quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Comigo ele vai mudar (ou o complexo “eu sou melhor que tu”)

Que as mulheres são umas cabras umas para as outras já todos sabemos. Sim, claro que há excepções e eu também tenho muitas amigas mulheres e bla bla bla. Mas a verdade é que as mulheres, na maior parte das vezes, haja a oportunidade, não perdem uma oportunidade de provar que são superiores às outras e de as lixarem. Facto. Ponto.

Um dos aspectos onde isto melhor se verifica é aquela tendência que a maior parte de nós tem de achar que, por mais cabrão que saibamos que um homem é, connosco é que ele vai mudar. Porque afinal ele não é assim tão cabrão. Porque, lá no fundo, bem lá no fundinho, ele é boa pessoa. Coitadinho dele, só tem é encontrado mulheres víboras ao longo da vida. Ele, que, no fundo, até é um anjinho. Um querido. Elas, as outras, é que têm sido más para ele. Têm-no tratado mal. E, vai daí, ele vinga-se.

Mas connosco não. Connosco nada disto vai acontecer. Porque nós somos especiais. Ùnicas. Lindas e maravilhosas. E, por nós, por perceber o fantástico ser humano que nós somos e o quanto merecemos ser felizes e bem tratadas, ele vai mudar. Não mudou pela Sara, nem pela Maria, nem pela Matilde, nem pela Carolina, nem por todas as outras que já lhe passaram pelas mãos. Mas, por nós, ele vai mudar. Claro que vai. E, por isso temos tendência para perdoar a primeira. E a segunda. E muitas vezes a terceira e a quarta. Vá lá. Não foi por mal. Coitadinho dele. E mesmo quando todos à nossa volta nos dizem o óbvio, o que nós não queremos ver, que ele não mudou nem vai mudar, que quem faz uma faz mil, que ele realmente não presta e nem sequer gosta de nós, insistimos e continuamos a insistir numa obra de Santa Ingrácia. Que nunca vai estar terminada. Porque, no fundo, o que está em causa e o que interessa já não é o que sentimos por ele, que, muitas vezes, no meio desta história, já se desvaneceu, mas sim o nosso amor próprio. O não aceitarmos que, afinal, ele nos tratou exactamente da mesma forma que tratou todas as outras. Que não viu o quanto éramos especiais. Que não nos valorizou.

Porque, na maior parte das vezes, quando nós nos envolvemos com um rapaz “menos aconselhável” (para não lhes chamar cabrões, vá) nem é tanto por gostarmos deles. Não é por não darmos valor aos rapazes às direitas que por aí andam. É, sim, por, muitas vezes, ser uma questão de auto-estima. Nós queremos provar (a nós próprias e às outras) que somos lindas e fantásticas e especiais e melhores que as outras mulheres e que, por isso, ele vai mudar. Por nós. Porque seria tão lindo e perfeito que alguém mudasse toda uma postura de vida porque nos adora e nós merecemos ser felizes.

O problema é que está tudo errado neste raciocínio. Nem nós no fundo nos achamos tão lindas, fantásticas e especiais, pois, se achássemos, não precisávamos de alguém exterior para o provar, nem é por sermos melhores que as outras que isso vai acontecer, nem ninguém muda por ninguém. As pessoas raramente mudam e, quando o fazem, é por elas próprias, porque passaram por uma situação traumática e/ou porque já não suportam sofrer mais… e, mesmo assim…

O que acontece é que "Existem pessoas especiais com quem decidimos ou não partilhar o que somos" como diz a Vanity, aqui. Ou seja, não é por alguém nos tratar mal que deixamos de ser especiais, nem por alguém nos tratar melhor a nós que essa pessoa não é especial ou que nós somos melhores. Simplesmentes essa pessoa não decidiu partilhar o que tem (ou o que não tem). Ou não houve uma conjugação de feitios.

Por isso, meninas, vamos acabar com esta tendência de escolhermos rapazinhos que sabemos, à partida, que não valem nada só para provarmos a nós próprias que somos um espectáculo? É que já somos, não precisamos de o provar a ninguém, nem de ninguém que o confirme. E, se alguém que vos tratou mal a seguir conseguir ter uma relação “normal”, não pensem que ela é melhor que vocês. Não é uma questão de ser melhor. Ou chegou a altura de ele mudar, ou os feitios que conjugaram melhor ou, também, é tão só e apenas e aparência e ela não sabe a merda que ele anda a fazer.

