segunda-feira, 20 de abril de 2009

Das primeiras coisas que me lembro é de ouvir a minha mãe contar que, após algumas horas de esforço e dores, tinha dito ao médico que se queria ir embora. Que queria desistir e já não queria ter filha nenhuma. E de ele, à letra, lhe ter respondido que já era um bocadinho tarde para isso, que a decisão tinha de ter sido tomada há 9 meses atrás.

Pelos vistos, o mau feito vem daí. Até para nascer fui difícil.

Tive uma infância feliz. Brinquei na rua. Às escondidas, ao elástico, à apanhada, à cabra cega, às corridas, às casinhas. Computador? Isso ainda não existia. Desenhos animados na televisão? Alguns, sim. Dos bons. Lembro-me do Babar, do ursinho Teddy, da Abelha Maia, do Bocas, dos Disney. Mas nunca trocava uma brincadeira na rua por umas horas em frente à televisão.

Andei no infantário, dos 3 aos 6 anos. Antes disso estive numa ama, a Dina, de quem ainda hoje gosto muito, e o resto do dia ficava com a minha madrinha (que adoro e a quem devo MUITO). Do infantário recordo-me que havia uma educadora que eu não suportava. Nunca me fez mal nenhum, a senhora. Mas eu não gostava dela. Chorava desde que entrava na sala até meia hora antes da hora a que sabia que a minha mãe me iria buscar.

A seguir fui para a escola primária. A minha professora foi a D. Cândida e sei que é a ela quem devo o meu gosto por aprender e a facilidade que tive em todos os anos escolares seguintes. Uma professora à antiga, das boas, que sabiam o que era ensinar.

Vieram, depois, o 2º e o 3º ciclos, todos na mesma escola, onde conheci muitos daqueles que ainda hoje, após 18, 17, 16, 15 anos, continuam a ser os meus melhores amigos. Um dos pilares da minha vida. A certeza de uma palavra amiga, mas também de um puxão de orelhas quando assim os mereço. São assim os verdadeiros amigos e a eles agradeço. Foi a altura da construção de personalidade, das primeiras saídas, dos primeiros encantos com o sexo oposto.

O liceu. Reforçaram-se algumas amizades, fizeram-se outras novas, perderam-se algumas, também. Decidiu-se o caminho que se queria seguir. Bons professores, sempre, a contribuírem para a constinuação da construção da personalidade e a abrirem-nos os olhos para o mundo que havia para lá das janelas da escola. Foi aqui, no liceu, com 16 anos, que conheci a pessoa que mais amei até hoje. Alguém que terá, sempre, um lugar muito especial no meu coração. Mesmo que a vida mude (ainda mais) os nossos sentidos e o mundo nos leve para longe de nós. Ou para mais longe ainda.

Fui sempre uma excelente aluna. Muitas notas máximas, todos os anos no quadro de honra. Apesar disso, nunca tive grandes hábitos de estudo. Passava os olhos pelos livros na véspera dos testes e vamos lá a isso. Faladora, muito e sempre. Nas aulas e fora. Ainda hoje. Quando começo, é difícil calarem-se. Às vezes até eu me canso de me ouvir. Outras calo-me e fico apenas a ouvir.

Entre os 10 e os 19 anos conheci o mundo. Orlando (o mundo mágico da Disneyworld), Miami, Tenerife, Londres, Escócia, País de Gales, Paris, Nice, Mónaco, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Alemanha, Aústria, República Checa (Ai Praga!), Hungria, Nova Iorque, Dinamarca. A paixão por viajar e conhecer o mundo vem-me daqui. E ainda me falta conhecer tanto!

A faculdade. Anos difíceis, na ressaca de uma relação amorosa que não correu nada bem, com uma pessoa que não merecia sequer um segundo da minha atenção, mas que infelizmente se prolongou, de forma doentia até há poucos meses, e havia de reforçar a minha tendência para uma fraca auto-estima. Fiz amizades importantes, fui descobrindo um bocadinho como é o mundo e a vida. Percebi que, na essência, sou muito ingénua. Tenho tentado, desde aí, trabalhar esse aspecto, mas sei que é uma característica muito minha. Licenciei-me no tempo previsto, no curso que queria desde os 12 anos. Acabei o curso no dia em que fazia exactamente cinco anos que tinha entrado na faculdade. Nem mais um dia, nem menos um.

Ao longo do curso houve (algumas) situações que me deitaram um bocadinho abaixo e reforçaram a tendência de que já falei para a minha fraca auto-estima. Para a insegurança que sempre senti. Tive uma altura má, em que me fui fechando e auto-destruindo. sempre fugi muito de muita coisa. Não gostava de mim e transferia isso ara os outros. Por mais que me mostrassem que até tinha bastantes amigos, eu insistia em achar que não. E em sentir-me infeliz.

Ainda assim, comecei um projecto com imensa força. Sozinha. Olhando para trás, admiro a minha preserverança, a vontade, a proactividade. Mas sei que cometi muitos erros. Era muito nova. Demasiado nova. E isso fez com que fosse precipitada e impulsiva e não tenha tomado as devidas precauções para que as coisas corressem pelo melhor. Pûs a carroça à frente dos bois e a coisa acabou por dar para o torto. Lutei e lutei, e acho que tenho mérito nisso, mas houve uma altura em que tive de assumir que não podia continuar. Hoje, ainda estou a apanhar os cacos e a tentar endireitar a minha vida. Mas aprendi. Muito. Lições que sei que me serão uma mais valia para toda a vida. No entanto, preferia tê-las aprendido de outra forma.

