quinta-feira, 13 de agosto de 2009

J.

Sem que eu o esperasse, uma amiga decidiu adicionar-te à minha lista de messenger.
"Olha, tenho aqui um amigo com que acho que vais gostar de falar. Está em psicologia como tu. vou adicioná-lo à tua lista".
Deixei que acontecesse sem ligar muito ao assunto.
Não me lembro exactamente como começámos a falar, se a iniciativa partiu de mim ou de ti, mas sei que acabámos por criar uma empatia. Contei-me muitas coisas da minha vida, contaste-me muitas da tua. Sei que gostava de falar contigo, mas, a fotografia que me aparecia no quadradinho do messenger denunciava-te como convencido.
Por isso resisti e resisti a conhecer-te. Cada vez que, depois de ir aí acima, te dizia que tinha estado, dizias sempre que te podia ter dito alguma coisa para tomarmos um café. Mas as minhas inseguranças não deixavam.
Até ao dia.
Quando a P. me disse "ele está ali" eu estava sem óculos e por isso via mal ao longe. De qualquer forma pareceu-me que a pessoa a quem ela se referia era, digamos, muito mas muito mais interessante do que eu poderia ter pensado.
Não sei exactamente todos os contornos da nossa história. Se é que se pode chamar assim. Sei que, apesar da distância, houve momentos de proximidade.
Sei que fugi, dei patadas a torto e a direito, cobrei aquilo que não tinha direito.
Sei que houve momentos de muita proximidade, outros de amizade, outros de enorme afastamento.
Sei que nunca te cheguei a amar mas sei também que nunca conheci ninguém que reunisse tantas das coisas que sempre quis encontrar em alguém e que ao mesmo tempo me atraísse como tu me atraías.
Foste a primeira pessoa que me fez achar que talvez fizesse sentido fazer planos a longo prazo, a primeira pessoa ao lado de quem me consegui imaginar para além do presente, a primeira pessoa que me fez pensar que mudar a minha vida por alguém talvez até fizesse sentido.
Agora nada disto faz sentido. É até raro olhar para trás. Assumo que não tinha de ser. Ou que as circunstâncias que existiam fizeram com que não tivesse de ser. Que não eras a pessoa ideal, que um conjunto de andorinhas não faz a Primavera, que te faltava um petit rien que não sei explicar. E nem sequer penso muito nisso.
Mas hoje quando ouvi uma voz parecida com a tua por momentos questionei tudo.
Por momentos pensei que gostava de saber o que é que realmente houve que me escapou.
Será que realmente sentiste algo por mim como a maioria das pessoas me dizia na altura?
E se assim foi porque é que as coisas nunca evoluíram?

10 comentários:

  1. Viva Miss G.

    Perdoa-me a invasão num post tão pessoal, se encontrares paciência no teu coração para partilhar alguns sentires e saberes comigo - e assim alimentar a minha busca por maior entendimento e conhecimento da mente feminina - ficarei muito grato.

    É-me sempre querido posts desta crueza e realidade. Sem filtros. Apenas o que se sente e nada mais.

    Compreendo os medos e resistências que tiveste no início, compreendo as defesas, posterior deslumbramento, subsequentes exigências e quereres... afastamentos e proximidades.

    A minha questão prende-se com uma justificação racional para algo que - a meu ver - deve ser puramente emocional:

    "Assumo que não tinha de ser. Ou que as circunstâncias que existiam fizeram com que não tivesse de ser. Que não eras a pessoa ideal, que um conjunto de andorinhas não faz a Primavera, que te faltava um petit rien que não sei explicar. E nem sequer penso muito nisso."

    Isto vem-te da mente e não do coração, certo? Fruto provavelmente de mais medos e resistências, ou projecções e expectativas não cumpridas, de algo não ter ido da maneira que querias, ou mesmo de um qualquer toque subtil que ele não manifestou... não?

    Mas e se ele for realmente especial e se tudo o que for necessário para que um conjunto de andorinhas faça a primavera seja que assim o decidas? Se tudo estiver dependente da tua vontade? Do abdicares um pouco dos teus receios, do teu orgulho... e se tudo depender de um abrir os braços, escancarar o coração dentro do peito, falar falar falar - sem expectativas nem consequências - se ele sentir o mesmo sente, se não sentir ficas exactamente onde já estavas.

    Não valerá a pena?


    Obrigado,


    Um abraço,


    The Love Coach

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  2. Confesso que ao ler o teu post me.... relembrei de alguns momentos da minha vida...

    particularmente o momento... em que percebi que sim... que alguém era efectivamente a primeira pessoa que me fazia achar que talvez fizesse sentido fazer planos a longo prazo, a primeira pessoa ao lado de quem me consegui imaginar para além do presente, a primeira pessoa que me fez pensar que mudar a minha vida por alguém talvez até fizesse sentido....

    mas...
    não estou arrependida de ter virado as costas... foid as decisões mais duras, mais dificies e que ainda hoje me interrogo como o consegui mas.... não conseguia abdicar muito mais tempo de mim propria...

    adorei as tuas palavras

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  3. Sabes que quando se sente que falta alguma coisa, deixa-nos inseguras. Também já me aconteceu. Parece tudo tão perfeito, ele parece mesmo o nosso ideal, mas depois parece que há qualquer coisa que não bate certo... já me aconteceu, fugi.... terei feito bem? não sei, mas ainda penso nisso... beijocas

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  4. Não há nada mais complicado do que as relações humanas e muitas vezes muitas perguntas ficam por responder...

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  5. posso-te contar essa mesma história tb com um j. (qui çá o mesmo? lol) não era para ser mas naquela altura as coisas fizeram sentido exactamente porque não foram. servem para crescer e assim ficamos

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  6. Bom Maryposa se calhar é o mesmo sim. Tendo em conta a tua localização geográfica, a faculdade onde estudaste e que a pessoa por meio de quem conheci este J. é nossa amiga comum... Será possível que seja mesmo?

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  7. errr.... azul limão diz-t alguma coisa?

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  8. O belo do olho azul limão... pois... é a mesma pessoa sim. Será isto possível? Agora fiquei curiosa! Ainda por cima dizes que me podes contar a mesma história... lol...

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  9. a mesma conversa, o mesmo enredo, as mesmas xtorinhas da carochinha... sim, tive direito a isso tudo. e sonhei acordada e acreditei e ri mto... até ao dia em que vi outra a ouvir o mesmo conto...
    mais tarde confrontei e percebi q não era, de todo, para ser.
    era para não ser e assim sendo foi bem.

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  10. Fiquei sem palavras. Não fazia ideia que assim era. Não era essa a conta em que o tinha. Não era mesmo. Bolas. Mas será que eles são todos iguais apenas com algumas ligeiras diferenças no requinte?

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