terça-feira, 11 de outubro de 2011

Inverdades

Estou a ouvir o "Prós e Contras". E achei particularmente engraçado ouvir o dono da "Padaria Portuguesa" falar dos trabalhadores portugueses como se fossemos todos uns calões que só queremos direitos sem deveres. Gostei sobretudo de o ouvir dizer algumas inverdades como: "se alguém trabalhar um ano e um mês tem direito a 22 dias de férias do ano seguinte".
E mesmo não sendo advogada sei que isto não é verdade. Todos os trabalhadores por conta de outrém têm direito a 2,5 dias de férias por cada mês de trabalho. Por isso se trabalharem um ano e um mês têm direito aos 22 dias do ano anterior mais os 2,5 dias do mês do corrente ano.
E além disto disse que as pessoas não sorriem, que não têm vontade de trabalhar, que não chegam a horas. Tirando o facto de não chegar a horas, que realmente acho uma grande falta de profissionalismo, relativamente a tudo o resto pergunto que tipo de patrão será ele, que condições de trabalho oferecerá aos trabalhadores, quanto lhes pagará. É que tudo isto influencia e muito a produtividade dos trabalhadores.
Disse ele também que o actua código de trabalho faz com que as pessoas não queiram trabalhar. A verdade é que eu não trabalho em recrutamento mas custa-me acreditar nesta realidade. O que eu vejo são pessoas que querem trabalhar e a quem não são oferecidas condições. Não conheço a "Padaria Portuguesa", acredito que até seja um negócio engraçado, mas irritou-me ouvir o dono do projecto falar assim com tamanha arrogância. Porque se é verdade que há coisas no sistema que têm que ser mudadas, e que os trabalhadores têm de melhorar muitos aspectos, também é verdade que muitos "patrões" querem muito e oferecem muito pouco. E que ultimamente se criou este preconceito de que "os portugueses não querem trabalhar e gostam é de viver de subsídios".

12 comentários:

  1. Essas coisas também me irritam...vou ficar atenta a essa Padaria Portuguesa (detesto gente exploradora).

    ResponderEliminar
  2. Olá!

    Não vi o programa, mas sei como essas coisas são... Infelizmente trabalho com esse tipo de problemas todos os dias... Pessoas que querem trabalhar e não têm onde e petrões que iam gostar que lhes pagassem para trabalhar!

    Por isso evito ver essas coisas, porque todo o dia lido com isso e à noite ou quando estou em casa quero descansar a cabeça e o coração.

    Mas fiquei muito irritada quando li que li que o senhor falou de 22 dias de férias ao fim de um ano e um mês? Quem é o advogado que aconselha esse senhor?

    Art. 237º CT - 22 dias de férias por cada ano civil de trabalho, a gozar no ano imediatamente a seguir;
    Estes dias podem ser mais nos casos apontados pelo art.238º CT e este é um direito constitucional e irrenunciável (art.237º/4CT).
    No ano de admissão o trabalhador tem direito a 2 dias úteis de férias por cada vez de duração do contrato, que se podem gozar após 6 meses completos de execução do contrato (art. 239º CT).
    Claro que existe muito mais para dizer, mas isto é o básico, que qualquer entidade patronal devia saber!

    E ninguém o pôs na ordem?

    Bjs e desculpa estar a dar artigos, mas achei que vinham a propósito.

    ResponderEliminar
  3. Bom, os baixos salários desmotivam qualquer um... mas os portugueses sempre tiveram fama de trabalhadores.

    ResponderEliminar
  4. Bem verdade,e ainda há aqueles patrões que exigem muito de um trabalhador que mantém cerca de 2 anos sem vínculo absolutamente nenhum (nem recibo nem nada) mas que têm o rei na barriga e acham que dele podem exigir tudo. Enfim, é verdade que por vezes nos sujeitamos a situações que não devíamos aceitar, para o nosso próprio bem, mas só fazemos isso porque preferimos trabalhar assim a ficar em casa sem fazer nada, à espera que algo surja. Preso por ter cão e preso por não o ter. Os trabalhadores portugueses podem ser isto e aquilo mas se somos tão elogiados lá fora e aqui nem por isso é porque talvez o problema também esteja em muitos dos patrões portugueses não?

    Beijinhos
    Marta (andamosadizer.blogspot.com)

    ResponderEliminar
  5. Como concordo com tudo que escreveste... logo hoje que foi dia exaustivo para mim no trabalho na tentativa de mudar alguns pontos que discordo totalmente. Com a desculpa da crise, começa a haver cada vez mais exploração no mundo do trabalho. É como que pensassem: "não queres, haverá outro que quer"!

    ResponderEliminar
  6. Krasiva,

    Sei que há umas duas ou três em Lisboa.

    Viciante,

    Ele falou em mais 22 dias de férias após um ano e um mês e isso é que indignou.

    S*,

    Sim, mas agora criou-se o mito que os portugueses não querem trabalhar, que querem é boa vida e gostam de subsídios, quando a verdade é que muitas vezes as condições que lhes oferecem são péssimas.

    Marta,

    Claro que o problema está em alguns patrões e claramente nestes que tinham bons cargos em empresas, tiveram a coragem de sair e criar projectos, e depois não se conseguem colocar no lugar do trabalhador.