E, meninos, quando se perguntarem porque é que as mulheres preferem sempre os cabrões, pensem nisto que acabei de escrever. Na maior parte das vezes é, apenas, uma questão de ego. De “eu sou melhor que elas todas e vou prová-lo”.

17 comentários:

  1. Adorei o texto e em muitas ocasiões oq acontece é isso mesmo,sabemos que não tem futuro, e mesmo assim vamos além...por pura vaidade...Um grande beijo

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  2. sim tens toda a razão no que dizes.. muitas das vezes já nem se trata dele, ou de amor, mas sim de nós e do quanto isso aumentará a nossa auto-estima...
    Mudar eles não mudam... o que eu acho é que se conseguirem ter a capacidade de verem o quanto somos especiais, vão se adaptando, e mudando hábitos.. para se "encaixarem" melhor em nós e na nossa vida.. claro que nem todos os homens estão dispostos a isso, pelo simples facto de não perceberem o quanto nós somos boas, e azar o deles se não o entendem...
    acredito que o amor " faz milagres"... mas só o amor faz isso ( paixão, atracção, sexo e afins) não são detentores deste poder.. pelo menos é nisso que eu acredito...
    beijinhos

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  3. Ju: pois, é isso mesmo, na maior parte dos casos: pura vaidade, ainda que, na na maior parte das vezs não nos apercebamos disso.

    Mind-bubble-mind: não acho que eles mudem por nós sermos ou não sermos especiais. Era exactamente isso que queria frisar no texto, porque é isso que nos faz continuar lá: tens de ver que eu sou especial, tens de mudar e, caso não mudem, pomo-nos em questão; ninguém muda por ninguém. Muda-se muito raramente e em situações extremas. Mas é isso mesmo, azar o deles se não entendem que somos especiais. O nosso valor não está em questão, nunca está. Não é por um homem nos tratar mal que nós não somos especiais. Talvez até o amor faça milagres, mas, o tipo de homens de que falo aqui não sabe amar nem o que é o amor.

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  4. pois é... não podia ser mais verdade ! agora que penso melhor.. por isso é que dizemos 'só gostamos das pessoas erradas'..claro, porque elas não mudam por nós.. cof cof :P

    desculpa a invasão.

    Beijinho

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  5. Ora aí está, 'C. Ninguém muda por ninguém. Mudamos por nós próprios e, mesmo assim, como já disse, em situações extremas. E não tens de pedir desculpa, pelo contrário. Agradeço a visita e o comentário. É para isso que tenho um blog: para escrever e receber feedback, seja positivo ou negativo.

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  6. A diferença é que eu, ao contrário do que aqui é dito, sou das que acha que ninguém muda e que muito menos será comigo. Também ao contrário, conscientemente, tento fugir deles. Mas atraem-me, embora tente negá-lo. e Já há muito deixei de cair na esparrela.

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  7. se o tipo de homens que falas não sabem amar nem o que é o amor, a menos que apenas se pretenda dar umas voltas com eles ( porque tb temos direito), então não são merecedores de nós... somos muito mais que eles... temos pena:)
    bjinhos

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  8. Luna: percebo-te e é nesse sentido que também eles me atraem. Mas, não sendo porque achamos que é connosco que eles vão mudar, é porque nos espicaçam e isso dá-nos pica. Acaba por ter muito a ver connosco também, com algo que é nosso e não propriamente com eles sem si, pela pessoa que são. É o jogo que fazem que nos atrai, o saberem dar e tirar.

    Bubble Mind: Claro que somos! E sim, falo de verdadeiros cabrões. Não daqueles gajos que simplesmente nnca encontraram a pessoa ideal, que também os há.

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  9. ;) A paixão acontece, não escolhemos o homem por quem nos apaixonamos, agora o amor é uma escolha e esse só o devemos dar a quem merece, mas sim concordo que os perdoamos sempre na tentativa de que connosco tudo mude ...

