domingo, 24 de janeiro de 2010

A adopção e os casais homossexuais

Eu já aqui confessei que me faz impressão qualquer tipo de preconceitos. E que as pessoas que ficaram lá atrás no tempo e não têm uma mente aberta a novidades, que insistem em ficar coladas ao que já foi, me causam alguma confusão. Claro que aceito opiniões diferentes e críticas, gosto de aprender e acho que todos temos coisas a aprender uns com os outros. Mas raciocínios enviezados, ideias tendenciosas e pessoas que teimam em não evoluir é uma coisa diferente.
Já aqui falei do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas agora apetece-me falar da adopção. Que é um direito das crianças e não dos casais. As crianças adoptáveis não vivem muito bem na sua casinha com as suas famílias perfeitas. Não. Vivem em casas de acolhimento, lares, orfanatos, com outros tantos como eles e educadores. E muitos destes lares têm péssimas condições. Já para não falar que muitas das crianças são vítimas de maus tratos, quer físicos, quer psicológicos, abusos e até violações. Mas isto é perfeitamente aceitável.
O que não é aceitável é que sejam adoptadas por um casal homossexual. Que passem a ter uma casa. Amor. Pais. Sejam dois pais ou duas mães ou um pai e uma mãe. São pais. Pessoas que se preocupam, educam, dão amor. Mas não pode ser porque isso não é normal. E porque vão ser gozadas na escola.Porque mais normal é viver num orfanato, frio, sem condições.
Poupem-me. Há argumentações que realmente me tiram do sério. Então querem lá ver que, para evitar que sejam gozados na escola, é preferível crescerem sem saber o que é ter pais? As crianças às vezes são crueís. Pois são. Mas será que só o são para quem vive com dois pais ou duas mães? Ou também são para quem é gordo, para quem não tem playstations, para quem a mãe é desdentada... por favor!
Há quem diga que as crianças têm direito a ter um pai e uma mãe. E que não lhes podemos tirar esse direito. E é verdade. E eu concordo. Tal como é verdade que num mundo ideal não havia crianças abandonadas, nem orfãs, nem vítimas de maus tratos. Mas há. É o que mais há. E esses pais ideiais, que viriam buscar a criança ao orfanato, podem nunca chegar. E, mesmo que cheguem, se não forem os ideiais? Sabemos lá se a iam tratar bem. Mas isso não interessa a ninguém. Isso ninguém questiona. Desde que não sejam homossexuais serve.
A realidade é muito diferente do ideal. E, nesse intermeio, será preferível as crianças viverem em orfanatos, onde as figuras de referência muitas vezes são transferidas, e tão depressa estão como não estão, ou serem criadas numa casa, com pais, amor, carinho e atenção? Eu não tenho a mínima dúvida na escolha. Porque o que está em questão, o que realmente importa, não são as opiniões, nem os pontos de vista e muitos menos os nossos preconceitos. É a felicidade das crianças. O seu direito ao amor. E a uma casa onde se sintam protegidas. E para isso interessa muito pouco a orientação sexual dos pais.

7 comentários:

  1. Olá

    Li o teu texto e gostei. Não concordo com algumas coisas escritas, mas gostei do teu ponto de vista. Não tenho ainda uma ideia bem formulada sobre o assunto, mas nunca me ouviram dizer que é pelo medo da crueldade dos outros que não devem ser adoptados. Eu duvido é da estrutura emocional em que podem crescer. Mas por exemplo, eu nasci sem a figura do meu pai e estou aqui. Isto é um tema que dá pano para mangas. Não deverá ser muito discutido pela sociedade porque com a aprovação do casamento, a adopção virá de forma natural. O legislador não os pode discriminar após a publicação da lei (do casamento).
    Mas pensa comigo, se um casal hetero está anos à espera de poder adoptar imagina como vai ser para os homos conseguirem. A ver vamos.

    Beijo ;) bom fim de semana

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  2. Obrigada Rita.
    A estrutra emocional... pessoas desiquilibradas tanto são as hetero como as homo.
    E o que interessa aqui são as crianças.

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  3. Claro que sim e tenho certeza que ambos os pontos de vista estão preocupados é com elas e nada mais.

    Beijo

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  4. Concordo com tudo o que disseste. só queria fazer um reparo.
    disseste que: "As crianças às vezes são crueís. Pois são."
    Pois as crianças só são cruéis quando são educadas para assim o serem. Quando são criadas com preconceitos e sem aceitação pelo que é diferente, o que não quer dizer que não seja normal. Não corresponde é ao que alguns consideram normal. Pois se assim é, a natureza cometeu muitas anormalidades já que são centenas de espécies animais com comportamentos homossexuais já para não falar naquelas espécies em que apenas um progenitor, macho ou fêmea, contribui para a sobrevivência das crias. Ou até espécies que "contêm" em si os dois sexos.
    Ah e tal mas nós somos humanos não animais.
    Como se não fizéssemos parte do mundo natural, como se nós não fôssemos animais também.

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  5. A minha liberdade começa quando começa a tua.. isto serve para dizer que qualquer pessoa têm direitos iguais ao de outra qualquer...como tal e independentemente da sua cor...crença religiosa...e claro orientação sexual...todos têm direito a educação...amor...e saúde... dito isto... sou a favor da adopçao por casais homosexuais.. e nao acredito que seja por este factor que a criança adoptada vá ter a mesma orientação que os pais...
    As crianças podem ser crueis..claro...mas piores são os adultos que tendo a capacidade para pensar...optam pela ausencia de pensamento...

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  6. Olá

    Sou pai adoptivo e biológico, e gostei muito do teu post, já me cansei de tentar explicar isto em muitos blogs, as pessoas simplesmente fecham-se nos seus preconceitos e arranjam desculpas parvas.

    É bom encontrar de vez em quando alguém que pensa como eu.

    Jorge Soares

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  7. mais vale ter dois pais ou duas mães do que alguns pais biológicos que por aí andam...

    tudo o que a criança precisa é amor e um tecto ponto. fomos todos gozados na escola, se não é por uma coisa é por outra, vai dar ao mesmo.

    mas para mim o melhor é o argumento de que as crianças depois também ficam homossexuais, porque como se sabe, nenhum casal heterossexual tem um filho gay ou uma filha lésbica.

    Haja paciência.

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