a vida futura?

P.S.: "Pergunta" é uma das rubricas do "A Vida de Uma gaija" que têm por objectivo incentivar a vossa participação e os vossos comentários, por forma a estimular debate/discussão e aprendermos algo uns com os outros.

Terça-feira, 18 de Agosto de 2009

A auto-estima

A auto-estima é uma das características do ser humano de que mais se fala e no entanto é talvez aquela que menos pessoas possuem na medida certa.
E o que é a auto-estima?
É um conceito que se refere ao sentimento que o ser humano tem por si próprio. É aqui que entra o amor próprio, o egoísmo, a noção dos nossos deveres e direitos e muitas outras coisas que não interessa aprofundar.
Muitas pessoas têm uma enorme falta de auto-estima. E dizem-no sem qualquer tipo de problema. Como se fosse uma qualidade. Como se ter pouca auto-estima fizesse com que os outros gostassem mais de nós. Como se fosse algo que os torna superiores aos outros, sendo o oposto daquelas pessoas que se acham os melhores do mundo.
Mas este raciocínio está profundamente errado. A falta de auto-estima não só é uma qualidade mas sim um problema psicológico como também não torna quem a tem superior a ninguém. Torna-o isso sim, mais infeliz e com uma incapacidade maior do que outra pessoa em criar empatia, em gostar dos outros e em ter relações, quer amorosas, de amizade ou profissionais saudáveis. Porque ninguém dá o que não tem. E quando alguém não gosta de si muito dificilmente saberá gostar dos outros de forma equilibrada.
A falta de auto-estima faz com que as pessoas tenham comportamentos profundamente desiquilibrados em relação aos outros e a si próprios. Faz com que as pessoas façam coisas extremamente prejudiciais em relação a elas próprias, coisas que essas mesmas pessoas não permitiam que outros lhes fizessem e que provavelmente considerariam ofensas. No entanto são elas que fazem essas coisas a elas próprioas.
Durante muito tempo pensei que a falta de auto-estima fosse um dos menores problemas psicológicos mas hoje vejo que não só não é dos menores como está na base de muitos outros problemas.
As pessoas com baixa auto-estima são pessoas que têm uma absoluta necessidade de se sentirem gostadas pelos outros e que devido a essa necessidade se tornam extremamente manipuladoras muitas vezes sem o perceberem. São pessoas que muitas vezes até gostam daquilo que são mas não têm coragem de o demonstrar aos outros, de se afirmar, de impôr as suas vontades, opiniões e sentimentos. São pessoas que não se sentem valorizadas pelos outros. E por isto sentem-se injustiçadas. e acham que um dia serão ricos e famosos e aí será finalmente feita justiça e elas serão invejadas por todos os outros que até aí as desprezaram. Mas tudo isto não passam de delírios. Porque, na maior parte das vezes, quem não se valoriza é o próprio. E claro que isso faz com que os outros também não o façam.
Mas as pessoas com fraca auto-estima não percebem isto tal como não percebem que na maior parte das vezes são os comportamentos que têm que fazem com que os outros se afastem porque não olham para os seus próprios comportamentos.
Porque, apesar de parecer um contracenso, estão tão cheias de si próprias, tão presas à sua auto-construída infelicidade, tão entretidas a sentirem-se vítimas com tudo o que os outros (não) fazem que não olham para si, nem, para os outros, nem para a realidade à sua volta.

Domingo, 16 de Agosto de 2009

Pergunta #4

Quando um homem gosta mesmo de uma mulher, há alguma coisa que o impeça de ficar com ela? Será que os homens têm medo de gostar muito de alguém e de ficar presos? Será que têm realmente medo de mulheres independentes? Será que há problemas, alturas na vida ou circunstâncias que fazem com quem se afastem de alguém de quem realmente gostam? Ou isto são tudo tretas, desculpas e justificações que nós inventamos para não termos de assumir que, afinal, eles não estão assim, tão interessados.

(Neste "Pergunta" gostava de ter a participação dos meninos que leêm este blogue. Claro que a opinião das meninas é também e sempre muito bem-vinda)

P.S.: "Pergunta" é uma das rubricas do "A Vida de Uma gaija" que têm por objectivo incentivar a vossa participação e os vossos comentários, por forma a estimular debate/discussão e aprendermos algo uns com os outros.

Sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

A solidão e o amor no séc. XXI

Tenho lido aí pela blogosfera textos de mulheres que sendo inteligentes, independentes, interessantes, cultas, bonitas têm a sensação que não vão encontrar alguém com quem partilhar a vida.