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  10. Ora bem; não fiz essa distinção, mas ainda bem que a mencionaste. Acho que nestes casos raramente existe amor, mas vamos insistindo e insistindo... E a paixão tem o problema de ser viciante. E não muda. Não muda nunca. Ou só muito raramente. E não é por nós. É por eles.

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  11. Boas gaija, adorei ler a tua visão sobre esta temática, e nao poderia deixar aqui transcrito, o que para mim é a melhor visao sobre isto, feita pelo Seinfeld, e claro, com a mulher no papel de "vitima", ou nao fosse por causa delas, que se fala sobre este "fenómeno social", como se não o houvesse no oposto:



    > "ELA GOSTA DE TI COMO AMIGO" por JERRY SEINFELD


    > Até hoje pensava que a pior frase que podia ouvir de uma rapariga era "Temos que falar...". Mas não! A pior frase de todas é: "Eu também gosto de ti... mas como amigo." Isto significa que para ela tu és o mais simpático do mundo, aquele que melhor a compreende, o mais dedicado... mas nunca vai sair contigo. Vai sair com um gajo nojento compreende, o mais dedicado... mas nunca vai sair contigo. Vai sair com um gajo nojento que apenas quer ir para a cama com ela. Aí sim, quando o outro lhe faça alguma das dele, ela chamar-te-á para pedir-te conselhos. É como se fosses a uma entrevista de trabalho e te dissessem: "Você é a pessoa ideal para o posto, tem o melhor currículo, é o que está melhor preparado... mas não vamos contratá-lo. Vamos contratar um incompetente. Só lhe pedimos uma coisa, quando esse gajo fizer asneira, podemos chamá-lo para tirar-nos da embrulhada em que ele nos meteu?"


    > Eu pergunto: o que é que fiz mal? Fomos ao cinema, rimo-nos, passámos horas em cafés... e depois de quantos cafés ficámos amigos de verdade? Depois de cinco? Seis? Com um café menos e tinha ido para a cama com ela!! Para as mulheres, um amigo rege-se pelas mesmas normas de um Tampax: podem ir para a piscina com ele; podem montar a cavalo; dançar..., mas, a única coisa que não podem fazer com ele é ter relações sexuais. Ainda por cima, bem vistas as coisas... se para uma mulher considerar-te "seu amigo" consiste em arruinar a tua vida sexual, o que fará ela com os inimigos? A mim parece-me muito bem que sejamos amigos, o que não percebo é porque é que não podemos "ir para a cama como amigos".



    > Eu penso que a amizade entre homens e mulheres não existe, porque se existisse saber-se-ia. O que acontece é que quando ela te diz que gosta de ti como amigo, para ela significa isso e ponto. Mas para ti não. Para ti quer dizer que se numa noite estão na praia, ela já com uns copos, está lua cheia, os planetas estão alinhados e um meteorito ameaça a Terra... podias muito bem ir para a cama com ela!! Por isso engoles... Por isso nunca perdes a esperança. Ela sai com o Joe? Isso vai acabar. E

    > quando isso acontecer, tu atacas com a técnica de consolador: "Não chores, o Joe era um chulo. Tu mereces muito melhor,alguém que te compreenda, alguém que esteja no sítio certo quando tu precisas, que seja baixito, que seja moreno, que não seja muito bonito, que se chame John... COMO EU!!" Pelo menos, sendo amigo podes meter nojo para eliminar concorrência. É a técnica da "lagarta nojenta".

    > Quando ela te diz:

    > - Que simpático é o Paul, não é?

    > - O Paul? É muito simpático... só é pena ser um pouco estrábico.

    > - Ele não é estrábico, o que tem é um olhar muito ternurento.

    > - Sim, tens razão. No outro dia reparei nisso quando olhava para a Marta.

    > - Não estava a olhar para a Marta, estava a olhar para mim!

    > - Vês como é estrábico?

    >

    > O cúmulo dos cúmulos é o facto dela considerar ter uma relação "super especial" contigo quando pode dormir na mesma cama sem que se passe nada. COMO É QUE É??!! Então o "super especial" não seria que se passasse algo?! Um dia depois de uma festa, tu ficas a ajudá-la a limpar, como fazes SEMPRE, e quando acabam ela diz:

    > - UH! Que tarde. Porque é que não ficas cá a dormir?