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  7. ML,

    Ainda não tinha visto o teu comentário quando respondi aos outros. Mas é mesmo. A ideia agora é que mesmo que tenhamos excesso de qualificações, nos ofereçam condições que dão vontade de rir e nós não queiramos aceitar, é porque somos preguiçosos e queremos é subsídios e andar a passear.

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  8. A lei das ferias é como o senhor disse sim... Vejamos

    Eu entro na empresa x a dia 2 de fevereiro2010. Ate ao final desse ano eu ganho va 20 dias de ferias ( salvo erro) em fevereiro do ano seguinte eu adiquiro automaticamente os 22 dia de ferias rerentes ao ano de 2010. Na verdade isto não se aplica aquém esta a trabalhar pq só vem a baila quando as pessoas saiem. E por ser tão pouco conhecido as empresas tb fazem de conta...
    Agora exprimentem despedir-se e a lei diz que tem direito a 22 dia de ferias por ter completado uma ano de contracto independentmente de tererm gozado as ferias no ano em que entraram 2010. (Se forem efectivos aplica se a regra do ano seguinte adquirem automaticamente 22 dias de ferias.) Ou seja ganha 22 dias referentes a 2010 e depois os porporcionais de 11( dependendo do mês em que saiem. São 2 dias por cada mês de trabalho.

    Eu tb fiquei chocada nem
    Queria acreditar que tal fosse possível e fui me informar na segurança social, contabilista e advogada e todos confirmaram. Verdade seja dita qause ninguém a interpreta desta forma.
    Aconteceu na minha empresa e já lá vão 3 funcionários...

    Eis um caso practico de un desses funcionários.
    Entrou na empresa em março de 2010. Ate ao final do ano gozou os 20 dias de ferias a que tinha direito ( 2 dias por cada mês de trabalho, sendo que não podem ser gozadas ferias nos primeiros 6 mesesde contracto. Em março de 2011 fez um ano de contracto. E marcou os seus dias ferias como é natural. Tem direito a 22 dias de 2011. Em maio apresentou a carta de recisão de contracto. E fomos calcular os dias que tinha que dar a casa que no caso dele era um mês. Basicamente as ferias que tinha gozado em 2010 é como se não existiram e adiquiriu automaticamente 22 dias de ferias em 2011 por ter feito um ano de contracto + os 12 dias referentes a 2011. No caso dele em ano e meio ele gozou 20(2010) + 22( ter feito um ano de contracto+ 12 ( referente a 2011) 52 dias de ferias!

    Acredito que tenha sido isto que o senhor quereria dizer.

    Eu própria fui penalizada com esta questão quando me despedi da empresa e como as pessoas não conhecem bem a lei, acham que são os 22 dias e os dias do
    Ano corrente. mais nada. Mas não é.

    Não quero de forma alguma criar a discórdia, mas peçam a um advogado, contabilista para vós explicar e verão que é mesmo assim:)

    Maria

    ResponderEliminar
  9. o dono da padaria tem a "escola" da jerónimo martins. infelizmente, conheço alguns assim. são uns pedantes. fazem-me lembrar os marrões, mepinam, empinam, mas na práctica pouco dabem fazer.

    ResponderEliminar
  10. Maria,

    Tem a certeza que isso é assim? Vou investigar melhor. É que me parece muito injusto para quem continua a trabalhar. Devia ser 2 dias por cada mês de trabalho ponto. Por isso no ano em que se despediam só tinham 22 dias se estivessem até ao fim do ano. E era assim que eu acha que era. Não lança discórdia, lança dados novos, que a maioria de nós desconhecia.

    Cumprimentos

    ResponderEliminar
  11. De acordo com a minha contabilista ela no ano a seguir tb foi beneficiada com os tais 22 dias de ferias referentes ao ano anterior. E no caso dela ela mantém sr na empresa. Pelo que sei a lei aplica se ambos os casos, mas apenas quando há uma saída é que as vezes isto vem ao de cima. Ela própria ficou admirada... Há empresas, ainda que poucas, a aplicar a lei como deve de ser. Mas a maioria faz de conta, e pior do que isso a maior parte da populacao portuguesa acha que a lei é is 22 dias a que tem direito que nem questionam outra hipótese. Se 5% da poupulacao Sabe disto é muito :(.

    Maria

    ResponderEliminar
  12. Maria,

    Desculpe insistir mas o que me parece é que há aqui uma confusão porque os dias que a pessoa goza no ano em que entra são uma antecipação daquilo a que teria direito quando vencesse um ano de contrato. O resto parece-me apenas uma interpretação diferente da lei:
    Art. 237º CT - 22 dias de férias por cada ano civil de trabalho, a gozar no ano imediatamente a seguir;
    Estes dias podem ser mais nos casos apontados pelo art.238º CT e este é um direito constitucional e irrenunciável (art.237º/4CT).
    No ano de admissão o trabalhador tem direito a 2 dias úteis de férias por cada vez de duração do contrato, que se podem gozar após 6 meses completos de execução do contrato (art. 239º CT).
    Mas ainda hei-de ir ler o código de trabalho.

    Cumprimentos

    ResponderEliminar