sexta-feira, 4 de março de 2011

A geração e a música e o emprego: outra vez o mesmo assunto

Talvez aquilo que vou dizer vá ser mal interpretado. Mas este assunto continua a mexer por aí e eu acho que ainda tenho coisas a dizer. E a minha questão principal é se se será assim tão errado as pessoas quererem encontrar um emprego na área para a qual estudaram?
Claro que as coisas não estão fáceis. Claro que temos acima de tudo de trabalhar. E eu não me insiro de forma nenhuma nos acomodados porque sempre trabalhei, criei um projecto meu, e acho que as pessoas devem trabalhar para adquirir noção do mundo de trabalho.
Mas o que não acho é que seja errado as pessoas quererem trabalhar naquilo para que estudaram. E percebo que de alguma forma se sintam frustradas quando vão a entrevistas e encontram pessoas com poucas ou nenhumas qualificações a concorrer para o mesmo lugar. Porque tenha sido no curso certo ou errado as pessoas investiram. Dedicaram anos de vida a estudar uma coisa na qual gostavam de trabalhar. E na qual muitas vezes não encontram colocação.
É importante estudar? É. É fundamental aprender. E eu mesmo sabendo que não iria ter emprego teria estudado na mesma. Talvez numa área diferente mas isso é outro assunto. Mas será que vale a pena ir para a universidade para depois não ter emprego? Não haverá outras formas de nos cultivarmos e de aprendermos e de nos tornarmos melhores pessoas? Posso estar a ser parva mas o meu curso universitário não me ensinou a ser melhor. Não tive uma única cadeira de civismo. E falta tanto civismo hoje em dia.
E eu acho sinceramente que o nosso governo tem culpa. Porque há coisas que poderiam ser feitas para melhorar a situação. Nem que fosse impôr números clausulus para os cursos que estão saturados.
Por isso não acho que as pessoas estejam erradas quando protestam e quando querem ver o seu esforço recompensado e quando dizem que querem um emprego na área para a qual estudaram. O que não significa que não ache que não têm de se virar e trabalhar noutras coisas porque a situação não está fácil. Mas não condeno nem generalizo nem digo que as pessoas não querem trabalhar.

2 comentários:

  1. Olá

    Concordo que as pessoas tem direito a reclamar, aliás, devem reclamar... e quanto a mim, esta geração reclama a menos... deveria reclamar muito mais..

    Quanto à questão de terem direito a trabalhar no que estudaram, já não é assim tão fácil, porque por muito que o governo queira, é impossível gerar emprego para todos os advogados, para todos os sociólogos, todos os historiadores.. é impossível mesmo.

    Pegando no exemplo do rapaz da Sic, quantos especialistas em cinema achas que fazem falta num país como o nosso?.. se calhar antes de ir estudar cinema ele de veria ter pensado se havia trabalho para ele ou não... assim como deveríamos pensar todos.

    Nós vivemos num país pequeno, com poucos habitantes e com um mercado pequeno... o que faz falta é que tomemos consciência do que faz falta e é útil para o país, quais são as nossas potencialidades e como as podemos explorar.. e aplicar as nossas energias aí... e reclamar sim.. para que se invista nessas coisas.

    Quanto à questão dos números clausus... concordo.. mas isso sim seria a garantia de protestas e manifestações.. porque iria condicionar os sonhos de muita gente.. o direito a sonhar com ter um curso.. que não é preciso para nada...e há muitos desses no nosso país.

    Bom fim de semana
    Jorge Soares

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  2. Jorge,

    Concordo com tudo aquilo que disse. E estava há bocado a pensar que me tinha esquecido de referir que os jovens deviam ser melhor orientados na altura de escolher uma profissão. Porque é fundamental que se pense no que este país precisa. Porque sem dúvida precisa de muita coisa. E aí devia apostar-se em haver mais psicólogos em escolas que tivessem tempo para conseguir fazer uma orientação profissional bem feita. Mas sabe o que me assusta? Afalta de civismo que cada vez cresce mais na nossa sociedade.

    Cumprimentos

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