    > - E onde é que durmo?

    > - Na minha cama.

    > Aí, até te tremem as pernas. "Esta é a minha noite, alinharam-se os planetas!". Passados uns minutos, dás-te conta que não são precisamente os planetas que se alinharam, porque ela, como são amigos, com toda a confiança fica em roupa interior e tu, pelo que vês, pensas: "Vou ter que ficar de boxers. Com todo o alinhamento de planetas que tenho em cima..." E, assim que te metes na cama, dobras os joelhos para dissimular. Ela mete-se na cama, dá-te uma palmada no rabo e diz-te:

    > "Até amanhã". E põe-te a dormir!

    > "COMO É QUE É??!! Como é que se pode pôr no ronco tão cedo? E esta fulana não reza nem nada?" Estás na cama com a rapariga dos teus sonhos.

    > No início nem te atreves a mexer, para não tocar em nada. Sabes que se nesse momento fizessem um concurso, ninguém te podia ganhar: és o gajo mais quente do mundo. E como é longa a noite! Vêm-te à cabeça um monte de perguntas:

    > "Tocar uma mama com o ombro será de mau amigo? E se é a mama que toca em mim?"

    >

    > Mas depois de muitas horas, já só fazes uma pergunta: "SEREI REALMENTE UM MANSO?!" Não podes acreditar que estás na mesma cama e não se vai passar nada. Confias que, a qualquer altura, ela vai dar a volta e dizer "Anda lorpa, que já sofreste bastante. Possui-me!"

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  12. CONTINUA:

    > Mas não. Para as mulheres parece que nunca sofremos o suficiente. E como sofres... porque tens todo o sangue do corpo acumulado no mesmo sítio. Já houve mesmo casos de homens que rebentaram. Mas ainda não acabou a tua humilhação. Às 7 da manhã tocam à campainha:

    > - AH! É o Joe!

    > - O Joe? Mas ele não te tinha deixado?

    > - Depois conto-te tudo. Estou com pressa. Esqueci-me de dizer-te que o Joe ia trazer o cão. Como vamos à praia eu disse-lhe que ficando contigo o cão não podia estar em melhores mãos. Porque tu és um amigo! UH?!

    > Estás com má cara. Dormiste bem?

    > E aí ficas tu com o cão, que esse sim é o melhor amigo do homem.

    >

    > JERRY SEINFELD


    Resumindo e concluindo, para mim cabrões estão bem é com cabronas e é muito triste quando observamos no nosso quotidiano, muitos deles e delas misturados com os outros....

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  13. Como é que podemos ser tão espertas para umas coisas e tão parvas para outras?? Ainda bem que apareceste lá no meu canto e me disseste para vir aqui, não podia estar mais de acordo! Vou meter lá um link para este teu post ;)

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  14. Totalmente verdade....
    minha nossa... é mesmo verdade!

    Vim direccionada do lado da Belora só para te dizer isto mas... ainda acrescento a frase que uma amiga minha me disse relativa a um cabrão do meu lado e um outro cabrão do lado dela...

    Dizia ela para mim...
    Sabes qual é o grande problema dos cabrões?
    É que o sexo é demasiado bom....!

    Se fosse mau... nós nem voltavamos uma segunda vez... agora o sexo é demasiado bom....

    e verdade....
    todos os cabrões que eu conheci... minha nossa...
    em contrapartida os bonzinhos... socorro....

    :)

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  15. Martini Bianco: já conhecia o texto. Está bem visto sim senhor, mas nem sempre corresponde à verdade. O amor mais bonito, mais sincero e, arrisco, mais forte que até hoje tive foi por aquele que, primeiro, me conquistou como amiga; o meu melhor amigo.

    Belota: será porque não podemos ser espertas em tudo porque nos tornávamos chatas de tão perto da perfeição? ;) obrigada!

    Eu mesma!: pois, o sexo... ;)

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  16. Também eu ja gostei de um cabrão, e acreditei que o faria mudar. Estupidez minha.

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  17. Gostei bastante deste texo, até estou admirado :)

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