Para aí desde o 7º ano que quero seguir psicologia. Toda a minha vida sempre disse que não ia dar aulas, por mais que me tentassem empurar. Tenho muitos professores na família e, provavelmente, isto foi como uma tomada de posição própria das idades adolescentes.
Na altura em que estudava, na transição do 9º para o 10º ano, não tive dúvidas em escolher humanodades. Lá estavam todas as disciplinas com que mais me identificava. A história, a geografia, as línguas. Mesmo sabendo que essa área não dava entrada para a faculdade estatal de psicologia cá de Lisboa (na altura a FPCE de Lisboa era a única faculdade do país onde para entrar no curso de psicologia era obrigatório ter ou biologia ou matemática).
Entre o 10º e o 12º ano fui ganhando um gosto pela disciplina de Português A que nunca pensei poder ganhar. Muito devido à excelente e muito, muito querida professora que tive, a Dra. Natércia Matos Alves, a quem ainda hoje admiro muito e de quem gosto muito mais do que se gosta de um professor.
Esta professora foi então a responsável para que eu até ponderasse não seguir psicologia, mas sim Estudos Portugueses. Mas sempre com o senão de a saída desse curso ser apenas o ensino -algo que eu continuava a não querer.
Assim, no final do 12º ano, como sabia qu não ia entrar em Psicologia, porque me falvata Biologia, candidatei-me a Estudos Portugues. Entrei. Na FSCH da Universidade Nova de Lisboa. Adorei as praxes, ao fim do primeiro dia já tinha amigos, estava tudo a correr muito bem.
Mas, quando começaram as aulas, comecei a ficar nervosa. Ansiosa. Não me conseguia esquecer que a minha primeira escolha era psicologia. Parecia-me mal estar a desistir de forma tão fácil. Desisti. Fiquei um ano a fazer Biologia. Fiz. Não entrei na estatal por 0,03. Fui para o ISPA. Tirei o curso nos 5 anos previstos (comecei e terminei o curso exactamente no mesmo dia, com cinco anos de intervalo).
Durante a faculdade comecei a dar explicações. De português e Inglês. Fui-me apaixonando pelo ensino. Penso que a vida acabou por escolher por mim e por me mostrar que o caminho era o do curso de Estudos Portugueses e não o de Psicologia. Tudo o que tenho feito se relaciona com o ensino. E cada vez gosto mais de tudo o que diz respeito ao ensino.
E agora penso: o que é que eu faço? Não posso, neste momento, pelos mais variados motivos, decidir que vou tirar o curso. Mas não deixo de pensar que o que queria mesmo era dar aulas. De português. Porque eu vibro com tudo o que é poemas e narrativas e figuras de estilo e gramática e planificação de aulas e exercícios e testes e livros de apoio ao estudo e tudo e tudo e tudo.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Serviço público #2
Queres reclamar?
Já tens onde!
Muito simples.
Se queres reclamar de um mau serviço, de uma empresa, de um produto,
etc. já tens onde.
http://www.livroamarelo.net/
Por outro lado, se tens dúvidas sobre determinada empresa podes fazer
uma busca no próprio site.
Não deixes de divulgar o que está mal ou não foi cumprido por uma
determinada empresa.
Assim estás a ajudar os outros a não caírem na mesma asneira de
contratar serviços ou comprar produtos que não prestam.
Quantas mais reclamações forem registadas, menos possibilidades são
dadas aos maus prestadores de serviços e produtos.
P.S.: entretanto pergunto-me o que se passará com os meus leitores, que não tenho recebido comentários. Só vos perdoo se andarem entretidos a ler o Desporto24. Entendidos?
Já tens onde!
Muito simples.
Se queres reclamar de um mau serviço, de uma empresa, de um produto,
etc. já tens onde.
http://www.livroamarelo.net/
Por outro lado, se tens dúvidas sobre determinada empresa podes fazer
uma busca no próprio site.
