sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Lenda

Há uns tempos ouvi uma locutora de rádio ler esta lenda e gostei tanto dela que resolvi enviar um e-mail para lá a pedir se ela ma podia enviar. Hoje, quando estava a vasculhar coisas aqui no meu computador, encontrei-a. E acho que vale a pena pô-la aqui. Porque nem tudo o que parece é. Porque há sempre mais uma perspectiva para as coisas que nos vão acontecendo. Tantas quantas as pessoas que nelas participam. E, antes de julgarmos alguém, pensarmos alguma coisa ou tomarmos alguma decisão, deviámos, pelo menos tentar conversar com essas pessoas sobre o assunto.

"Um casal de recém-casados era muito pobre e vivia de favores numa quinta do interior. Um dia, o marido fez a seguinte proposta para à mulher:
- "Olha, vou sair de casa, vou viajar para bem longe, arranjar um emprego e trabalhar até ter condições para voltar e dar-te uma vida mais digna e confortável. Não sei quanto tempo vou ficar longe, só te peço uma coisa, que me esperes e, enquanto eu estiver fora, sê-me FIEL, pois eu também te serei fiel.”
Assim sendo, o marido saiu. Andou muitos dias a pé, até que encontrou um agricultor que estava a precisar de alguém para o ajudá-lo nas suas terras.O rapaz chegou e ofereceu-se para trabalhar e foi aceite. Pediu para fazer um pacto com o patrão, o que foi aceite também. E o pacto foi o seguinte:
- Deixe-me trabalhar pelo tempo que eu quiser e quando eu achar que devo ir, o senhor dispensa-me das minhas obrigações. EU NÃO QUERO RECEBER O MEU SALÁRIO. Peço que o senhor ponha o dinheiro no banco até ao dia em que eu me for embora. No dia em que eu sair o senhor dá-me o dinheiro e eu sigo o meu caminho".~
Tudo combinado.Aquele rapaz trabalhou DURANTE VINTE ANOS, sem férias e sem descanso. Depois de vinte anos chegou ao pé do patrão e disse:
- "Patrão, eu quero o meu dinheiro, pois estou de volta para a minha casa".O patrão então respondeu-lhe:
- "Tudo bem, afinal, fizemos um pacto e vou cumpri-lo, só que antes quero fazer-te uma proposta, pode ser? Eu dou-te o teu dinheiro e tu vais-te embora, ou DOU-TE TRÊS CONSELHOS e não te dou o dinheiro e tu vais-te embora. Se eu te der o dinheiro eu não te dou os conselhos, se eu te der os conselhos, não te dou o dinheiro. Vai para o teu quarto, pensa e depois dá-me a resposta".
Ele pensou durante dois dias, procurou o patrão e disse-lhe:
- "QUERO OS TRÊS CONSELHOS".O patrão novamente frisou:
- "Se te der os conselhos, não te dou o dinheiro".
E o empregado respondeu:
- "Quero os conselhos".O patrão então disse-lhe:
1. "NUNCA TOMES ATALHOS NA TUA VIDA. Caminhos mais curtos e desconhecidos podem custar a tua vida.
2. NUNCA SEJAS CURIOSO PARA AQUILO QUE É MAL, pois a curiosidade para o mal pode ser mortal.
3. NUNCA TOMES DECISÕES EM MOMENTOS DE ÓDIO OU DE DOR, pois podes arrepender-te e ser tarde demais."
Após dar os conselhos, o patrão disse ao rapaz, que já não era assim tão novo:
- "TENS AQUI TRÊS PÃES, dois para comeres durante a viagem e o terceiro é para comeres com tua mulher quando chegares a tua casa".
O homem então, seguiu seu caminho de volta, depois de vinte anos longe de casa e da mulher que ele tanto amava. Após o primeiro dia de viagem, encontrou um andarilho que o cumprimentou e lhe perguntou:
- "Para onde vais?"
Ele respondeu:
- "Vou para um lugar muito distante que fica a mais de vinte dias de caminho por esta estrada".O andarilho disse-lhe então:
- "Ó rapaz, este caminho é muito longo, eu conheço um atalho muito, e que te põe em casa em poucos dias".
