sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Viver a Vida

Breve introdução: A Helena é uma mulher jovem e bonita, recém-casada que acaba de saber sofreu um aborto espontâneo em início de gravidez. A conversa que retrato a seguir passa-se no carro, após saírem do hospital onde tinha ficado a saber a notícia. Estão presentes ela, o marido e uma amiga.

Alice - Gostei muito da sua serenidade perante os factos.
Marcos - Eu também.
Helena - Aprendi a sofrer.
Alice - Eu também, aprendi a duras penas; aliás, alegria é uma coisa muito boa de se sentir mas não ensinda nada. O que ensina mesmo é o sofrimento. A dor.
Marcos - É triste, mas é verdade. Quando tudo está correndo bem a gente não dá valor a nada.
Helena - Pois eu preferia não aprender nada mas não ter de sofrer.
Alice - Ah, minha querida, mas a isso ninguém escapa.

True. True. So very true.
E eu sou (apesar de devido à situação clínica da minha mãe nos últimos tempos não se notar) do tipo de pessoas que gosta de estar sorridente, de aproveitar ao máximo as coisas, de tentar ser sempre feliz, mas a verdade é mesmo esta, dura e crua. Sem qualquer rodeio. É na dor que crescemos, que aprendemos, que evoluímos. Talvez por ser quando estamos em baixo que analisamos, colocamos em questão, e pensamos em formas de evoluir.
Quando estamos felizes é normal, prevesível e saudável que não pensemos nas coisas. Afinal queremos é aproveitar a alegria que sentimos. E é bom que assim seja, que realmente vivamos todos os momentos.
E acho que é mesmo esta a lição que temos de tirar dos momentos de dor. Não conformarmo-nos com o sofrimento, nem tornarmo-nos pessoas amargas, cinzentas e resignadas, mas, aceitar que exitem, e, já que é algo que não somos imunes e iremos sentir alguma vez na vida, então que usemos esses momentos para crescermos, amadurecermos e sermos maiores e melhores, chegarmos mais longe e voarmos mais alto.
E é por isso que eu digo sempre que as pessoas têm de viver a sua dor. Não sou adepta de saltar etapas, de fugas para a frente, de evitamentos. Nem digo aquelas frases feitas que toda a gente diz porque não se sabe ou não se quer lidar com o sofrimento do outro. Não. Digo o oposto. Digo: pensa, sente, reflecte. E depois tenta encontrar soluções. Mas antes vive a dor. Chora. Grita. Berra. E depois então, quando ela estiver mais mansinha, quando já tiver ensinado o que tinha de ensinar, quando for o momento certo, segue em frente. Afinal, como dizia um professor meu, o célebre Coimbra de Matos, a tristeza é o melhor antídoto contra a depressão.

3 comentários:

  1. sim...
    o fazer o luto... seja qual a situação que seja... e importante.... cria resistencias para dores futuras e ... dá o chamado.. closure ...

    :)

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  2. Eu vejo isso principalmente com pessoas que nunca sofreram nenhum desgosto amoroso. Que foram sempre as que deixaram e nunca as que foram deixadas. Tirando raras excepções (que há sempre em relação a tudo) de pessoas com alguma maturidade, quem não sabe o que é, passa sempre pela vida e pelo sofrimento alheio com uma certa indiferença. Por isso acima de tudo o sofrimento torna-nos mais humanos. Penso eu que..

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  3. Também vi esse bocadinho ontem e reflecti, tal como tu. É que é bem verdade que aprendemos e valorizamos as coisas quando as perdemos e com as quedas que damos...

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