Não deixes de divulgar o que está mal ou não foi cumprido por uma
determinada empresa.
Assim estás a ajudar os outros a não caírem na mesma asneira de
contratar serviços ou comprar produtos que não prestam.
Quantas mais reclamações forem registadas, menos possibilidades são
dadas aos maus prestadores de serviços e produtos.
P.S.: entretanto pergunto-me o que se passará com os meus leitores, que não tenho recebido comentários. Só vos perdoo se andarem entretidos a ler o Desporto24. Entendidos?
E...
os meus queridos stalkers já são 101 :)
Obrigada!
Os meus textos (e comentários noutros blogues), aos poucos, vão voltar.
Obrigada!
Os meus textos (e comentários noutros blogues), aos poucos, vão voltar.
domingo, 26 de julho de 2009
Serviço público
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Luciana Abreu e Yannick Djaló
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Refúgio
sábado, 11 de julho de 2009
... nos últimos tempos, quanto mais penso mais percebo que passei grande parte da minha vida a adiar as coisas. "Amanhã...", "Para a semana...", "Para o ano..." (é que vai ser). Quando tem de ser hoje, aqui e agora. E adiei (tudo) sem motivo. Porque, no fundo, problemas mesmo graves estou a tê-los agora. E agora, como me sinto sem vontade de fazer o que quer que seja, percebo que essa minha tendência de ficar parada não surgiu apenas com a doença da minha mãe, que é uma característica minha. Só que agora, infelizmente, tem motivo. Daqui concluo duas coisas: não devemos adiar nada, devemos mesmo viver as coisas; a saúde (nossa e de quem amamos) é mesmo mesmo mesmo o mais importante. O resto são peanuts.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
A vida
Vi esta frase numa entrevista do Mico da Câmara Pereira e da Joana Sousa Cardoso (namorada dele e que durante um ano e meio lutou contra um cancro na mama do qual, felizmente, saíu vitoriosa) e não podia deixar de a transcrever para aqui.
Aprenderam a olhar a vida com outros olhos?
J.S.C: Inevitavelmente. No início achava que não, que ia ser exactamente a mesma pessoa. Mas somos fruto das nossas vivências, das nossas escolhas... Tornei-me, inevitavelmente, uma outra pessoa. Ao longo deste tempo fiz sempre um esforço enorme para não desmoralizar e acordava todos os dias a pensar "hoje, vou conseguir, vai ser mais um dia em que vou estar feliz e bem-disposta". Era com esta motivação que tentava seguir em frente. Hoje, sou uma pessoa mais tolerante para com as pessoas que gostam de mim, não faço só o que me apetece mas não faço fretes. A vida é curta, as coisas más não acontecem só aos outros e, por isso, temos de aproveitar e de nos divertirmos muito.
M.C.P: Depois desta experiência, o que quer que aconteça que não tenha a ver com saúde -problemas materiais, profissionais-eu relativizo. A vida é complicada e há alturas em que nos sentimos aflitos, mas agora esse tipo de situações não me afecta da mesma maneira. Quando as coisas correm menos bem, fico um pouco aborrecido, mas quero lá saber. O importante é mesmo a saúde. A Joana está cá e isso é que é importante.
E eu, hoje, percebo estas palavras melhor que ninguém. Porque é mesmo assim. Porque, quando somos confrontados com uma doença como estas, a nossa visão da vida muda. Passamos a olhar para as coisas com outros olhos, a dar importância ao que é realmente importante e a relativizar o que não tem importância. Porque o importante é viver e aproveitar enquanto estamos vivos. E isso significa aproveitar cada minuto, porque o próximo não está mesmo garantido. Viver o melhor que pudermos e soubermos hoje, aqui e agora. E não perder tempo com aquilo que não interessa. Lutar pelo que queremos, mas não achar que só vamos ser felizes quando tivermos isto ou aquilo, senão nunca somos. Se a cada conquista, só a próxima interessar nunca seremos inteiros. E é isso que interessa. Ser inteiro. Viver. Estar. Porque as coisas más não acontecem mesmo só aos outros e não avisam. Chegam sem pedir licença e viram tudo do avesso.