O rapaz todo contente, começou a seguir pelo atalho, quando se lembrou do primeiro conselho. Então, voltou para trás e seguiu o caminho normal. Dias depois soube que o atalho levava a uma emboscada. Depois de alguns dias de viagem, cansado encontrou uma pensão à beira da estrada, onde resolveu hospedar-se."Pagou" a diária e após tomar um banho deitou-se para descansar e dormir.De madrugada acordou assustado com um grito estarrecedor. Levantou-se de um salto e dirigiu-se à porta para ir até o local do grito. Quando estava já a abrir a porta, lembrou-se do segundo conselho.Voltou, deitou-se e dormiu. Ao amanhecer, depois de tomar café, o dono da pensão perguntou-lhe se ele não tinha ouvido um grito e ele disse que sim, que tinha ouvido.
- E não ficou curioso?
Ele disse que não. Ao que o homem respondeu:
- VOCÊ É O PRIMEIRO HÓSPEDE A SAIR DAQUI VIVO, pois o meu filho tem crises de loucura, grita durante a noite e quando o hóspede sai, mata-o e enterra-o no quintal.
O rapaz prosseguiu na sua longa jornada, ansioso por chegar a sua casa.
Depois de muitos dias e noites de caminhada... já ao entardecer, viu entre as árvores o fumo a sair da chaminé da sua casa, andou um pouco mais e logo viu entre os arbustos a silhueta da sua mulher.Estava a anoitecer, mas ele pôde ver que ela não estava só. Andou mais um pouco e viu que ela tinha no seu colo, um homem a quem acariciava os cabelos. Quando viu aquela cena, o seu coração encheu-se de ódio e amargura e decidiu-se a correr ao encontro dos dois e a matá-los sem piedade.Respirou fundo, apressou os passos, quando se lembrou do terceiro conselho. Então parou, reflectiu e decidiu dormir aquela noite ali mesmo e no dia seguinte tomar uma decisão. Ao amanhecer, já com a cabeça fria, disse:
- NÃO VOU MATAR MINHA MULHER NEM AQUELE DESGRAÇADO.
Vou voltar para o meu patrão e pedir que ele me aceite de volta. Só que antes, quero dizer à minha mulher que eu sempre LHE FUI FIEL".
Dirigiu-se à porta da casa e bateu. Quando a mulher abre a porta e o reconhece, atira-se ao seu pescoço e abraça-o afectuosamente. Ele tenta afastá-la, mas não consegue. Então com as lágrimas nos olhos diz-lhe:
- "Eu fui-te fiel e tu traíste-me.
Ela, espantada, responde-lhe:
- "Como? eu nunca te traí. Esperei durante estes vintes anos.
Ele então perguntou-lhe:
- "E aquele homem que estavas acariciando ontem ao entardecer?
E ela disse-lhe:
- "AQUELE HOMEM É NOSSO FILHO. Quando te foste embora, descobri que estava grávida. Hoje ele está com vinte anos de idade".
Então o marido entrou, conheceu, abraçou o filho e contou-lhes toda a sua história, enquanto a mulher preparava o café. Sentaram-se para tomar café e comer juntos o último pão.APÓS A ORAÇÃO DE AGRADECIMENTO, COM LÁGRIMAS DE EMOÇÃO, ele parte o pão e ao abri-lo, encontra todo o seu dinheiro, o pagamento por seus vinte anos de dedicação.
Muitas vezes achamos que o atalho "queima etapas" e nos faz chegar mais rápido, o que nem sempre é verdade...Muitas vezes somos curiosos, queremos saber de coisas que nem sequer nos dizem respeito e que nada de bom nos acrescentará...Outras vezes, agimos por impulso, na hora da raiva, e fatalmente nos arrependemos depois...
Espero que tu, assim como eu, não nos esqueçamos que uma grande amizade começa com confiança na pessoa que nos procura..."

6 comentários:

  1. As lendas ensinam-nos sempre muito :)
    Obrigada por a teres partilhado!

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  2. adorei a lenda... a meio, ainda pensei "se tivesse pedido antes o dinheiro, não teria ficado 2 dias a pensar em aceitar os conselhos, não teria apanhado aquela pessoa pelo caminho que lhe falou do atalho, nem teria ficado hospedado no mesmo albergue"... mas no fim, pensei "teria matado a mãe e o filho!".

    uma lenda MUITO BOA :)

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  3. OH! Miss G.
    Mas vinte anos a trabalhar de borla para aprender aquilo que sempre soubemos, ou deveríamos saber, não acha preço exagerado?
    Olhe! Eu se fosse a mulher dele, e que, depois de uma espera em vinte anos de fidelidade e esse desgraçado me aparecesse ali de mãos vazias, matava-o na horinha

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