sexta-feira, 29 de maio de 2009

A imprevisibilidade da vida

Há coisas que nos acontecem que se assemelham a tremores de terra de grau 9 na Escala de Richter. É como se o melhor pugilista do mundo nos desse um murro no estômago quando nem sequer ainda o tínhamos visto. Como se um prédio de mil andares nos caíssem em cima de uma assentada só.

E são exactamente estas coisas que nos mostram, na pele, o quão imprevisível e incerta é a vida.

Normalmente o ser humano tem uma falsa noção de imortalidade, de poder tudo, de que "as coisas más só acontecem aos outros".

Nada mais falso.

Não gostamos quando nos dizem que a vida é curta, que o minuto presente é garantido mas que o próximo pode não ser, que somos assustadoramente frageís perante uma vida que não controlamos.

Gostamos muito de dizer que vivemos intensamente os dias, dizer que o carpe diem é o nosso lema, que aproveitamos cada minuto como se fosse o último.

Mas, na grande maioria dos casos, isso não é verdade.

Na grande maioria dos casos deixamo-nos paralisar pelos medos, arrastamos para amanhã situações que poderiam ter sido resolvidas ontem, porque, afinal "temos tempo", perdemos tempo com coisas que não têm importância nenhuma.

A verdade é que apenas achamos que temos. Somos (mesmo) frageís. Não sabemos (mesmo) se o que vai acontecer no minuto seguinte não vai fazer com que não possamos, afinal, resolver os assuntos que deixámos pendentes, se nos vai, finalmente, permitir ultrapassar os tais medos que, grande parte das vezes, nos deixam paralisados sem motivo, se não vai virar a nossa vida de pernas para o ar e mostrar que temos (mesmo) de viver cada minuto e cada dia da melhor forma que podermos e soubermos.

Longe de ser um texto depressivo ou de estar a fazer a apologia de que devemos fazer todos os dispartes porque a vida curta, com este texto quis apenas mostrar que, na vida, não há tempo a perder. Nem com medos, nem com certezas, nem com adiamentos, nem com coisas que não valem nada, nem com mesquinhices.

A vida é para viver, da melhor forma possível, lutando, sempre, por aquilo que queremos, sonhamos e nos faz felizes. Porque as chatices, que nos mostram o quão pequenos afinal somos, vêm sem as chamarmos. E, se de antemão tivermos noção disso, iremos aproveitar muito mais.

P.S.: sim, nos últimos tempos a minha vida virou-se do avesso. Foi diagnosticada à minha mãe uma doença grave, daquelas que nos mostram que a vida não está assim tão garantida. Foi um murro no estômago. Sente-se um medo que não se sabia que podia existir. De repente, a pessoa que mais amamos está a sofrer e nós não podemos fazer nada, a não ser dar força, para a ajudar. A nossa fragilidade. A imprevisibilidade da vida. A pequenez do ser humano perante o mundo. Tudo nos cai em cima de uma vez só de uma forma brutal. A impotência que sentimos é tão grande que nos paralisa. A vida parece que pára. Não sabemos o que fazer. Ficamos sem vontade de nada. Pensamos no quão tremendamente injusto toda a situação é (e é). Revolta. Mas também nos mostra que não há tempo a perder. Que não pode haver medos, desculpas ou "amanhã também é dia" a colocarem-se entre nós e os nossos sonhos. E então, aos poucos, vamos tentando juntar os pedaços que tudo isto espalhou pelo chão e reconstruir o que foi deitado abaixo. Custa. Assusta. Dá um medo do caraças. Mas tem mesmo de ser. Por mim. E por ela.

18 comentários:

  1. Mas o que se passa com este blog?

    Tou revoltada com o que li aqui!..

    Linda ja sabes qq coisa conta cmg!!
    Beijinhos!!!

    ResponderEliminar
  2. Vai correr tudo bem!!!Pensamento positivo! Muita força para ti!!
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  3. O título do post diz tudo.

    Há muito pouco que se pode dizer nestas alturas.
    O mais importante tu já tens: a atitude certa.

