quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Confusões

A responsabilidade e o planeamento de vida (ou melhor, a falta dele) faz-me muita confusão.
Muita mesmo.
Faz-me confusão as pessoas não pensarem, sobretudo em assuntos tão sérios como os que envolvem crianças, que não têm a mínima culpa da irresponsabilidade dos pais.
Faz-me confusão como é que pessoas adultas, com bastante mais de 20 anos, com relações extremamente recentes se deixam cair em situações que nem a miúdos de 15 anos se perdoam.
E faz-me confusão as pessoas, depois dos actos, não os assumirem e serem capazes de afirmar que a outra pessoa iria criar a criança sozinha a vida inteira. Ainda que eu acredite que isso depois muda quando a criança nasce, assusta-me alguém dizer isso, sobretudo com convicção. Faz-me confusão um homem que tem várias relações coloridas não se proteger e pôr em risco não só o factor gravidez como a saúde de toda a gente com quem se envolve, não as avisando sequer sobre a situação.
E, ainda que as crianças não cheguem a nascer (sendo que, apesar de eu ter sido a favor da liberalização do aborto, acho que é sempre uma situação a evitar e apenas de último recurso), faz-me muita, muita confusão que, na altura da diversão, não se pense nisso.
Uma gravidez é (ou deve ser) um acto de amor tão bonito, um projecto de vida de duas pessoas que se querem e constroem um futuro a dois, que não devia ser minimizada assim, sobretudo por pessoas adultas. Porque os adolescentes não têm esta cnsciência. E, se calhar, infelizmente, uma grande parte dos adultos também não.
E nas outras consequências do acto que se está a praticar também não se pensa.
E agora nem falo apenas de gravidez. É porque, para ela poder acontecer, é porque não houve protecção. E, não tendo havido protecção, há doenças sexualmente transmissíveis à espreita.
Como é que, em pleno séc. XXI, quando as infecções por HIV e outras doenças são cada vez maiores, se vai para a cama sem preservativo com alguém que mal se conhece sem sequer antes fazer despistes? Ainda que tenhamos começado uma relação com essa pessoa, não se vai. Simplesmente não se vai. É irresponsabilidade a mais junta.

Faz-me, ainda mais do que tudo, confusão, ter estado envolvida e convivido com pessoas assim. Pessoas que não têm, MESMO, nada em comum comigo.

2 comentários:

  1. O egoísmo impera nessas relações, conheço várias crianças nessa situação, do casa descasa, de discusões do ter saudade do pai ou mãe, do estar mal educada por excesso de mimo por os pais estarem separados, infelizmente o egoísmo faz destas coisas.
    Não falando das doenças, aí nem tem palavras..aliás tem mas não posso escrever :)
    bom fim de semana e se quiseres passa lá no meu canto

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  2. Olá 'Gaija'. Caí aqui no teu canto há uns dias e gostei do que li até agora. Relativamente a este post, infelizmente vivemos na era do descartável em que toda e qualquer relação se deita fora assim do dia para a noite sem se fazer o mínimo esforço. Não há preocupação com o amanhã. É viver intensamento o imediato, o hoje. Amanhã logo se verá. Por isso não interessa usar protecção, não interessa chater a cabeça com "e se...", enfim... Também eu lido com gente assim e em nada me identifico com este estilo de vida. Felizmente tive uma boa educação, como costumo dizer.
    Passarei a visitar-te.

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