quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A geração e a música e o emprego: a minha perspectiva

(o texto que estava aqui era muito grande. Por isso dividi-o em três e acrescentei algumas coisas. Por isso para lerem tudo têm de começar em baixo)

E os textos anteriores servem para quê? Servem para mostrar que se até pode ser verdade que há pessoas que estão desempregadas porque se conformam, outras que se queixam de barriga mais ou menos cheia como as pessoas da reportagem da SIC a semana passada, e outras ainda que querem em emprego na área de mão beijada sem nunca terem feito nada mas há outras que não. Tal como eu por exemplo (e de certeza muitas outras pessoas).

Tal como viram desde que tive oportunidade que sempre trabalhei. Sei que fiz opções erradas, tal como ter criado o meu próprio projecto cedo demais e não ter investido em enviar currículos nessa altura, mas a verdade é que, actualmente, e por mais que tente não consigo encontrar trabalho na minha área. E estou a ser proactiva acreditem. Ele é reuniões com presidentes de junta e de câmara, ele é passar tempo na net a ver endereços de escolas e centros de formação e clínicas e associações e sites de emprego e também sites de universidades para poder melhorar o currículo porque sei que neste momento, tendo terminado o curso há cinco anos e tendo trabalho pouco na área não é atractivo. E ver pouquíssimas ofertas na minha área de formação. A maior parte delas não remuneradas.

Por isso e apesar de à música dos Deolinda faltar alguma coisa, e de ter gostado muito dos textos (um e outro) da Pólo Norte e em parte me rever neles, percebo também quem se identifica com a música e quem se queixa e reclama por oportunidades. Porque as coisas de facto não estão fáceis. E quem nega isso está apenas a ver uma parte do problema. É verdade que os cursos actualmente não têm de ser uma garantia de emprego. Mas quantas pessoas entram num curso a pensar apenas "vou valorizar-me pessoalmente", quantas frequentariam na mesma o curso se soubessem que a seguir iriam ganhar tanto como se não o tirassem, quantas não mudariam de área se soubessem que não vão conseguir ter emprego? E serão estas pessoas piores do que as outras? Trabalhar na área que se gosta e para a qual se estudou não deveria ser uma real possibilidade? E não será que esta falta de empregos para licenciados pode levar a que as pessoas deixem de querer estudar? Não será legítimo que pensem que é preferível tentar encontrar um trabalho mal acabem o secundário? Sobretudo se tiverem exemplos em redor de pessoas que não estudaram e estão melhor. E isso não é positivo para o país porque como sabemos o número de licenciados é medida de desenvolvimento. Por isso são precisas novas políticas de ensino superior sim. É preciso pôr o dedo na ferida sim. Existem estudos que comprovam que a geração das pessoas com vinte e muitos/trinta e poucos anos vai ser a primeira a ter um nível de vida pior do que a geração anterior. Estamos em crise. Temos um número de desempregados dos mais altos de sempre. E muitos deles são jovens. E são licenciados. Podemos dizer que todos não sabem procurar? Que não se empenham o suficiente? E que não se sujeitam a certas (más) condições? Alguns talvez sim. Mas de certeza que não todos.

E quanto à emigração também tenho uma palavra a dizer. Admiro as pessoas que saíram do país para poderem ter melhores condições de trabalho. Mas o que eu gostava era que isso não fosse preciso. Que fossem porque queriam de facto. E não porque não encontram soluções cá dentro. Porque também isso tira valor a Portugal.

Claro que temos de ser proactivos. Claro que importa aceitarmos as oportunidades ainda que em áreas diferentes. Claro que temos de perceber que o emprego para a vida acabou. Claro que não vale de nada querermos segurança se não lutarmos por ela. Claro que temos de perceber que algumas vezes é preciso dar uma volta maior para chegar ao abjectivo.

Temos que lutar pelas oportunidades porque de facto ninguém tem de no-las dar.

Mas e quem de facto luta e não consegue? E aqueles que nunca tinham trabalhado antes e tiveram a sorte de fazer o estágio académico num sítio onde depois lhes foi proposto um estágio profissional, que ajudou a que tivessem a tal experiência que hoje tanto é pedida? E quem de facto sente que tem imensa capacidade de trabalho mas não o consegue mostrar? E quem de facto nunca vai ter aquela janela de oportunidade para conseguir mostrar o valor que tem? Ainda que seja num estágio não remunerado. Esses casos existem. E é neles que temos (também) de pensar.Porque hoje em dia a capacidade de trabalho, o mérito e a proactividade infelizmente não garantem trabalho.

4 comentários:

  1. O meu 1º trabalho também foi aos 16. Era part time mas depois quando entrei para a faculdade foi sempre full times. É muita coisa que fica em causa e pendente para se tirar um curso. Neste momento estou revoltada e por isso a minha opinião não é muito legitima ou clara. Racionalizando as coisas, acho que um curso é sempre uma mais valia pessoal. "O saber não ocupa lugar" e isso sim é o mais importante. Como digo, o dia a dia deixa-nos cegos e revoltados porque só vemos contas a aparecer. Mas há-de melhorar, tem que melhorar.

    **

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  2. Acredito que te vou ver ter oportunidade de mostrares o teu valor na tua área porque nas outras já mostraste!

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  3. Não podia concordar mais! É verdade sim senhora que há quem saia de um curso superior com o pré-conceito que vai ganhar um balúrdio sem mexer uma palha, e que ser-se licenciado é ser-se superior e o emprego é um dado garantido. É verdade que muitos não querem sujeitar-se a um trabalho medíocre. Mas não são TODOS assim. Os meninos da mamã e do papá sempre existiram e sempre existirão. Porque as pessoas não são todas iguais, e nem todos buscam pelos seus objectivos da mesma forma.
    Fala-se muito em criar as nossas próprias oportunidades porque ninguém no-las dá. Pois sim senhora, concordo, mas lanço a questão: como e onde? Onde estão as oportunidades para criar oportunidades? É que sinceramente, eu não vejo. É fácil dizer faz assim, faz daquela maneira. Mas só quem passa por elas é que pode contar como foi e como é.

    Beijinhos, gostei imenso do blogue. :)

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  4. Sorriso,

    Obrigada. Sabes que também estou a gostar do teu. Daqui a pouco respondo ao email.

    Beijinhos

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