quarta-feira, 13 de maio de 2009

Burrices #2 (ou Nós mulheres somos tão estúpidas que até chateia)

Débora Ghira e o namorado DJ Mayna

Se há coisa que me entristece é a burrice e falta de vista femininas. A estupidez que, muitas vezes, nos faz ficar ao lado de alguém que nos dá todos os sinais de, além de não nos amar nem nos respeitar, nos poder vir a dar problemas e ser uma pessoa nada recomendável.

aqui escrevi um texto sobre isso, onde apontava que uma das razões para tal era a competitividade inata que existe entre mulheres, o estigma do "eu sou melhor que tu e, por isso, comigo ele vai mudar", o facto de acharmos sempre que NÓS (e não as outras) é que os vamos mudar (e que eles vão ficar tão sensibilizados com as nossas qualidades que irão mudar por nós) e os efeitos que isso tem com a nossa auto-estima (aparentemente bons ao início, quando ele(s) ainda fingem ser cordeiros, devastadora no fim, quando despem a pele e revelam o lobo que sempre foram e percebemos que, afinal, fomos mais uma, a quem ele tratou tão mal como a todas as outrase as esperanças de o mudarmos se começam a desvanecer).

Ainda na TV 7 Dias que li ontem, um dos temas da capa era o namoro de uma das meninas dos Moranços com Açucar, a Débora Ghira. Parece que o moço com quem a menina namora (além de ter um ar de chunga que até chateia) é uma pessoa nada recomendável. Ora ele é queixas na polícia de todas (sim, leram bem, todas) as ex-namoradas que teve (e de alguns familiares destas também) que, após serem feitas são imediatamente retiradas (alegadamente devido à pressão e ameaças feitas pelo dito senhor), ele é empréstimos feitos em nome de uma das ex-namoradas que o senhor nunca pagou, ele é um filho a quem ele nao liga e mal trata e cuja mãe (ex-namorada do bicho) fugiu para Moçambique para conseguir ter paz e, para completar, cadastro policial por suspeita de posse e tráfico de estupefacientes (drogas, vá).

E, obviamente, nada disto é segredo para a menina. Até porque o rapaz, a certa altura, como seria de esperar, diz algo como "agora que estou bem, querem-me destruir". Claro. Ele é uma vítima. As pessoas é que são más e, por ele "namorar com uma pessoa que está no início de uma carreira que vai ser brilhante" (palavras dele) querem-no destuir. Claro, então. As pessoas não têm mais nada que fazer nad vida. Ou então, foi ele que passou a vida a fazer asneira e agora as coisas caem-lhe em cima. A "notoriedade" traz estas coisas. E já diz o povo "quem semeia ventos, colhe tempestades". A questão aqui é que este menino não semeou ventos, semeou tempestades. Brincou com o fogo e agora, está-se a queimar. É mau carácter, mal formado e tem vistas curtas.

Mas, o que me faz mais impressão aqui, é ela. A posição dela em toda esta história. Não por ele ser chunga, porque, aqui entre nós, ela também tem uns arezitos de o ser (é uma girl k fala axim e ke kurte bué tudo o k é fixe, perxebem? Podem ver o estilo aqui e aqui). Mas por continuar ao lado de uma pessoa como estas, tendo todos os sinais de que isto ainda lhe vai trazer problemas. "Nas costas dos outros vemos as nossas" é um dito popular que devemos sempre ter em mente. "Quem faz uma, faz duas ou três". Então uma mulher que ouve dizer que o namorado bateu, violentamente, em todas as ex-namoradas que teve, que começou a relação com ela quando ainda havia mais uma (ou mais, não percebi) à mistura, que mal trata o filho, que a usa como propaganda (parece que vai à terra de onde é com ela, exibí-la e mostrar "o quão bem está"), que faz questão de achincalhar todas as pessoas que já estiveram com ele dizendo que "agora é que ele está bem", continua, como se nada fosse, ao lado dele, dizendo que está muito apaixonada, olhando para ele como se ele fosse a melhor coisa que ela pode ter? Se ela não soubesse de nada disto, eu até entendia. Já me aconteceu e, confesso, mesmo sabendo alguns dos defeitos da pessoa, não me afastei. Mas, quando conheci a história toda, nem sequer equacionei a questão de voltar a olhar para a cara dele. Percebi onde estava metida e tratei de sair de lá para nunca mais voltar.

Como disse no início do texto, isto entristece-me. É burrice e é algo que é demasiado característico de muitas, muitas mulheres no nosso país. É isso e é as mulheres não saberem pôr um ponto final em relações que lhes são prejudiciais e voltarem vezes sem conta a reatar com esses homens que as humilham, mal tratam e lhes roubam dignidade e auto-estima. Sempre porque, no fundo, no fundo, achamos que os vamos mudar. A isto, em psicologia, chama-se uma falha narcísica que tem de ser compensada. Sentimos que temos de ser melhores do que as outras, temos que tornam bom algo que tem defeito, achamos que, quando o conseguirmos, vamos ser melhores, superiores. E isso, espelhando a falta de auto-estima, amor próprio e self respect, é, acima de tudo, e apenas, triste. Muito triste.