Já fiz dezenas de coisas. O meu primeiro trabalho foi numa loja de música do Chiado, com 17 anos. Fui fazer embrulhos na época do Natal. Lembro-me de embrulhar um piano de causa. Mas trabalhar na minha área, infelizmente, não muito. Até agora, pelo menos.

De tudo, acho que tive sempre um grande medo de ser feliz. E fui-me deixando ficar em situações que me eram prejudiciais, a todos os niveís. Boicotei-me, muitas e muitas vezes. Nas mais diversas situações. Sobretudo profissionais e amorosas. Tenho (ou tinha) uma grande tendência para "procurar o futuro no avesso do passado".

Mas, com ajuda, tudo isto foi mudando. A menina sem auto-estima e insegura deu lugar a uma mulher que, hoje, 28 anos passados desde o dia em que respirou e chorou pela primeira vez, gosta, acima de tudo, de si, sabe as qualidades e os defeitos que tem, sabe que é uma mulher interessante, com alguma coisa a dizer e com muito para partilhar, a família (que inclui uns pais que adoro acima de tudo na vida e sem os quais me é muito difícil perspectivar a minha vida) e os amigos fantásticos com os quais pode contar e está, finalmente, pronta para ser feliz. A todos os niveís. Porque (agora) sabe e acredita que o merece. Acima de tudo.

E, a banda sonora da minha vida só podia ser a tua música. Porque ao som dela conheci muitos sítios, outras tantas pessoas que hoje são parte indissociável da minha vida e descobri-me mais e mais e mais.

E com isto, parabéns a mim. Faço 28 anos hoje. E tenho uma vida inteira pela frente.

Para ser feliz.

22 comentários:

  1. oh ye!

    isso m,esmo! Para frente é que é o caminho!

    Para mim a felicidade = bons momentos!

    de certeza que estão muitos para vir!

    Beijinhos

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  2. Já os tive, claro. Muitos, até. Mas é impossível falar de tudo num texto. Acho que o principal ficou aqui.

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  3. O passado é a melhor escola para a vida de cada um, não é mesmo? Como tu dizes, tens uma vida pela frente e espero que ela seja bem feliz :)

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  4. Li o teu texto com uma atenção incrivel. Delicioso mesmo.

    Com isto tudo só posso dizer: Muitos parabéns... E que vivas a tua vida com o maximo de intensidade aproveitando cada oportunidade que te surja pela frente.

    Beijooos e parabéns

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  5. Lindo texto.Parabéns e felicidades.Que faças o amanhã ser sempre melhor que hoje.beijinhos

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  6. Adorei o teu texto!
    Parabéns e muitas felicidades! Que continues com tanta força sempre.

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  7. Bem minha linda...
    em primeiro lugar deixa-me dar-ºte os parabens!!!!!!!!!

    parabens mesmo!!!!!!!

    Adorei o teu post... não so porque a musica é linda mas porque a minha infancia foi tão parecida com a tua que me revi nela.....

    Um beijinho muito grande

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  8. PARABÉNS!
    Pelo dia de aniversário, pelo blogue, e por este post em particular.
    Muito bom.

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  9. Parabéns mnh querida, uma vida cheia de boas surpresas é o que te desejo...
    a vida tem que ser encarada sempre cm um sorriso,msm qd n é facil,msm qd temos vontade de desistir...
    (tb cresci a ver o babar ,a saltar ao elastico,a jogar à cabra cega,ao esconde...momentos vividos ao ar livre...que boas recordações)...
    beijinhos

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  10. Tens uma capacidade incrivel para "descrever" as situações e pessoas e sentimentos e etc de toda a tua vida...
    Neste texto, acho que te deste a "conhecer" a todos nós que te lemos, de uma maneira leve e encantadora :-)

    Muitos parabéns!!!

    P-S. Carneirinha não? Eu tb faço em Abril ;-)

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  11. Metade carneirinha, metade tourinha. Nasci no dia da transição, por isso nunca sei muito bem o que sou. Não te dou os parabéns porque não sei se já fizeste ou ainda vais fazer. Mas agradeço os parabéns e os elogios :)

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  12. E se me permites acrescentar uma coisa ao teu texto:

    E hoje és uma das melhores pessoas que eu conheço, uma amiga de verdade, alguém que cresceu muito nos últimos anos e que tem mesmo muito para viver!

    beijinhos

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  13. Parabéns - pelo post e pelo aniversário e que venham muitos mais anos cheios e plenos!

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  14. Parabéns atrasados, quase homónima!hihi

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  15. Mtos parabéns.. e sim para a frente é que o caminho:)
    bjocas

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  16. Venho atrasada, mas mesmo assim, muitos parabéns.Desejo-te todas as alegrias do mundo e que a felicidade seja uma constante na tua vida.
    Para a semana, dia 27, faço eu mais um ano...já vou para os 37!!
    Com a tua idade estava a ser mãe pela 1ª vez :)
    E sendo assim, também és do signo Touro ou és ainda Carneiro??

    muitos beijinhos

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  17. Pátuá, como já tinha dito num comentário anterior, sou metade metade. Obrigada. Espero também ter filhotes um dia. Espero.

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  18. Adorei o texto... muito lindo mesmo!:))

    Parabéns atrasados!!!

    BJS*

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