domingo, 10 de março de 2013

*


Há mais ou menos um ano escrevi, aqui no blogue, que, se a minha vida fosse uma comédia romântica,quando menos esperasse,lhe aparecia alguém que lhe provava que não, ela não ia ficar sozinha, e quesim, que ela merecia e tinha direito de ser amada e que lutassem por ela”.


Foi uma altura de viragem na minha vida, uma altura em que percebi que tinha, mesmo, de fechar a porta ao passado, mas, sobretudo, que o queria fazer. Que era isso que me fazia sentido. Que tinha passado demasiado tempo agarrada a uma história que, no fundo, nunca tinha sido, e que funcionava apenas como uma âncora para me prender e me impedir de ser feliz. Nessa altura, chorei, e chorei, e chorei, em frente a um espelho, mas, quando, limpei as lágrimas e saí dali, fechei a porta da casa de banho e o passado, com ela. Percebi que o passado é um bom sítio para visitarmos, de vez em quando, com o qual aprendemos lições, mas um sítio péssimo para ficar.


E, a verdade, é que tudo isto, que eu tinha escrito, mas em que, no fundo, não acreditava, aconteceu. Com uma pessoa que eu já conhecia há um tempo, mas a quem nunca tinha dado grande espaço para que pudesse, de facto, entrar na minha vida. Uma pessoa que, apesar disso, se soube manter presente sem ser demasiado insististe e que, eu, no fundo, admito hoje, acho que sempre soube que queria por perto. Um homem maravilhoso, de quem eu gosto MUITO, em quem tenho muito orgulho. Um homem que é das melhores pessoas que já conheci, que respeita, se preocupa e tem uma grande consideração, não só por ele próprio e por mim, mas por todas as pessoas que o rodeiam. Um homem que me faz feliz, que se preocupa comigo, que me faz sorrir e sorri quando estamos juntos, que faz com os meus olhos brilhem. Um homem no ombro de quem eu gosto e posso deitar a cabeça, sem me preocupar com mais nada. Um homem com quem adoro passar o meu tempo, com quem adoro partilhar as minhas coisas e que também partilha as dele comigo. Com quem adoro conversar, mas com quem o silêncio é muito confortável. Que já me fez chorar de felicidade mais do que uma vez. Que me ensinou a gostar mais de mim, a aceitar-me como sou, que me dá paz e tranquilidade. Com quem me faz muito, mas mesmo muito sentido estar. 
É por tudo isto, e por muito mais, que não consigo transpor para palavras, que te amo, V. Amo-te e gosto muito, muito, muito de nós, do que somos, juntos. De sentir que sou uma pessoa melhor ao teu lado, e que também faço sobressair o melhor que há em ti. Obrigada por existires, por seres quem e como és, e por fazeres parte da minha vida.

P.S.: escrevo este texto hoje, ao mesmo tempo que inauguro um novo cabeçalho aqui no blogue, feito por ele, que tem um talento enorme para fotografia e imagem. 

Dieta - Auxiliares #1

Estou, desde há três semanas, a seguir uma dieta bastante rigorosa, da qual irei falar nos próximos dias. Mas, hoje, estava a cozinhar uma coisa que tem sido um grande aliado nesta dieta, e resolvi tirar fotos, para colocar aqui. De que é que eu estou a falar?

Cogumelos. Cogumelos brancos frescos. São dos alimentos menos calóricos que existem e têm a vantagem de ser muito saborosos, versáteis, fáceis e rápidos de cozinhar.

Costumo fazer os meus sempre da mesma maneira. Compro cogumelos inteiros, lamino-os em fatias não muito finas, deito uma colher de azeite numa frigideira, pico alho e junto os cogumelos. Depois, tempero com um bocadinho de sal, pimenta e, por vezes, alho em pó. E ali ficam eles, a saltear. Costumam deitar bastante água, é normal, mas, no fim, ficam sequinhos e com óptimo aspecto.

Deixo aqui duas fotografias, uma dos cogumelos a serem cozinhados, outra com eles já prontos, preparados para irem para o frigorífico.

Acrescento ainda que eu uso cogumelos em tudo: nas saladas, nos salteados, como acompanhamento.