À Joana, os meus parabéns. Ver um caso de sucesso destes, apesar de sabermos que cada pessoa é uma pessoa, motiva-nos e dá-nos alento. Consigo perceber bem o que ela sentiu durante todo este processo pois também eu anseio pelo dia em que possa deitar a cabeça na almofada e pensar que a minha mãe está bem. Porque, agora, cada dia que passa é uma angústia, uma incerteza e um medo tão grandes que é quase impossível pensar noutra coisa. Porque o problema que a minha mãe tem, e que eu ainda não tinha dito, embora tivesse dado a entender, também é cancro, apesar de não ser na mama e sim no recto. E, apesar da evolução da medicina e de todos os casos positivos que vamos conhecendo, ainda é uma doença com um peso muito grande e que nos faz temer pela vida.
Aprenderam a olhar a vida com outros olhos?
J.S.C: Inevitavelmente. No início achava que não, que ia ser exactamente a mesma pessoa. Mas somos fruto das nossas vivências, das nossas escolhas... Tornei-me, inevitavelmente, uma outra pessoa. Ao longo deste tempo fiz sempre um esforço enorme para não desmoralizar e acordava todos os dias a pensar "hoje, vou conseguir, vai ser mais um dia em que vou estar feliz e bem-disposta". Era com esta motivação que tentava seguir em frente. Hoje, sou uma pessoa mais tolerante para com as pessoas que gostam de mim, não faço só o que me apetece mas não faço fretes. A vida é curta, as coisas más não acontecem só aos outros e, por isso, temos de aproveitar e de nos divertirmos muito.
M.C.P: Depois desta experiência, o que quer que aconteça que não tenha a ver com saúde -problemas materiais, profissionais-eu relativizo. A vida é complicada e há alturas em que nos sentimos aflitos, mas agora esse tipo de situações não me afecta da mesma maneira. Quando as coisas correm menos bem, fico um pouco aborrecido, mas quero lá saber. O importante é mesmo a saúde. A Joana está cá e isso é que é importante.
E eu, hoje, percebo estas palavras melhor que ninguém. Porque é mesmo assim. Porque, quando somos confrontados com uma doença como estas, a nossa visão da vida muda. Passamos a olhar para as coisas com outros olhos, a dar importância ao que é realmente importante e a relativizar o que não tem importância. Porque o importante é viver e aproveitar enquanto estamos vivos. E isso significa aproveitar cada minuto, porque o próximo não está mesmo garantido. Viver o melhor que pudermos e soubermos hoje, aqui e agora. E não perder tempo com aquilo que não interessa. Lutar pelo que queremos, mas não achar que só vamos ser felizes quando tivermos isto ou aquilo, senão nunca somos. Se a cada conquista, só a próxima interessar nunca seremos inteiros. E é isso que interessa. Ser inteiro. Viver. Estar. Porque as coisas más não acontecem mesmo só aos outros e não avisam. Chegam sem pedir licença e viram tudo do avesso.
À Joana, os meus parabéns. Ver um caso de sucesso destes, apesar de sabermos que cada pessoa é uma pessoa, motiva-nos e dá-nos alento. Consigo perceber bem o que ela sentiu durante todo este processo pois também eu anseio pelo dia em que possa deitar a cabeça na almofada e pensar que a minha mãe está bem. Porque, agora, cada dia que passa é uma angústia, uma incerteza e um medo tão grandes que é quase impossível pensar noutra coisa. Porque o problema que a minha mãe tem, e que eu ainda não tinha dito, embora tivesse dado a entender, também é cancro, apesar de não ser na mama e sim no recto. E, apesar da evolução da medicina e de todos os casos positivos que vamos conhecendo, ainda é uma doença com um peso muito grande e que nos faz temer pela vida.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