P.S.: o título deste texto, embora se aplique, não é só sobre a Débora Ghira. É sobre todas as mulheres que caem e se deixam ficar nestas situações. Sejam elas tão graves como estas ou apenas parecidas. Porque, no fundo, foi isso que quis com este texto: escrever sobre uma situação que acontece amiúde, partindo de um caso real que está nas bancas numa revista desta semana.

19 comentários:

  1. O que me faz mais confusão é as pessoas virem afirmar coisas que não conhecem...Foste agredida por ele? Viste ele agredir alguém? Baseias-te em tudo o que lês na grande revista jornalística TV7 Dias (também conhecida como a revista dos consultórios e cabeleireiros)...

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  2. H]a coisas que não justificam... enfim...

    Olha só há uma coisa a fazer: Deixar essas mulheres perceberem por elas proprias no que se metem.

    Beijokas...

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  3. Caro anónimo,

    (engraçado como as pessoas que lêem e comentam blogues, salvo felizes excepções, quando querem criticar ou ir contra algo que o blogger escreveu, o fazem sempre anonimamente)

    Caso se tenha dado ao trabalho de ter lido o post até ao fim, terá visto que digo ter partido de um situação que vi retratada numa revista para falar de uma situação sociológica que me interessa e entristece. Eu traduzo: o que me interessa realmente não é a Débora Ghira nem o namorado, são as situações de todas as outras mulheres que se vêem metidas em cenários destes e não saltam fora. Apenas parti de uma situação para a extrapolar. Como forma de ilustração. Sem pretender ofender ou julgar ninguém. Não é, repito, esta história em particular que me interessa. Assim sendo, o seu comentário de eu me basear na grande revista Tv 7 Dias, revista de cabeleireiros e consultórios, cai por terra. E, se tivesse lido o texto anterior, perceberia em que contexto aparece a TV 7 Dias aqui no blogue. Poder-lhe-ia explicar. Mas a rudeza do seu comentário, que mostra ter lido o texto na diagonal e não o ter percebido, deixam-me sem vontade de o fazer.

    Mas, tanto quanto sei, não me conhece para saber se eu fui ou não agredida por ele. Não é o caso. Não fui. Não o conheço, sequer. Mas podia ter sido. Como digo no texto, já estive numa situação parecida sem disso ter noção. Quando tive, saltei fora. Mas conheço bastantes mulheres que aí estão, têm noção e continuam ao lado deles. Porque acham que com elas é diferente. Porque é esse o problema. Connosco é sempre diferente. Achamos nós. E é isso que me assusta, entristece e leva a escrever. Porque NUNCA é diferente.

    (E eu a pensar que os anónimos não se iam interessar pelo meu blogue)

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  4. não faço a minima ideia de quem seja a miuda....

    não vejo novelas e como tal não conheço as pitas da tvi....

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  5. Eu mesma: repito que o texto apenas teve como base a situação sobre a miúda da TVI, mas que isso foi apenas o ponto de partida para falar de uma situação que acontece e se repete sucessivamente com muitas mulheres deste país. É que eu também não sabia quem ela era até a ver na revista (também não vejo novelas).

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  6. Concordo plenamente contigo!

    Faz-me confusão como tantas mulheres se rebaixam ao pé de homens assim!

    [ainda a propósito, tens todo o direito de escrever sobre o que queres!]

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  7. Ups! Agora não percebi! O que é que achas bem, Eu Mesma?

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  8. olehs mis g., n sabia que eras a "gaija". já ca tinha andado a "cuscuvilhar" há uns tempos.
    td bom?
    bjokas cá de cima

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  9. Concordo contigo e percebi o que pretendias dizer. Por este ser um par relativamente mediático,este tipo de relacoes volta mais uma vez ás luzes da discussao.
    Histórias há, em que um dos elementos do casal muda, quando conhece a pessoa certa. Esperemos que ela seja a tal. Para o bem de ambos.

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  10. vou assumir uma postura anónima só para dizer uma coisa: não será inveja daquele corpo fantastico e akela kara linda??? Olhas pó espelho e nao quererias ser igualzinha ou melhor do que ela com aquele corpalhaço? ... nunca pensei que fosses assim tão "futil" com conversas destas! Falar de pessoas que nada te são e nem conheces.... já vi que a tua vida é super interessante só em ler revistas cor de rosa que só tem lixo escrito!... enfim... desilusão com este blog... sem duvida!

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  11. Na continuação do que foi dito por outros, só tenho uma coisa a dizer: ainda dizes tu que és psicologa!Sinceramento acho que TU é que precisas de um psicologo... Um blog a deixar de visitar no doubt!

