terça-feira, 5 de maio de 2009

Cheiros

Embora não perceba muito bem porquê, sempre dei imensa importância aos cheiros. Isto dito assim de rajada parece esquisito, muito esquisito, eu sei. Mas apetece-me mesmo escrever sobre isto.

Talvez porque seja uma coisa que até a mim me intriga.

Como é que hei-de explicar?

Os cheiros a que me refiro são aqueles que deixam marcas... aqueles que, mesmo depois de anos, se os voltarmos a sentir sabemos identificar. Os cheiros das pessoas que nos marcaram.

Por exemplo: se eu, numa determinada altura da minha vida usar um determinado perfume e deixar de o usar... quando o volto a sentir, lembro-me imediatamente das pessoas importantes que cruzaram a minha vida, que faziam parte de mim nesses tempos.

Mas não falo só destes cheiros. Falo também dos outros.

Cheiros de lugares, de dias, de coisas.

Há um cheiro que sinto à distância. O cheiro do Alentejo. Já o sentiram? Cheira a terra, a chão e a céu. Cheira a paz, a tranquilidade, a ter tempo para. Para dar, para receber, para ser. É um cheiro bom de se sentir.

E o cheiro daqueles dias frios de Inverno, quando o sol brilha muito, lá no alto do céu imensamente azul? O cheiro do entardecer desses dias... esse cheiro é de companhia, é de tempo roubado ao tempo, em encontros secretos depois das aulas no liceu... Encontros na estação de S. João, debaixo da escada dos peões, escondidos no espaço, isolados de tudo...

E o cheiro a mãe e a pai? Quando eu era pequenina tinha aquele hábito que acho que todos já tivemos de me ir deitar na cama deles, depois de eles se levantarem. E então lembro-me de dizer que as almofadas "cheiravam a mãe" ou "cheiravam a pai"... eram (são e serão) cheiros reconfortantes, quentinhos, ternurentos, aconchegantes que traziam (trazem e trarão) paz e faziam com o negro passasse, caso não a rosa, pelo menos a cinzento claro.

Isto é mesmo assim, é mesmo algo meu, muito meu, algo que faz parte de mim, está enraizado cá dentro. Sei de cor os cheiros dos dias, das coisas, das pessoas... estão todos, todos marcadinhos em mim. E quando os volto a sentir, sei que tenho outra vez essas pessoas comigo, sempre e sempre. Mesmo que eles estejam longe, voltam para mim naquele momento.

6 comentários:

  1. Sabes uma coisa...?
    Também me acontece exactamente o mesmo....

    noto muito facilmente os cheiros .. e os mais intensos então ainda pior...

    e lembro.me de cheiros mesmo quando.... as situações ja nem são importantes :)

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  2. A mim tb me acontece a mesma coisa :-)

    Que giro!

    Beijos!!!

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  3. Tal como o cheiro da chuva a cair na terra muito seca! É um cheiro que também me marca :)

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  4. tens um miminho no meu blogue,beijo

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  5. o meu post de dia 2 maio é acerca disto mesmo.mais curtinho, é certo, mas a intenção é a mesma. ;)

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  6. Olha... adorei o blog eheheh
    E a mim acontece.me o mesmo em relação aos cheiros...

    beijinhos grandesss e parabéns!!!

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