quarta-feira, 15 de abril de 2009

Para ti, sempre

Um dia gostava de acordar com o sol a entrar pela janela e saber-te na varanda, a olhar o infinito, pelo mar. De me erguer demoradamente, ainda ensonada, vestir o roupão turco, abrir a janela e abraçar-te por trás, sabendo que me esperavas. Debruçar-me sobre os teus ombros e dar-te um beijo terno no pescoço, pleno de carinho, que reflectisse o que vivemos na noite que ainda agora amanheceu.
Saber que estavas lá fora não porque não quisesses estar deitado ao meu lado, mas porque precisavas de perceber como é que afinal tudo fazia ainda, e após tantos anos de ausência e distância, tanto sentido. E porque me esperavas, querendo sentir que quando acordasse eras o primeiro lugar onde me dirigia.
Sentir que encostavas a cabeça ao ombro, depois de te beijar o pescoço, como que a proteger o beijo que te tinha dado. Para não o deixares fugir. Para o conservares em ti. Ao mesmo tempo que abraçavas as minhas mãos nas tuas mãos.
Palavras não eram precisas. Nunca tinham sido, não eram e não seriam. E no entanto, amiúde, havia-as em demasia, porque a comunicação em nós sempre funcionara, reflexo da enorme amizade e ainda maior admiração. Por isso sabíamos sempre o que outro queria, precisava e estava a pensar.
Ficar ali, abraçada a ti, em cumplicidade, a olhar o mar e a pensar na noite que acabara havia pouco, na qual finalmente tínhamos realizado o desejo tantos anos contido, umas vezes confessado, outras escondido e outras mesmo até negado.

A noite anterior.
Perfeita.
Demais para ser verdade. Mas ainda com um sabor a demasiado pouco perante tudo o que sempre sentimos pelo outro. Como que a obrigar repetição. Sempre. Mais e mais e mais.
Começara num abraço. Os nossos abraços, sempre. Apertados, cúmplices, sinceros. A seguir um jantar, onde a conversa fluíra com a energia habitual. Silêncios a meio e um reflexo nos olhos do outro de que não era preciso dizer mais. Um olhar diferente, como o que havia há 10 anos. Olhar que levou a que um e outro pensássemos “é hoje!” sem no entanto o confessarmos.
Terminado o jantar, a vontade de continuarmos juntos ditou que fôssemos para outro lado e guiou-nos substituindo as palavras. Queríamos continuar juntos, a conversa e os muitos anos de afastamento a servirem de pretexto. Naturalmente, sem pensar, saímos do restaurante de mãos dadas e ao chegar ao carro, um novo abraço. Sempre cúmplice, mas mais quente. Pela primeira vez sentimos o corpo um do outro. Na verdadeira dimensão que sentir significa. Pela primeira vez assumirámos, em silêncio, ser um homem e uma mulher com sentimentos um pelo outro para além da amizade. E por isso aquele abraço foi mais que um abraço. Foi já o pronuncio de algo mais. Aquela noite era nossa. Aquela iria ser a nossa noite.
O beijo –o nosso primeiro beijo, inacreditável, surgiu alguns minutos depois, já sentados no muro da praia para onde tínhamos ido. Foi demasiado bom para ser real, mas, ao mesmo tempo, estranho. Acho que foi aí que percebemos que as palavras eram escusadas, tinha sido sempre o nosso maior problema –falarmos demais e ficarmos por aí. A seguir ao beijo um novo abraço e a pergunta, sussurrada:

- Queres passar a noite comigo?