Informação nutricional (por 100 gramas):
Calorias: 22
Gordura: 0,34
Hidratos de carbono: 3,28
Proteínas: 3,09

Nota: nos meus cogumelos salteados, há que juntar uma colher de azeite, que tem aproximadamente 90 calorias; mas uso uma colher para cada duas embalagens de cogumelos frescos, mais ou menos umas 600 grs. de cogumelos. 

sábado, 9 de março de 2013

"She"




Porque, hoje, me apetece.
Porque é linda.
(E, segundo ele, "porque és linda").
Obrigada, "he" :)

quarta-feira, 6 de março de 2013

Sintra Inn

Sintra é uma das vilas mais bonitas e mais românticas do nosso país.
E, hoje, ao folhear uma agenda cultural, descobri um site onde podemos pesquisar todas as unidades hoteleiras disponíveis na vila e arredores.
Pareceu-me interessante e, por isso, decidi partilhá-lo aqui:

http://sintrainn.net/

Espero que gostem.

Sobre o regresso

Há muito que quero falar aqui da minha luta contra o excesso de peso; contar coisas sobre a minha dieta, sobre a minha alimentação, colocar algumas receitas e refeições saudáveis, esse tipo de coisas. Mas sempre tive algum receio de transformar este blogue num blogue light, algo que não quero. E não quero não por ter alguma coisa contra os blogues e as bloggers light, mas porque a minha vida não é unicamente a dieta, não gira em torno da dieta, e eu sou muito mais do que a dieta ou do que o excesso de peso.
E, por isso, o meu blogue vai ser o que sempre foi: eclético. Falar de tudo o que faz parte da minha vida; cinema, e as "críticas" a filmes que tanto gozo me dão fazer, amor, música, dieta, receitas, amizades, pensamentos, formas de estar e ser. Vai, no fundo, ser e reflectir aquilo que sou.
Com a novidade que vou, também, falar da dieta, que foi uma coisa de que sempre falei pouco.
E é isto.
Sejam bem-vindos a bordo :)

sábado, 2 de março de 2013

Regresso

E, após muito, demasiado, tempo de ausência, estou de volta.
De volta ao blogue que sempre me disse tanto, às letras e à escrita, que são o meu mundo, com muita, muita, muita vontade de escrever e muitas coisas para contar.
Neste regresso, mudei completamente a imagem do blogue, tudo graças à querida Marianne. Na verdade, o novo design é da autoria dela; eu só expliquei o que queria e ela fez.
A ela, obrigada.
A vocês, que me lêem, espero que gostem do novo visual, do regresso e de tudo o que vão poder voltar a ler por aqui.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

sábado, 5 de janeiro de 2013

Beijo


Algumas (poucas) vezes, até uma mulher de letras, que adora escrever e dissertar sobre as coisas, sente que as palavras pouco ou nada acrescentam, e que as imagens dizem tudo o que é preciso.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Esqueletos no Armário



Aos 30 (31, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39) já não somos os mesmos que fomos aos 15, nem aos 20, nem aos 25. Porque já vivemos muito mais coisas, boas e más, que, inevitavelmente, nos deixaram marcas. A vida já passou por nós e deixou marcas, cicatrizes, coisas que ficam por mais tempo que passe.

Aos 30 já não temos a mesma inocência tínhamos aos 15, quando nos apaixonámos perdidamente pela primeira vez. Somos um bocadinho mais cínicos, mais cautelosos, porque já sabemos que estas coisas do coração e das relações às vezes não correm bem. E fazem doer.

Aos 30 já magoámos e já fomos magoados. Mesmo que sejamos as melhores pessoas do mundo, mesmo que nos preocupemos muito com os outros, mesmo que nunca o tenhamos feito de propósito, é inevitável. Todos magoamos e todos somos magoados.

Aos 30 temos bagagens emocionais, esqueletos no armário, que nos fazem ter medo de voltar a sofrer e fazer sofrer e nos fazem ser muito mais cautelosos e contidos quando conhecemos alguém que achamos que se calhar até vale a pena. Porque, no fundo, sabemos que leva muito tempo a conhecermos alguém. E que, muitas vezes (tantas!), as pessoas nos surpreendem pela negativa.

Eu, pessoalmente, tenho uma necessidade estúpida de sentir que controlo as coisas. E, por isso, custa-me imenso deixar-me ir. Custa-me dizer “gosto de estar contigo”, “gosto de ti”. É como se, a partir do momento que o dissesse, me tornasse vulnerável. O que é muito parvo, porque todos somos vulneráveis, todos somos frágeis e, reconhecê-lo, é uma das nossas maiores forças.

