sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Cobranças

Inspirada pela Luna e pelo fantástico texto que escreveu sobre perguntas intrusivas, respeitar os tempos do outro e conquistar a confiança, resolvi finalmente escrever o que há tanto tempo tenho pensado como adiado sobre cobranças. Parece que um tema não tem a ver com o outro? Tem. O perfil de uma pessoa que faz perguntas indiscretas quando devia esperar que a outra pessoa falasse por vontade própria, que não consegue perceber que os timmings das pessoas são diferentes, que não respeita o espaço do outro é semelhante ao de alguém que cobra sentimentos, amizades, atitudes. E eu explico já por quê.
Antes de qualquer oura coisa, a que é que eu me estou exactamente a referir, quando falo em cobranças? Àquelas pessoas que passam a vida a dizer: "porque é que não me contaste?", "porque é que estiveste tão perto de mim e não me telefonaste?", "porque é que não me convidaste?", "nesta relação eu dou muito mais do que tu", "Dou muito e acabo sempre por me desiludir", "nunca queres saber de mim" e outras coisas do género.
E confesso já à partida que não me dou muito bem com cobranças. Talvez faça parte do meu mau feitio mas quando sinto que me estão a cobrar alguma coisa fico com vontade de fazer exactamente o contrário daquilo que querem. E não é por estar a implicar. Nem a querer contrariar as pessoas. Muito menos a fazer pirraça. É apenas porque acho que não temos o direito de cobrar nada a ninguém. E se eu não cobro também não gosto que me cobrem.
Claro que também tenho amigos a quem de vez em quando digo "não falamos há imenso tempo". Mas isso é muito diferente de dizer "não queres saber de mim". A primeira mensagem mostra vontade de estar com a pessoa, querer saber como tem estado, querer mostrar que estamos ali. A segunda mostra alguém que se coloca sempre no centro das questões. E muitas vezes quem faz isto nem sequer são pessoas cheias de si próprias e sim pessoas muito inseguras que à mínima coisa se sentem postas em causa.
Primeiro que tudo, penso que é essencial perceber que lá porque alguém não nos dá aquilo que queremos não significa que não no dê tudo o que consegue dar. É necessário saber distinguir que nem todas as pessoas se entregam da mesma forma. E isso não significa que gostem menos do que quem dá de forma mais espontânea.
E, talvez mais importante do que esta distinção, é perceber que a amizade, o amor e a confiança não se mendigam. Não adianta corremos atrás de uma pessoa a dizer "mas tu devias tratar-me desta forma". Porque na maior parte das vezes vai ter o efeito contrário. A pessoa vai afastar-se mais ainda do que já estava. E além disso alguém estar connosco porque nós forçámos a situação não tem o mesmo sabor de alguém estar connosco porque tem vontade de o fazer.
Quando (nos) damos não o devemos fazer porque esperamos algo em troca. É difícil viver sem expectativas? É. Mas é assim que tem que ser. Até porque só aquilo que é dado sem esperar nada em troca nos pode trazer algo de volta. Irónico? Mas é assim que funciona.
Claro que isto não significa que temos de aceitar que nos tratem de uma maneira que achamos que não merecemos. E muito menos significa que não se possa falar sobre as coisas. Nem que devamos continuar a tratar como prioridade alguém que nos trata como opção.
Mas sigifica sim que devemos parar, pensar e perceber que as pessoas não são todas iguais. Que não podemos avaliar os outros pela nossa postura. Que não adianta exigir quando se trata de relações humanos. É que nesta área as coisas ou acontecem naturalmente ou não acontecem. Forçar não vai fazer com que melhore. E sobretudo que o nosso valor não tem a ver com a forma como as pessoas nos tratam. Vão existir sempre pessoas que não gostam de nós. Que não nos tratam da forma que merecemos. Que nem sequer reparam que existimos. Mas isso tem muito mais a ver com elas próprias do que connosco.

6 comentários:

  1. e afinal, haverá sentimento mais bonito entre o "casal"/amigos do que a confiança?!

    existe amor, e carinho e muitas mais coisas, sem a confiança nada há.... porque um amigo merece-o. :)

    Um beijinho grande minha querida :P

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  2. Olá, excelente texto e excelente blog, tens aqui mais uma leitora que te irá seguir!
    Penso que entre um casal a confiança, a partilha, a sinceridade, a cumplicidade são os ingredientes mais importantes. Sem cobrar. Porque o amor, esse, é sempre desinteressado.
    Beijinhos,Sofia

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  3. E ideias próprias para posts, não?

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  4. Anónimo,

    E ler as coisas de forma a perceber o que está escrito? Não? O que eu disse foi que depois de ler o texto da Luna tirei o meu da gaveta. Mas nem a ideia é igual, nem o texto, nem sequer o assunto é mesmo.

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  5. Apesar de se ler tudo, há pessoas que por mais que se esprema não sai nada dali!
    Tu não fazes cobranças?

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  6. Calculo que me esteja a incluir no grupo de pessoas que por mais que se esprema não sai nada ali certo? Por isso nem me adianta responder-lhe que tento não fazer cobranças. Mas que obviamente também as farei cmo todas as pessoas.

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