Não que isto seja um drama, que não é, é possível ser feliz sozinha, as mulheres do século XXI não precisam de homens para nada e bla bla bla. Claro que sim. Tudo isto é verdade.

Mas, pelo menos na minha opinião, a vida torna-se muito mais interessante quando temos alguém com quem a partilhar.

Existe a família, que é e será sempre o nosso grande suporte, os que nos vão amar incondicionalmente. Existem os amigos, com quem passamos bons momentos, que nos criticam quando é preciso e que nos elogiam quando é caso disso.

Mas é diferente o amor da família e dos amigos do amor de uma pessoa com quem pensamos poder construir um projecto para a vida.

E talvez o séc. XXI, além da independência, que é positiva, tenha trazido também um certo isolamento. Pelo menos em mulheres que estudaram mais, que têm empregos mais bem pagos, que têm uma vida independente sem para isso precisarem de se juntar a alguém.

Talvez porque estas mulheres se habituam a um certo estilo de vida do qual não estão dispostas a abdicar. Talvez porque enquanto sozinhas podem fazer tudo aquilo que lhes apetece. Talvez porque estão mais exigentes e não aceitam qualquer coisa. E ainda bem. Porque as razões para se estar com alguém devem apenas afectivas e nunca por interesse. Mas, por outro lado, penso que a exigência tem de ter limites. O amor é, também, feito de cedências. E, se há homens que são uns verdadeiros trastes e não interessam a ninguém, outros há que valem a pena. Há é que dar tempo ao tempo. Tempo para conhecer. Tempo para gostar. Tempo para perceber se vale ou não a pena. Não se pode desistir à primeira. Não se pode pensar que, por não ter uma determinada qualidade, já não é a pessoa certa para nós. Porque, tal como aquele que parecia tão certo, afinal não é, o outro que à partida até não tinha tudo o que (pensávamos que) queriámos pode ser afinal a pessoa ideal. Só com muita convivência é que realmente conhecemos as pessoas. E só com o conhecimento é que a atracção, o interesse e o gostar podem passar a amor.

Estar sozinha entre aos 25, aos 30, aos 35 é muito diferente de estar sozinha aos 50, 60, 70. Porque até uma determinada altura tudo é fácil sozinha, tudo é novo, tudo é possível. Mas "a eternidade é comprida, sobretudo no fim" e acredito que a solidão também.
Acredito que a partir de uma determinada altura sente-se ainda mais a necessidade de ter alguém ao lado. Alguém que nos ame, que nos ouça, que esteja connosco.

Pelo menos na minha opinião.

Porque, apesar de estar sozinha hoje, espero encontrar alguém com quem partilhar a vida. Com quem fazer projectos faça sentido. Com quem eu queira viver.

Sim, sei ser feliz sozinha. E até sou da opinião quem quem não é feliz sozinho não é feliz com alguém porque não sabe estar consigo. E é essencial saber estar consigo para saber verdadeiramente estar com os outros.

Mas acho que o amor, paixão, a partilha, dão muito mais cor à vida. E sei que se não encontrar alguém com quem possa construir um projecto de vida não serei tão feliz como se encontrar. Porque tudo é tão mais bonito quando temos alguém com quem o partilhar, alguém que está lá para nós quando chegamos camsadas a casa no fim-de-semana, alguém com quem faz tanto sentido pensar no fim-de-semana romântico, alguém com quem podemos realmente ser nós.

Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

Pergunta #3

Será que (como muitas vezes ouvimos por aí) os outros têm a capacidade de nos fazer de parvos, de nos tomar por burros ou de nos tomarem por estúpidos ou, no fundo, isso não passa de uma grande insegurança nossa? Será que isto não é antes uma fantasia nossa que deriva de uma baixa auto-estima? Será que quando nos mentem e nos enganam as pessoas realmente o fazem para nos prejudicar?

P.S.: "Pergunta" é uma das rubricas do "A Vida de Uma gaija" que têm por objectivo incentivar a vossa participação e os vossos comentários, por forma a estimular debate/discussão e aprendermos algo uns com os outros.

J.