Mas, independentemente da forma como ajo, e contra a qual tento lutar, acho que não é ao sermos cuidadosos, cautelosos e contidos que as coisas funcionam. Porque, nisto das relações entre as pessoas, não é por sermos assim que vai correr melhor. Todas as relações têm problemas, em todas as relações as pessoas discutem, todas as pessoas magoam e são magoadas. Mas, algumas, até valem a pena. Quer resultem, quer não. E, por essas, vale a pena batermos mil vezes com a cabeça. Sofrermos. Magoarmos. Sermos magoados. Até encontrar alguém com que as coisas até correm bem. Com quem até faz sentido partilharmo-nos.

E, mesmo que tenhamos uma bagagem emocional pesada, mesmo que o nosso armário esteja cheio de esqueletos, vale a pena, por momentos, não pensar nisso, pousar a bagagem, fechar a porta ao armário, deixarmo-nos levar pela vida, pelas coisas boas que ela às vezes nos traz, ir ao sabor da corrente e saborear, simplesmente. Sem pensar muito. Sem grandes complicações. Até porque as coisas mais simples, aquelas em que não temos de pensar muito, e acontecem naturalmente, são as (que correm) melhores. 

domingo, 2 de dezembro de 2012

Porque os pais devem por os filhos a chorar, por Bárbara Wong

Um texto com o qual concordo.

A ideia de fazer tudo para que os filhos sejam felizes, evitando que chorem, está ultrapassada. A teoria de disciplinar sem que a criança chore está desactualizada, diz Gordon Neufeld, psicólogo clínico canadiano que esteve em Portugal no final da semana.
“As crianças precisam da tristeza, da tragédia para crescerem. Precisam de ter as suas lágrimas”, defende. Nos primeiros meses e anos de vida, o “não” dito pelos pais ajuda a disciplinar, em vez de estragar a criança. “Estamos a perder isso na nossa sociedade, não admira que as crianças estejam estragadas com mimos. Afinal, elas são sempre as vencedoras”, continua o investigador que esteve em Lisboa a convite da empresa BeFamily, do Fórum Europeu das Mulheres, da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas e da Associação Portuguesa de Imprensa.
Na conferência sob o lema “Vínculos Fortes, Filhos Felizes”, Neufeld defende que só se atinge o bem-estar através da educação e que esta deve estar a cargo das famílias e não do Estado. E para garantir o bem-estar de qualquer ser humano ou sociedade é necessário preencher seis necessidades.
A primeira é o “aprender a crescer” e para isso há que chorar, é preciso que a criança seja confrontada, que viva conflitos, de maneira a amadurecer, a tornar-se resiliente, a saber viver em sociedade.
A segunda necessidade é a de a criança criar vínculos profundos com os adultos, estabelecer relações fortes. Como é que se faz? “Ganhando o coração dos filhos. É preciso amarmos e eles amarem-nos. Temos de ter o seu coração, mas perdemos essa noção”, lamenta o especialista que conta que, quando lhe entram na consulta pais preocupados com o comportamento violento dos filhos, a primeira pergunta que faz é: “Tem o coração do seu filho?”, uma questão que poucos compreendem, confidencia.
E dá um exemplo: Qual é a principal preocupação dos pais quanto à escola? Não é saber qual a formação do professor ou se este é competente. O que os pais querem saber é se a criança gosta do docente e vice-versa. “E esta relação permite prever o sucesso académico da criança”, sublinha Neufeld, reforçando a importância de “estabelecer ligações”.
E esta ligação deve ser contínua – a terceira necessidade –, de maneira a evitar problemas. Neufeld recorda que o maior medo das crianças é o da separação. Quando estão longe dos pais, as crianças começam a ficar ansiosas e esse sentimento pode crescer com elas, daí a permanente procura de contacto, por exemplo, entre os adolescentes com as mensagens enviadas por telemóvel ou nas redes sociais, muitas vezes, ligando-se a pessoas que nem conhecem, alerta o especialista.
O canadiano recomenda que os pais estabeleçam pontes com os seus filhos. Quando a hora da separação se aproxima, há que assegurar que o reencontro vai acontecer. Antes de sair da escola, dizer “até logo”; à hora de deitar, prometer “vou sonhar contigo”. 
Mas a separação não é só física, há palavras que separam como “tu és a minha morte” ou “tu és a minha vergonha”. Mesmo quando há problemas graves para resolver, a frase “não te preocupes, serei sempre teu pai” ajuda a lembrar que a relação entre pai e filho é mais importante do que o problema. Hold on to your kids é o nome do livro que escreveu e onde defende esta teoria.

