quinta-feira, 16 de junho de 2011

Provavelmente quem me lê há mais tempo lembra-se deste texto. E também deste. Foram as primeiras vezes que escrevi sobre o assunto. Sei que foram textos que causaram alguma curiosidade. E houve pessoas que me perguntaram se eram histórias minhas. São. Mas, tal como disse na altura, com muito de ficção à mistura. Voltei a falar no assunto apenas mais uma vez, falando sobre uma mensagem trocada entre nós. Mas isto foi até à semana passada. A partir daí escrevi uma vez e outra e outra e outra e ainda mais outra. Sei que a maior parte das pessoas que as leu, ainda que tenha ficado curiosa, não fazia ideia que a pessoa de quem eu falava era sempre a mesma e que todas estas diferentes referências estavam interligadas. E é por isso que, sem revelar todos os pormenores, resolvi voltar a escrever sobre o assunto.
Antes de mais quem é a pessoa de quem eu falei? Quando eu e ele nos conhecemos, há muito tempo, rapidamente nos tornamos grandes amigos, daqueles que estão sempre abraçados e toda a gente à nossa volta nos dizia que gostávamos um do outro mas nós negámos sempre. A verdade é que gostávamos ainda que as coisas tenham acontecido tão rápido que não foi fácil percebermos o que estava a acontecer. Sobretudo porque éramos ambos novinhos. Ele apercebeu-se primeiro e eu algum tempo depois. Mas nunca falámos um com o outro no presente do indicativo, de forma clara, e sem rodeios. Nós, que até falamos tanto quando estamos juntos, e que somos grandes amigos. A verdade é que ainda que com muitas peripécias pelo meio até hoje nunca aconteceu nada entre nós. Nem um beijo.
Ele diz que não aconteceu porque eu não quis mas claro que eu não vejo as coisas dessa forma. Admito que raras vezes fui clara, que outras avancei recuando ao mesmo tempo e que outras ainda não o percebi. Mas continuo a achar que não aconteceu porque ambos não quisemos, não tivemos coragem, e, por algum motivo que me escapa, idealizámos esta história e mantivemo-la platónica.
Entretanto, há algum tempo ele foi morar para longe. Antes de ir disse-me que eu era a única pessoa que o podia impedir. Bastava que pedisse. Mas eu não só não pedi como incentivei. Porque achei que ele tinha que ir mas também porque nessa altura já tinha esta estúpida mania de pôr os outros à frente de mim. Claro que a desculpa que dou a mim é que se ele não fosse e a nossa relação desse para o torto ele me ia culpar. Mas no fundo sei que talvez tivesse medo de me magoar. (E se eu dizia para ele não ir e ele ia na mesma?) A verdade é que muitas vezes (tantas) antes de acontecer alguma coisa que quero muito fico com medo e tenho vontade de voltar atrás.
Nos últimos anos estive com ele apenas duas vezes. A primeira vez em 2003. E dessa vez, apesar de ter percebido que ia ter sempre um carinho muito especial por ele, senti que tínhamos crescido em direcções opostas e que apesar de ter pena de nunca ter acontecido nada entre nós, tinha deixado de fazer sentido. Mas isso foi até segunda-feira da semana passada. Fomos jantar os dois sozinhos. E eu voltei a ver a pessoa que sempre conheci. Aquela por quem me apaixonei. Um homem maduro, marcado por algumas coisas negativas que lhe aconteceram mas optimista e bem disposto, que se preocupa com as pessoas de quem gosta. Sei que durante o jantar evitei muitos assuntos mas quase sem me aperceber. E sobretudo sei que mexeu comigo. Porque se preocupou comigo, tratou de mim e me fez sentir bem. Sei que podia ter feito muito mais coisas, mas, achei mais uma vez que não tinha o direito. Voltei a não pensar em mim. Tal como já me disseram boicoto as coisas à partida para depois em seguida pensar nelas. E utilizo sempre a desculpa do não ter o direito, não fazer sentido ou não ser a altura certa.
E, durante uns dias, dei comigo a pensar no passado, a ruminar as coisas, e a pensar nos se's. A viver no passado como tanto gosto de fazer. Até que me apercebi que isso não me adianta. E daí ter escrito ontem que vou ser prática. Vou querer falar com ele um dia. Mas não vou fazer a minha vida depender disso. Porque no fundo não sei o que isto é. Claro que isto não significa que eu esteja a desistir. Sobretudo porque antes de o fazer gostava nem que fosse de experimentar como seria. Nem que fosse apenas uma vez. Mas não posso é ficar parada à espera. Porque ele tem a vida dele. Longe.

5 comentários:

  1. Eu acho que ainda estás muito magoada ... porque no fundo talvez esperasses que mesmo tu insistindo para ele ir ... ele não fosse...

    ou ele indo... a vida dele não avançasse ...

    é duro mas... não colocaste a ti à frente dos outros... a vida é que colocou os factos reais à tua frente... e se a vida dele evoluiu ... era porque não estava destinado...

    deves sentir dessa forma... é mais fácil lidares...

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  2. Eu Mesma!,

    Não acho que tenhas razão. Por acaso esperava e sempre esperei que ele fosse. Quando lhe disse para ir não esperava que ele afinal não fosse. Sempre soube que tinha de ir tal como lhe disse há pouco tempo. Tal como sempre soube que as expectativas que ele tinha face à ida dificilmente seriam atingidas. E no entanto mesmo sabendo que ele tinha que ir talvez lhe devesse ter mostrado que eu não queria que ele fosse. E foi isso que eu não fiz.
    A minha falta de segurança faz com que ache sempre que não é a altura certeza, que devo pensar primeiro nos outros e esqueço-me de mim. Mas isto não é uma qualidade.
    Talvez ainda esteja muito magoada sim. Com ele mas também comigo. Por nunca termos sido suficientemente claros um com o outro.
    Confesso que de facto ao início não esperava que certas coisas acontecessem, mas depois aceitei-as e vivo bem com isso, até. E tal como eu escrevi o que me fez voltar a pensar nisto foi (ainda) ter mexido comigo.
    Também não acho que o facto de a vida dele evoluir signifique que não estava (ou que estava) destinado. A vida dá muitas voltas. E eu não sei o futuro nem quero pensar nisso. O que eu preciso é que a minha vida evolua também.

    Beijinhos

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  3. Sabes uma coisa Miss G.?
    A vida já me ensinou que.... as voltas são demasiado grandes e o que consideramos como verdades absolutas.... por vezes não são bem assim ...

    Sendo assim... deixa a roda rolar! :)

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  4. Eu Mesma!,

    Agora estou completamente de acordo! A vida também me ensinou essas coisas. Mas que tenho de viver e não ficar agarrada ao passado.

    Beijinhos

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  5. Ai, estas histórias todas são tão minhas também!

    Beijinhos*

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