terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Há uns dias li, num artigo da Visão (para os que, há uns tempos me disseram que os desiludiu eu ler a TV 7 Dias, que não leio, apenas li dois artigos que deram direito a texto aqui no blogue, pasmem-se, eu também leio, e leio mesmo, revistas de notícias, crónicas e informação) esta frase:

"Há um lugar na mancha das frases inolvidáveis, de cujo nome não consigo lembrar-me (talvez num livro, talvez num filme...), que diz qualquer coisa como isto: as pessoas esquecem o que fizeste, esquecem o que disseste, mas jamais esquecem como as fizeste sentir."

A frase continua. Dando depois lugar ao que este tipo de coisas pode levar. Nomeadamente a actos de violência conta quem fez as pessoas sentirem determinadas coisas. Até porque é um artigo sobre o filme "O Laço Branco", que, não tendo visto, sei que apresenta uma hipótese de justificação para o comportamento dos Alemães que levaram Hitler ao poder.

Mas não é isso que me interessa. Coloquei a frase aqui porque acho que é fundamental termos sentido de empatia. Conseguirmos perceber o que as nossas frases, actos, e até omissões, causam nos outros. Porque mesmo que não venham a dar episódios de violência pode contribuir para que essa pessoa se sinta desvalorizada. Que se questione enquanto pessoa. Que acabe por ter comportamentos que a prejudiquem baseada em algo que ouviu. Porque acima de tudo ninguém é saco de boxe de ninguém. E se estamos tristes, chateados ou irritados, podemos desabafar, tendo o devido cuidado de perceber se o que vamos dizer vai interferir no momento de vida que a pessoa está a viver, mas não temos o direito de descarregar em alguém. Há tantas coisas que podemos fazer para descomprimir. Ver o mar. Ler. Gritar. Chorar. Não fazer nada. Conduzir. Compras. Nada disto ou tudo ao mesmo tempo. Mas maltratar as pessoas como forma de expiarmos as nossas frustrações é que não. Porque não serve de nada. Não alivia nem traz conforto. Magoa os outros. E a longo prazo acaba por nos trazer mais frustrações porque vai afastando as pessoas de nós. Ninguém gosta de se sentir rebaixado, de sofrer humilhações ou de ser maltratado.

5 comentários:

  1. concordo...
    concordo inteiramente... eu por vezes já nem me lemnro o que alguem me disse mas..

    o feeling... esse nunca mas nunca vai embora...

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  2. tens razão! mas há pessoas que gostam de "vomitar" tudo e ainda se gabam: "ai eu o que tenhoa dizer, digo... sou muito frontal... a era do salazar já foi!", comos e fosse uma qualidade!

    Sempre disse que a PIDE se foi, mas ficou o "filtro social", indispensável parauem pretende viver em sociedade! Há pessoas que apenas não percebem que podem magoar...

    Jinhos

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  3. Assim de repente depois de ler o post, lembro-me de duas irmas que por birra (num sentido em que nao queria ir de ferias com os pais para a terra deles e foi obrigada) e outra por desgostos amorosos chegaram à anorexia =/ quero com isto dizer que outras historias que ouvi, muitas das depressões e este tipo de doença começaram com certa "bocas" ou "comentários" supostamente inocentes.


    Não temos noção do quanto as palavras por vezes podem magoar mais que violência fisica, que isso pode causar nos outros comportamentos depressivos.

    Toda e qualquer pessoa um dia já disse "posso perdoar, mas nao esqueço"..

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  4. Carla,

    É que muitas vezes mesmo que queiramos esquecer o sentimento não vai embora, permanece e deixa marcas.

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