A resposta veio num novo beijo, menos estranho, melhor ainda que o anterior.
Sem pensar e sem falar, dirigiramo-nos para um hotel, onde pudéssemos estar juntos.
Quando lá chegámos a primeira coisa que fiz foi ir à casa de banho. Queria ver-me ao espelho, para ter a certeza que estava ali. Ajeitei o cabelo, inspirei fundo e voltei ao quarto.
Estava escuro. Apenas a luz da lua me iluminava o caminho.
Vi-te, já deitado na cama, de olhos semi-fechados, dirigidos ao tecto. Deitei-me ao teu lado, de costas voltadas para ti e senti-te virar para mim. Abraçaste-me pela cintura e voltei a sentir-te. Encaixei-me no teu corpo. Deste-me um beijo terno no pescoço, que me proporcionou um arrepio por todo o corpo. Foi aí que me apercebi da tua proximidade e aproveitei para me encostar ainda mais a ti. Enroscados um no outro, ficámos ali uns minutos, em silêncio.
Até que me virei para ti. Fizeste-me uma festa no rosto e beijámo-nos durante alguns minutos. Começamos, a pouco e pouco, a tirar a roupa. Abraçados, encostamo-nos mais. O teu corpo está quente. Pela primeira vez sentimo-nos pele contra pele.
Beijas-me o pescoço, os lábios, os ombros até chegares aos meus seios, que beijas um a um, fazendo-me gemer e suspirar. Fico ainda mais excitada.
Deito-me de barriga para cima e deixo que me percorras o corpo com a língua, as mãos e os dedos, provocando-me arrepios de prazer em todo o lado. É tão bom sentir-te assim.
Continuas. Desces cada vez mais. Beijas-me a barriga de uma forma tão quente que me provocas pele de galinha. Mas sei que não vais parar por aí. E tenho razão.
Agarras-me as ancas com as mãos e puxas-me para ti.
Uns segundos depois sinto ainda mais o calor e a sensualidade da tua língua. Fecho os olhos e fico só assim, a sentir. Cada vez mais excitada.
Depois é a minha vez de te dar prazer. De percorrer o teu corpo com a minha língua e com as minhas mãos, até te fazer gemer de prazer.
De repente, fazes-me parar, voltar a deitar-me de barriga para cima e deitas-te em cima de mim.
Não consigo explicar o que senti logo a seguir, quando te senti entrar em mim e transformarmo-nos num só. Sei que o sentiste também, pela expressão que vi no teu olhar, pela forma como me beijaste em seguida.
Ficámos ali, num crescendo de prazer e intimidade até não aguentarmos mais e nos virmos, em simultâneo, com um suspiro profundo.
A noite foi nossa. E nela, descobrimos, juntos, o verdadeiro significado da expressão fazer amor. Uma, duas, três vezes. Qual delas a mais perfeita, quente, cúmplice, apaixonada, inebriante.
Os meus lábios nos teus, a tua pele na minha pele, as nossas mãos no corpo um do outro, o teu corpo no meu. Cada toque, cada gesto, cada beijo, cada suspiro de prazer, a dar sentido a tudo, a explicar o porquê de sempre nos termos sentido tão ligados.
E no fim, adormecermos abraços e abrir os olhos, várias vezes durante a noite, só para ter a certeza que de facto estávamos ali.
E de manhã, ir ter contigo à varanda, para olhar o infinito abraçada a ti.

O que é que vamos fazer? Não interessa. Juntos, conseguimos tudo. Porque tudo faz sentido.

Este texto é para ti.
Porque um dia gostava de acordar com o sol a entrar pela janela e saber-te na varanda, a olhar o infinito, pelo mar.
Porque apesar de não te amar neste momento, vou amar-te para sempre. E porque gostava mesmo que isto um dia acontecesse. Com estas ou outras palavras, seria sempre perfeito.
Porque não quero que a minha vida acabe sem TE sentir. Se NOS sentir.

Nota: este texto é semi-ficção. Faz alusão a uma pessoa especial, que passou na minha vida há alguns anos, de quem ainda sou muito amiga, e que terá sempre um espaço no meu coração.

5 comentários:

  1. acho que todos nós nos revimos neste texto ou conseguimos imaginar alguem a partilhar este texto conosco....

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  2. Eu a-d-o-r-e-i este teu post... fantástico mesmo.
    Consiguiste "transportar-me" para essa noite, para esse sitio...

    Parabéns, quem sente assim, nunca há-de ser infeliz, porque sabe a que "sabe" o amor e o desejo :-)

    Beijos!

    P.S. - Li-te no trabalho, dificil foi depois voltar á concentração lololol

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  3. Obrigada :) (deixaste-me sem palavras)

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  4. Gostei muito de te ler... Existem pessoas das quais vamos gostar sempre ainda que já não estejamos apaixonadas por eles ;)

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  5. Vim parar aao teu blogue nem sei como... Estou aqui há imenso tempo a ler-te, desde o inicio (vicios de "gaija" organizada. Já me ri, já me emocionei, já gostei muito do que li, já gostei menos do que li. Mas parei aqui: a emoção tomou conta de mim. Fiquei rendida ao teu blogue.
    Vais para os meus favoritos :)

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