Sem que eu o esperasse, uma amiga decidiu adicionar-te à minha lista de messenger.
"Olha, tenho aqui um amigo com que acho que vais gostar de falar. Está em psicologia como tu. vou adicioná-lo à tua lista".
Deixei que acontecesse sem ligar muito ao assunto.
Não me lembro exactamente como começámos a falar, se a iniciativa partiu de mim ou de ti, mas sei que acabámos por criar uma empatia. Contei-me muitas coisas da minha vida, contaste-me muitas da tua. Sei que gostava de falar contigo, mas, a fotografia que me aparecia no quadradinho do messenger denunciava-te como convencido.
Por isso resisti e resisti a conhecer-te. Cada vez que, depois de ir aí acima, te dizia que tinha estado, dizias sempre que te podia ter dito alguma coisa para tomarmos um café. Mas as minhas inseguranças não deixavam.
Até ao dia.
Quando a P. me disse "ele está ali" eu estava sem óculos e por isso via mal ao longe. De qualquer forma pareceu-me que a pessoa a quem ela se referia era, digamos, muito mas muito mais interessante do que eu poderia ter pensado.
Não sei exactamente todos os contornos da nossa história. Se é que se pode chamar assim. Sei que, apesar da distância, houve momentos de proximidade.
Sei que fugi, dei patadas a torto e a direito, cobrei aquilo que não tinha direito.
Sei que houve momentos de muita proximidade, outros de amizade, outros de enorme afastamento.
Sei que nunca te cheguei a amar mas sei também que nunca conheci ninguém que reunisse tantas das coisas que sempre quis encontrar em alguém e que ao mesmo tempo me atraísse como tu me atraías.
Foste a primeira pessoa que me fez achar que talvez fizesse sentido fazer planos a longo prazo, a primeira pessoa ao lado de quem me consegui imaginar para além do presente, a primeira pessoa que me fez pensar que mudar a minha vida por alguém talvez até fizesse sentido.
Agora nada disto faz sentido. É até raro olhar para trás. Assumo que não tinha de ser. Ou que as circunstâncias que existiam fizeram com que não tivesse de ser. Que não eras a pessoa ideal, que um conjunto de andorinhas não faz a Primavera, que te faltava um petit rien que não sei explicar. E nem sequer penso muito nisso.
Mas hoje quando ouvi uma voz parecida com a tua por momentos questionei tudo.
Por momentos pensei que gostava de saber o que é que realmente houve que me escapou.
Será que realmente sentiste algo por mim como a maioria das pessoas me dizia na altura?
E se assim foi porque é que as coisas nunca evoluíram?

Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

Será que conseguem?

Sei que esta situação já não é nova e provavelmente muitos de vocês já a conhecem.
Eu própria lembro-me de já a ter lido, mas não me consigo lembrar como se resolve.
Será que algum de vocês me consegue ajudar a perceber onde foi então parar a moeda de 1€ que falta?

Eu, tu e ele fomos comer ao restaurante e no final a conta deu 30,00 EUR. Fizemos o seguinte: Cada um deu dez Euros...
Eu: 10,00 EUR Tu: 10,00 EUR Ele: 10,00 EUR
O empregado levou o dinheiro até à caixa e o dono do Restaurante disse:
- Esses três são clientes antigos do restaurante, então vou devolver-lhes 5,00 EUR e entregou ao empregado cinco moedas de 1,00 EUR.
O empregado, muito esperto, fez o seguinte: ficou com 2,00 EUR para ele e deu 1,00 EUR a cada um de nós.
No final ficou assim:

Eu: 10,00 EUR (-1,00 EUR que foi devolvido) = eu gastei 9,00 EUR.
Tu: 10,00 EUR (-1,00 EUR que foi devolvido) = tu gastaste 9,00 EUR.
Ele: 10,00 EUR (-1,00 EUR que foi devolvido) = ele gastou 9,00 EUR.
Então, se cada um de nós gastou 9,00 EUR, o que nós três gastamos juntos, foi 27,00 EUR. E se o empregado guardou 2,00 EUR para ele, temos:
Nós: 27,00 EUR, Empregado: 2,00 EUR, Total: 29,00 EUR

Pergunta-se: onde foi parar a outra moeda de 1,00 EUR?

Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

"Diz-me que não"

A capacidade de dizer que não é, talvez, uma das mais importantes características do ser humano.

É ao dizer que não a alguém, por mais querida que essa pessoa nos seja, que impomos os nossos limites, que mostramos aquilo que estamos dispostos ou não a fazer, que queremos ou não queremos, que gostamos ou não gostamos, que permitimos ou não permitimos.

É ao ir dizendo que não ao longo da nossa vida que vamos formando a nossa personalidade.

É um direito que nos assiste e que muitas vezes descuramos.

