sábado, 2 de maio de 2009

Riscos

Alguém disse um dia que só percebemos o valor da vida quando deixamos que o inesperado aconteça- por outras palavras, só correndo riscos perceberemos o valor, a magia da vida...

Correr riscos, enfrentar os medos com determinação, perceber que coragem não é não ter medo mas vencê-lo é das melhores coisas que a vida nos pode dar... E não é só vencer o medo de agir, é também estar preparado para as consequências que advêm das nossas acções... mas o que é tudo isto comparado com as possibilidades que a vida nos dá se tivermos coragem de arriscar?

O que é tudo isto comparado com a possibilidade de, através de um simples gesto, mudar as coisas que nos fazem sentir mal? Com a possibilidade de abrir a porta à felicidade?...

A Mafalda Veiga diz que há sempre uma maneira de mudar o que não se quer e de recomeçar o que se quiser e eu concordo com ela.Sei que por vezes é mais cómodo não fazer nada; de facto, se não arriscarmos não corremos a hipótese de ouvir um “não”, de perder algo que consideramos importante... mas também nunca saberemos como seria e iremos viver para sempre com um “se” a pairar sobre nós... especialmente quando nos sentirmos tristes ou melancólicos... nessa altura iremos pensar “e se, naquela ocasião, eu não tivesse tido tanto medo? Se tivesse arriscado?” e invariavelmente iremos pensar que poderíamos estar mais felizes... ou pior, para tentarmos eliminar o “se” que nos atormenta inventamos desculpas para nós próprios, dizendo que “foi melhor assim”, “ao menos não perdi o que tinha”, quando sabemos que tudo isto é mentira, que não foi nada melhor assim, até podia não ter resultado, mas pelo menos sabíamos, não ficávamos na incerteza de não ter feito algo, de não ter dito algo e de não saber o resultado disso... que são apenas maneiras de nos conformarmos com a realidade e o conformismo é horrível.

Não há pior coisa do que nos acomodarmos às situações, de as aceitar passivamente e não fazer nada para as mudar!E este “se” não nos vai incomodar só nos momentos tristes... um belo dia, ao fazer uma retrospectiva, ao olhar para trás- porque olhamos sempre- vamos encontrar coisas que não fizemos, que não dissemos, vamos sentir saudades do que não existiu e vamos pensar “e se”... “e se eu não tivesse tido medo?” “E se eu tivesse feito isto? E se eu tivesse feito aquilo? Será que estava mais feliz?”

Só há uma maneira de eliminarmos o “se”... de podermos olhar para trás sem ficar parado em algum ponto... é vencer os medos e agir... se queremos algo, temos de lutar... e quando conseguimos algo depois de termos lutado sabe tão melhor, que compensa qualquer risco que se corra de não dar certo!...

Medo do quê? De ouvir um não? De algo não dar certo, de perder algo? E porque não pensar pelo lado positivo? Pensar nas hipóteses de ouvir um sim, de algo dar certo, de ganhar algo...

Porque é que o copo não há-de estar meio cheio?

Quando arriscamos abrimos a porta ao inesperado da vida e só assim ela vale a pena... se nunca o fizermos podemos nunca perder nada, mas também nunca iremos saber o que é viver de verdade... porque viver implica ganhar, perder, voar pelos ceús de felicidade e cair no mais profundo dos vales de tristeza, implica sabermos levantar-nos de cada vez que caímos e voltarmos a pisar o chão quando nos sentimos a pairar para além das nuvens... ou seja, implica arriscar.

E se não o fizermos nunca iremos saber o que é conseguir algo após lutar por isso... nunca iremos saber o que é ser feliz ao lado de alguém... e porquê? Porque tivemos medo! E o que ganhámos com isso?

A certeza que perdemos o melhor da vida... esse só conheceremos quando percebermos que a resposta está na tentativa e não no resultado final... porque mesmo que tudo corra mal, o que importa? Mesmo que as chances sejam quase nulas... a resposta está no esforço, no tentar, no deitar os medos para trás das costas...

... no arriscar!

8 comentários:

  1. Credo...
    agora parecias mesmo uma amiga minha a falar para mim....

    eu sou daquelas que finjo que o "se" não existe.... talvez por medo... talvez por cobardia....

    um dia hei-de arriscar o "se"..... apenas ainda não ganhei essa coragem :)

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  2. Confesso que gostava de arriscar mais na vida, os "ses" atormentam-me demais e o problema é que penso sempre demais e depois em vez de adoptar uma atitude optmista, faço exactamente o contrário, sou uma pessimista! Detesto ser assim e por mais que tente não consigo mudar. Se calhar não tenho tentado o suficente... não sei!

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  3. concordo, principalmente a parte do agir...

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  4. :(
    assentou-me que nem uma luva....

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  5. Oh meninas... não vos queria entristecer.
    Até porque já escrevi este texto há muito tempo.

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  6. Que palavras maravilhosas.. Obrigada por me lembrares de coisas que às vezes faço de conta que não me lembro ;)

    gostei muito do blog

    parabens*

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