A importância de brincar

A quarta necessidade a ter em conta para garantir o bem-estar dos filhos é a necessidade de descansar. Cabe aos adultos providenciar o descanso e este passa por os pais serem pessoas seguras e que assegurem a relação com os filhos.
As crianças precisam que os pais assumam a responsabilidade da relação, que mantenham e alimentem a relação, de modo a que elas possam descansar e, nesse período, desenvolver outras competências. Uma criança que está ansiosa pela atenção dos pais não está atenta na escola, por exemplo.
Brincar é a quinta necessidade a suprir. Não há mamífero que não brinque e é nesse contexto que se desenvolve, aponta Neufeld. E brincar não é estar à frente de uma consola ou de um computador; é “movimentar-se livremente num espaço limitado”, não é algo que se aprenda ou que se ensine. E, neste ponto, Neufeld critica o facto de as crianças irem cada vez mais cedo para a escola, o que não promove o desenvolvimento da brincadeira. “Os ecrãs estão a sufocar a brincadeira e as crianças não têm tempo suficiente para brincarem”, nota o psicólogo clínico que, nas últimas semanas, fez um périplo por vários países europeus, tendo sido ouvido no Parlamento Europeu, em Bruxelas sobre “qualidade na infância”.
Por fim, a sexta necessidade é a de ter capacidade de sentir as emoções, de ter um “coração sensível”. “Estamos tão focados em questões de comportamento, de aprendizagem, de educação; em definir o que são traumas; que nos esquecemos do que são os sentimentos. As crianças estão a perder os sentimentos quando dizem ‘não quero saber’, ‘isso não me interessa’, estão a perder os seus corações sensíveis”, diz Neufeld.
Em resumo, é necessário que os pais criem uma forte relação emocional com os filhos, de maneira a que estes sejam saudáveis. Os pais são os primeiros e são insubstituíveis na educação dos filhos e são eles que devem ser responsáveis pelo seu desenvolvimento integral e felicidade. Se assim for, estarão também a contribuir para o bem-estar da sociedade.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sou, acima de tudo, uma pessoa tolerante.
Penso, até, que já escrevi aqui sobre o assunto. Não gosto de preconceitos sejam eles de que género forem, não gosto de discriminações, não julgo as pessoas pelas suas opções, pontos de vista, maneiras de ser e de estar.
Gosto de respeitar as pessoas, tal como gosto que me respeitem a mim.
E respeitar as pessoas significa respeitar as diferenças, não julgar, não criticar. 
Penso que é por isto que todos os actos de intolerância me chocam, mexem comigo de uma forma que nem sei bem explicar.
Nestes actos, há sobretudo dois, na história da humanidade que mexem muito comigo: o holocausto e a queda das torres gémeas. Ambos os actos são o reflexo de uma enorme intolerância de seres humanos para com outros seres humanos. Uma coisa à qual nunca serei indiferente. 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Gosto dos primeiros dias de frio no Outono. Gosto do cheiro a frio nos dias de sol. Gosto da luz do Outono, quando o céu fica muito mais definido e com umas cores muito mais bonitas, ao entardecer. Gosto de sentir no ar o cheiro a castanhas. Gosto de começar a ver decorações de Natal espalhadas aqui e ali. Gosto de me sentir confortável dentro de um casaco de fazenda.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Não sei se já o disse aqui ou não mas sou uma pessoa de palavras. Gosto de ler, aprender, comunicar. Partilhar. Coisas. Saberes. Experiências. Sou de letras. A minha casa são as palavras, é a língua, são os livros.
E, geralmente, acontece-me sempre uma coisa curiosa com os livros. Vêm-me parar à mão livros com assuntos que se relacionam com coisas que estou a viver naquele momento. Não sei se sou eu que os escolho, se são eles que me escolhem, se é simplesmente fruto do acaso, ou se sou eu que os interpreto à luz do que estou a viver.
Nos últimos tempos voltei a estudar. Estudos Portugueses. Uma paixão de sempre: a nossa língua, a nossa literatura, o ensino.
Não seria estranho, portanto, que neste contexto, me tivesse vindo parar à mão alguma coisa de Fernando Pessoa (e quem diz Pessoa diz Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos). Afinal, é um dos maiores poetas da língua portuguesa. Coisa normal para quem está a estudar literatura.
E, realmente, nos últimos dias o Alberto Caeiro decidiu (re)entrar na minha vida. Mas, o mais engraçado, não no contexto do meu curso. Primeiro, foi uma das miúdas do sítio onde trabalho que teve que estudar Pessoa e os heterónimos. E eu reli o "Guardador de Rebanhos" e toda a postura anti-metafísica e fez-me (finalmente e pela primeira vez!) sentido. Para quê pensar tanto nas coisas? Um dia depois, com isso a ecoar na mente, a minha mãe passou numa livraria e comprou-me as "Conversas Inacabas com Alberto Caeiro". Porque achou que eu ia gostar. Ainda não li, mas já passei os olhos. E, claro, nesse livro um dos temas fundamentais é a recusa do pensamento, a necessidade de viver e sentir as emoções sem a preocupação de as interpretar, de pensar sobre elas e de complicar o que é simples.
E eu, que penso tanto, que tenho uma necessidade tão grande de analisar todos os pormenores, de encontrar mil e um motivos para complicar as coisas e me boicotar, que sou muito mais fã do Álvaro de Campos, daquele cérebro sempre a mil, que não pára, tal e qual uma máquina da revolução industrial, dei comigo a pensar que o Caeiro tem razão. Que é necessário viver mais e pensar menos. Sentir. Aproveitar as sensações. Só. Descomplicar. Aproveitar. Ser mais Caeiro e menos Campos.
(Vamos, claro, esquecer que toda esta recusa do pensamento, em Caeiro, é, em si mesma, também uma forma de filosofia).
Deixo alguns versos do Guardador de Rebanhos, do mestre de Fernando Pessoa, que, para quem não sabe, era como este denominava Caeiro ("surgiu em mim o meu mestre", diz ele a certa altura, numa carta a Adolfo Casais-Monteiro, onde explica a génese dos heterónimos):