Dizer que não nem sempre é fácil. E mais difícil se torna quanto mais gostamos da pessoa a quem temos de o dizer. É uma capacidade que vamos ganhando com a idade, à medida que nos apercebemos que temos o direito de dizer "não quero isso", "não gosto disso", "não estou disposta a fazer isso".

Na maior parte das vezes, quando dizemos que não, não o fazemos para prejudicar o outro ou porque não gostemos dele, mas sim porque, não queremos fazer aquilo que ele quer ou nos pede. Ou seja, tem, na maioria dos casos, muito mais a ver com a pessoa que diz "não" e com a coisa que é pedida, do que com a pessoa a quem dizemos não.

Na minha opinião, as pessoas não andam por aí a dizer que não só porque lhes dá na real gana ou porque têm má vontade. Ou melhor, algumas talvez andem, mas a maior parte das pessoas, as que têm uma personalidade estruturada, madura e coerente, não o fazem. Fazem-no quando é necessário e quando sentem que devem.

Muitas vezes, penso que o "dizer que não" é, mais do que um direito, um dever. Se o que nos pedem colide com os nossos valores, se achamos que vai pôr em causa aquilo em que acreditamos, a pessoa que somos, temos o dever de dizer não. Não podemos deixar que ninguém nos ponha em causa. Quer isso agrade ou desagrade. Quer a outra pessoa fique zangada ou não. Porque, se não dizemos que não porque o outro vai ficar zangado, estamos, por um lado, a não ser sinceros com o outro, porque fazemos algo para que gostem de nós, e, por outro, estamos a deixar que a vontade de outro prevaleça sobre a nossa, o que não deve acontecer. Estamos, de certa forma, a permitir que nos manipulem. E, ao permitirmos isso uma vez, vamos reforçar essa comportamento.

Claro que, se temos o direito e muitas vezes o dever de "dizer que não" também temos de estar preparados para ouvir um não. Porque a outra pessoa está no seu direito. E temos de estar preparados para isso, aceitar e respeitar. Tal como já escrevi, não pessoalizar demasiado, porque, provavelmente isso terá mais a ver com a pessoa e com o que foi pedido do que connosco.

Acho saudável sabermos dizer que não, sem temer as consequências, e também, saber ouvir um não. Porque não é por dizermos sempre que sim que as pessoas vão gostar mais de nós, nem por dizemos que não algumas vezes que se vão zangar ou deixar de gostar. Pelo contrário. Até poderá acontecer algo que não queremos, que é as pessoas aproveitarem-se de nós e começarem a desrespeitar-nos porque nós próprios não nos respeitamos.

Não devemos orientar os nossos comportamentos em função dos outros nem devemos fazer o que quer que seja de propósito para que gostem de nós. Temos de ser nós próprios, fieís aos nossos princípios, sentimentos e valores. Só assim vamos conseguir não só ser felizes como atrair para a nossa vida pessoas que gostam de nós pelo que somos e nos respeitem. Quem gosta de nós porque fazemos sempre tudo, não gosta de nós. Dá-lhe jeito. As pessoas (devem) gostam de nós pelo que somos, não pelo que fazemos ou pelo que lhes proporcionamos.

P.S.: Há muitos anós atrás, uma amiga escreveu-me num livro da escola algo deste género: "contigo em contradição/pode estar um amigo/duvida mais dos que estão/sempre de acordo contigo". E eu não poderia concordar mais com estas palavras. É nos confrontos, que, muitas vezes percebemos as coisas. Quem discorda, diz que não e nos critica é, de certeza, muito mais nosso amigo e muito mais sincero do que alguém que nos diz sempre que sim e concorda com tudo. Porque todos erramos e um verdadeiro amigo é aquele que é capaz de nos dizer "erraste" sem medo, e que, depois, esteja lá para nos ajudar a corrigir o erro.

P.S.2: Durante algum tempo tive uma enorme dificuldade em dizer não. Porque procuro sempre a harmonia nas relações, achava, erradamente, que, ao ceder, as coisas seriam mais fáceis. Depois, claro, sentia-me mal comigo. Era demasiado insegura para assumir as minhas vontades e opiniões. Com o tempo, o crescimento e muita psicoterapia, fui ganhando auto-estima que me fez perceber que dizer que não é um direito e um dever. Também me custava ouvir um não, uma crítica. Sentia-me posta em causa. Achava que não gostavam de mim. Hoje, agradeço a quem gosta o suficiente para o fazer. E admiro quem tem coragem de me dizer não.