quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Incoerências

Falava outro dia com uma pessoa de quem gosto muito aqui do mundo dos blogues, e com partilho bastantes opiniões, sobre o mundo do trabalho.
É engraçado que na blogosfera ninguém se pode queixar que está desempregado. Ninguém pode dizer que gostava de trabalhar na área para a qual se licenciou. Ninguém pode dizer que entrou para determinado sítio porque foi referenciado por outro alguém. Sabemos que isso é sinónimo de virmos a ser criticados. Porque atrás de um computador somos todos imensamente trabalhadores, somos todos esforçados e cheios de mérito. Todos julgamos os outros com imensa facilidade. Todos nos achamos no direito de criticar a opinar sobre a vida alheia, mesmo a daqueles que não conhecemos, mesmo que não saibamos a maior parte das circunstâncias da vida dessa pessoa.
E o que eu digo é que é muito fácil ser corajoso à frente de um computador. É muito fácil criticar os outros. E não perceber que só podemos criticar quando as nossas circunstâncias forem exactamente iguais e conseguirmos agir de forma diferente.
Também é engraçado aqui ninguém precisar de sorte. E toda a gente dizer que a sorte se conquista. Que as cunhas são muito injustas.
Sabem o que é que eu acho disto? Que é muito fácil cantar de galo quando estamos no poleiro. É muito fácil dizer que não é preciso sorte quando já a tivemos. Que o que é preciso é sermos trabalhadores não importa como conseguimos o trabalho. Nem todas as pessoas que entram num emprego por cunha são calonas. E a sorte é precisa sim. E que temos o direito de nos queixarmos e de querermos mais e de termos dias menos bons porque afinal somos humanos. E, sobretudo, não temos o direito de apontar o dedo a alguém nem de aceitar que o apontem a nós.

9 comentários:

  1. Eu entrei por cunha, mas não sou calona. Foi-me dada uma oportunidade e eu agarrei-a com unhas e dentes. Não critico as cunhas... mas critico quem só vive delas.

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  2. E principalmente, não devemos apontar o dedo sem conhecer a missa a metade. Quando eu digo que detesto o meu trabalho, que estou farta do meu trabalho há anos, que estou farta das condições em que trabalho, surgem logo meia dúzia de pessoas a dizer que quem está mal deve mudar, deve mexer-se, que em vez de me queixar devia fazer alguma coisa e blá blá blá. Tudo muito fácil, eu também sei dizer isso aos outros. Mas que tal meter na cabeça que as pessoas não vivem todas as mesmas histórias e que poderão existir pormenores que não conhecem? O que resulta para uns pode não resultar para outros e nem todos podem correr certos riscos ou tomar certas decisões. E sim, também é preciso sorte, não me venham cá com cantigas... caso contrário, toda a gente que se empenhasse bastante conseguiria sempre tudo o que quer.

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  3. pois concordo com o que escreveste, mas para comprovar que não somos todos assim, vim-me declarar. Consegui o meu trabalho por "conhecimentos", na altura apenas um estágio (não remunerado)...mas sabia que era uma oportunidade. Assim, agarrei a oportunidade e dediquei-me ao máximo. Pois no fim desse estágio, fui convidada a ficar a trabalhar (a receber claro) e aqui estou eu. Muito realizada, a trabalhar imenso e de certeza que consegui o trabalho pelo meu trabalho e não pela cunha. A cunha e a sorte serviram para me abrirem a porta, mas para conseguir entrar só com o trabalho. :)

    é a vida de hoje, nunca se pode dizer que não à sorte, seja lá que nome ela possa ter.

    Alva
    (alvaquasetransparente.blogspot.com
    arquitecturadepano.blogspot.com)

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  4. Ufa!
    Que as meninas que me lêem (bolas para o novo acordo!) são meninas inteligentes e que entenderam o que quis dizer.
    :)
    S*zinha, o meu texto não era uma resposta ao teu, quero que fiques a saber. Somos amigas e o que tiver a dizer digo sem problemas. Era por causa de uma coisa na minha vida que ainda não posso contar mas sei que vai dar que falar.
    Ana,
    :)
    Escrevi sobre isso uma vez. É impossível calçar os sapatos dos outros. Mas deviamos ter essa noção. É aquilo que disse: só podemos criticar, quando na mesma situação e com as mesmas circunstâncias, pudemos, realmente (e não supostamente) agir de uma maneira diferente.
    Alva,
    Claro.
    A cunha como abre portas é aquilo contra o qual não sou contra. Agora quando serve para manter incompetentes não. Mas penso que isso é lógico.
    Beijinhos a todas

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  5. Miss G, espero que seja bom querida!

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  6. E verdade, arranjei trabalho atraves de uma cunha.
    Soube-se.... e agora sou criticado e caluniado.Acho que tenho de mudar de emprego porque ali estou aparentemente lixado.Nao ha volta a dar-lhe.Mas a situaçao esta complicada..nao sei o que fazer??

    ViraMilho

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  7. Eu fui referenciada... OOOOPSSS!! Embora isso só tenha acontecido porque fiz um bom trabalho no outro emprego, não o teria arranjado sem uma cunha. É preciso a estrelinha também.

    *

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  8. Não me digas que escreves por conveniência? Agradar à maioria? Eu escrevo com todos os meus sentimentos. Tenho um blogue que não pretendo puto que seja popular. Não escrevo para agradar ninguém. Digo à boca cheia que estou desempregada, infelizmente. E critico sim, quem diz que ah e tal quem quer trabalhar arranja trabalho. Poupem-me. Tanto blogue com 10244451 seguidores que é 'podre'. Vamos ser genuínos, aqui e na vida real. ;) Boa sorte *

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  9. Mia,

    Claro que não escrevo por conveniência. Porque é que perguntas isso neste texto? Escrevo com sentimento. Escrevo sobre o que penso. Sobre as coisas que gosto e não gosto.
    E também critico. Tal como neste texto estou a criticar quem não é coerente. Porque não gosto de quem faz uma coisa e diz outra porque é mais bonito. Olha que é isso que aqui está escrito.
    Tal como tu também já me insurgi contra quem diz que quem não encontra emprego é porque não quer e escrevi muito sobre o assunto. Porque isso não é verdade. Não sei se já leste mais textos meus mas estão aí para testemunhar.
    O que eu não gosto mesmo é de críticas gratuitas. Criticar algo ou alguém que não nos provocou. Que não conhecemos. E critico quem critica dessa forma.
    Também não pretendo que o meu blogue seja popular. A prova é que quando estava a começar a ser muito lida tive problemas e quase deixei de escrever. Mas gosto muito de saber que me leem e receber feedback.
    Sê bem-vinda!

    Beijinhos

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