"Pensar incomoda como andar à chuva"

"Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo.  Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... "

"O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!"

domingo, 7 de outubro de 2012

Bad boys e outras coisas

Muitas mulheres, nas quais infelizmente tenho de me incluir, têm uma certa tendência, para se encantarem com bad boys.
E bad boys aqui não significa necessariamente aqueles homens com ar mais rufia, que andam em carros modificados e não sabem fazer o superlativo absoluto sintético do adjectivo sábio. Não. Bad boys é muito mais abrangente do que isso. Bad boys são todos aqueles homens que  não nos dão a atenção que merecemos.

Mas nós, teimosas, inseguras, e com a mania que os vamos mudar, quando eles perceberem, finalmente, o quão fantásticas somos, continuamos, estoicamente, a ligar e a mandar mensagens, sem esperança que eles respondam ou sequer atendam. Porque eles sabem exactamente como nos deixar pelo beicinho;  quando estão connosco fazem com que tudo pareça maravilhoso, o mundo deixa de existir, somos só nós. Nós e eles, eles e nós.
O problema é que estes momentos são esporádicos. Tão depressa são capazes de estar connosco dois ou três dias seguidos como estar semanas sem mandar, sequer, uma única mensagem. Mas nós esperamos. Esperamos e esperemos e esperamos. E ligamos, uma e outra vez, enviamos mensagens, arranjamos desculpas que justifiquem o facto de eles não nos darem atenção.
“Talvez ele tenha medo que sente por mim”. “Talvez ele ache que sou uma mulher demasiado independente”. “Talvez não tenha tempo/saldo no telemóvel/esteja com muito trabalho”.
Mas isto são, e nós sabemos, desculpas. Porque, lá no fundo, e embora não queiramos admitir (porque dói que se farta!), temos consciência que o problema é eles não gostarem assim tanto de nós. Gostam de estar connosco de vez em quando mas não somos uma prioridade na vida deles. A bottom line é esta e não há volta a dar.

Eles não gostam assim tanto de nós e nós teimamos em tratar como prioridade quem nos trata como opção.
Mas o bom de tudo isto é que um dia nos cansamos. Um dia abrimos os olhos e percebemos que queremos e merecemos mais. Percebemos que, quando alguém realmente quer estar connosco, não tem medo do que sente, não tem medo que sejamos independentes, não nos deixa ter dúvidas, tem sempre tempo para nós, tem sempre saldo no telemóvel e nunca tem muito trabalho.
Porque somos importantes. Porque faz questão de nos mostrar isso mesmo. Porque nos trata com todo o respeito, consideração e carinho que merecemos.
Porque nos trata como a prioridade que devemos ser.
Nessa altura percebemos que perdemos demasiado tempo com quem não (nos) merecia, fechamos a porta aos bad boys e abrimo-la aos good guys (que muitas vezes já lá estavam à espera), com a certeza de que eles nos vão fazer felizes a tempo inteiro e não apenas em part-time.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012