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  12. Ai Miss.G já não se pode ter opinião nem escrever oq ue se quer no blog pessoal! Deixa-la, ainda há quem goste de sensura!... Eu concordo com o que disseste sobre a violencia doméstica.

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  13. Olha a minha quase homónima da blogosfera, Miss G! Olá :) ainda bem que percebeste. Espero, sinceramente que sim. Que seja tudo mentira e, a não ser, que ele mude por ela. Óbvio. Não desejo nada de mal à moça.

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  14. Anónimo das 19h29 (que não sei se é mesma pessoa de todos os outros comentários anónimos ou se são pessoas diferentes):

    Inveja do corpo e da cara da Débora Ghira? Talvez, porque não? É gira ela e eu nunca disse o contrário. Mas não, lamento desapontá-lo, não foi isso que me levou a escrever. Até porque eu não escrevi SOBRE a Débora Ghira e sim sobre uma situação que vi retratada e da qual parti para falar de uma situação sociológica que me interessa. Tenho pena que não tenha percebido isso. É fã dela? Good. Nada contra. Sabe quantas e quantas vezes leio coisas desagradáveis sobre pessoas de quem gosto e a quem admiro? E deixo, nesses sítios, comentários anónimos desagradáveis? NOT. Se leu este blogue mais do que este texto saberá que fútil não é um adjectivo que me descreva; mas nem me vou dar ao trabalho de explicar. Quanto ao nível de interesse da minha vida também não me vou dar ao trabalho de comentar. mas só lhe digo que não, eu não compro revistas cor-de-rosa. Mas, de vez em quando, se encontro uma, passo por lá os olhos. So what? Falo de pessoas que não me são nada? Falo e vou continuar a falar. Como o faz qualquer pessoa que escreve e gosta de observar o mundo à sua volta. Desiludiu-se com este blogue? Que bom. Vá. E não volte. Até porque, olhe, aqui já não se podem fazer mais comentários anónimos. É uma pena, não é?

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  15. Anónimo das 10h29 (continuo a dizer que não sei se é mesma pessoa de todos os outros comentários anónimos ou se são pessoas diferentes):

    Vou só ali buscar o meu certificado de habilitações para ver o que é que lá. Oh! Que pena. Confere. Comprovativo de licenciatura em Psicologia Aplicada, área de Psicologia Clínica. Preciso de um psicólogo? Lamento informá-lo que já tenho um, fez há pouco tempo três anos. Vê como não devemos falar de cor? Pois é, tenho problemas, como qualquer pessoa e assumo-os sem hesitar. Pensou que me ofendia com essa tirada? Passou ao lado. Preciso de um psicólogo sim. E, se calhar, mas assim só se calhar, por ter um é que não ando por a´a deixar comentários anónimos ofensivos em blogues alheios. A sério que vai deixar de me visitar? Mas a sério, a sério, a sério? Mesmo? OBRIGADA. Como disse ao seu colega, vá e não volte!

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  16. E a todos os que eventualmente poderiam ser anónimos:

    Não venham com a velha história que não aceito críticas. O que não aceito são ofensas gratuitas sem rosto. Críticas construtivas, sempre.

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  17. Compreendo e concordo com tudo o que disse no seu texto. Conheço muitas mulheres que só se apaixonam por bad boys e se submetem a eles com esperança de os mudar. Muitas dessas mulheres são pessoas inteligentes, cultas e mais velhas que débora. É revoltante.
    Mesmo sabendo que este texto não é sobre a débora não podia deixar de dizer algumas palavras sobre ela, eu que a conheço pessoalmente. Ao contrário do que possa parecer nessa série da treta dos morangos, onde os actores mal são dirigidos e tudo é feito ao pontapé, a Débora é uma rapariga cheia de garra como actriz, para além de ter uma bela dicção, de ser emotiva, e de saber que representar é contracenar, é capaz de interpretar os seus textos e transformá-los em palavras da sua personagem, é uma miúda cheia de personalidade, daquelas com quem me orgulho de ter trabalhado. Precisa é de alguém que a encaminhe, de ter aulas de representação, de ler muito, e de ser salva das novelas.

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  18. Madalena: obrigada pelo seu comentário. Acredito que a Débora seja tudo o que disse e ainda bem que percebeu que o meu objectivo nunca foi atingí-la. Aliás, confesso que, até a ver em algumas revistas, não sabia quem era. Mas tem ar de ter garra, sim. E é bonita e elegante. Dei o caso dela como exemplo de um problema sociológico que me interessa. E espero, mesmo, que não seja verdade. Mas, não o sendo neste caso, muitos outros há em que o é e até com contornos piores. E digo que espero que não seja verdade porque sei ao ponto que este tipo de relação nos pode levar. E que é difícil sair. Sobretudo quando ignoramos (ou não acreditamos em) muito do que passa.

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