    Hang in there! (:

    ResponderEliminar
  4. Há pessoas crueís. Mas, neste blogue, e sobretudo numa situação como a que retratei neste texto, não admito este tipo de crueldade. E nem sequer vou fazer grandes considerações sobre isto. Apenas uma: não sei quem és, não quero saber, não fui ver o teu perfil, não sei se tens blogue, não sei o que queres, mas, aqui, não o vais obter. De mim vais obter sempre desprezo. Nem uma resposta mereces. E cada comentário que aqui deixares será apagado.

    ResponderEliminar
  5. Aos outros obrigada. Como disse não é nada fácil. Mas aconteceu e não podemos esconder a cabeça na areia.

    ResponderEliminar
  6. Ana, já tinha tentado falar contigo no messenger sobre isto mas não tinha conseguido.

    Obrigada.

    Quanto ao que leste, já cá não está.

    ResponderEliminar
  7. Nem quero imaginar se fosse com a minha mae... Força linda. :)

    ResponderEliminar
  8. Muita força, espero que tudo corra pelo melhor, aliás, tenho a certeza que correrá! Eu sei bem como a vida pode mudar de um momento para o outro, como tudo pode deixar de fazer sentido. Tenho só 14 anos, e já sei de tudo isto, já tento viver a vida da melhor maneira possível. Perdi há cerca de um ano um amigo que me era muito querido com um ataque cardíaco, assim do nada, aos 14 anos e tudo mudou para mim. E revolta tanto. Mas todas as situações acabam eventualmente por melhorar ou por ser atenuadas. Parabéns pelo blog!

    ResponderEliminar
  9. Muita força,espero que corra tudo pelo melhor.Mais uma vez escreveste muito bem.
    beijinho

    ResponderEliminar
  10. As palavras são importantes para mim, mas muitas vez a sua ausência e o brotar do silêncio também. Mais do que palavras, ofereço-te, sempre que quiseres, a minha presença em silêncio na forma de um abraço... um grande beijinho.

    ResponderEliminar
  11. Entendo-te muito bem. Infelizmente.

    Mas fazemos o melhor que pudemos :)

    ResponderEliminar
  12. Pois, há alturas em que a vida nos faz sentir tão pequeninos e impotentes... especialmente quando o que está em jogo é algo que nos ultrapassa em grande medida, e é claro que se torna frustrante quando sabemos que tudo o que se pode fazer pode não ser suficiente. Espero que arranjes a força para ultrapassar tudo isto e que o teu mundo se volte a endireitar. Boa sorte!

    ResponderEliminar
  13. Nunca comentei no blog pois comecei a acompalha-lo á relativamente pouco tempo.

    Quero dizer-te que neste momento também eu reuno os destroços do impacto de tão má noticia, o facto de ter a minha mãe doente, é muito dificil!!!

    Mas vamos conseguir ajuda-las nesta luta desigual. A minha mãe luta contra o cancro da mama e eu ao seu lado amparo-a e dou-lhe força para ir em frente, rumo á "cura".

    Desejo Boa Sorte!!

    Alice

    ResponderEliminar
  14. Tenho o seu blog nos meus favoritos.
    Vejo que está a passar uma fase má na sua vida. Já passei por isso em relação aos meus pais, foi preciso muita coragem e acho que ela surge na precisa medida em que necessitamos dela.
    Que tudo vos corra pelo melhor.
    Depois da tempestade vem sempre a bonança.
    Um beijo.

    ResponderEliminar
  15. Comecei hoje a ler o seu blog recomendado por uma amiga, só vou comentar por agora este "A imprevisibilidade da vida" sei bem o que está a sentir, pois tive sempre uma mãe doente ...afinal ela fez no dia 15 deste mês 80 amos.
    Portanto como ela costuma dizer sabiamente "mulher doente, mulher para sempre": Espero que a sua celebre também esta bonita idade.
    Um abraço
    Fernanda Páscoa

    ResponderEliminar