sábado, 17 de dezembro de 2011

Acabei de fazer uma loucura. Mas não estou nada arependida. Porque pela primeira vez na vida fiz uma coisa que me apetecia sem pernsar primeiro nos outros. (Não matei ninguém). Foi uma coisa que disse a alguém, que já tinha vontade de dizer há muito tempo, e desta vez não quis continuar sem dizer. Não sei se foi ou não o mais correcto, mas, tal como dizia uma frase que publiquei uma vez "por vezes não fazer o que é mais correcto faz de nós melhores pessoas". E eu acho que foi isso que aconteceu. Porque fui verdadeira. Comigo e com a outra pessoa. Não calei uma vontade que tenho.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O divã da Miss G. #2

Boa tarde,
Sou a M. e vou a caminho dos 25 anos...

Sou viciada em ler blogs e perco-me completamente entrando num e noutro e lendo tudo o que me chama à atenção.Sou apaixonada por psicologia, área que gostaria de ter seguido mas que nao tive oportunidade e o meu pensamento nos ultimos meses é o seguinte: que do nada chuvesse dinheiro para poder frequentar um psicologo! Licenciei-me a 250km de casa e aos 21 voltei pra minha terra, onde trabalho até aos dias de hoje.

A 250km ficaram os amigos e o namorado, relaçao que mantenho até aos dias de hoje sendo os fins de semana os dias que temos para nós! Moro com a minha mae, o meu irmao, a minha avó reformada e o meu avô acamado devido a uma demência mental. Os meus pais separaram-se quando ainda terminava a licenciatura, razao pela qual moramos com os meus avôs desde então.

O meu irmao tem 16 anos e de há 3 anos para cá, desde que moramos com os meus avôs, tem tido um comportamente desviante. Começou por desaparecer em casa 3€, depois 5€, depois 10€, depois 60€ e a culpa nunca era de ninguém. Era da avó que poderia estar esquecida, ou do avô que estava maluquinho, segundo alguns. Depois fui chamada a uma loja para ir buscar o meu irmao, devido ao furto de uma peça de roupa. Não foi muito o meu espanto, eu ja suspeitava que o dinheiro que ia desaparecendo eram graças a ele. Depois foi o cartão MB do avô que desapareceu e junto com o qual estava o codigo e entao varios levantamentos foram feitos. Coitado, o avô era mais uma vez maluquinho e até tinha dado o cartao a alguem num acto de loucura. Cancelou-se o cartão. A peça de roupa furtada era a unica coisa com factos e argumentos que eu tinha, entao cheguei a casa e confrontei a minha mãe e disse lhe mesmo que se algo nao fosse feito ele iria fazer coisas piores e colocar lhe um travao nao seria facil. Nenhum castigo lhe foi dado. Nada de nada... O computador continua, a internet permanece, a falta de regras é uma constante, as faltas na escola sao um acontecimento que aumenta de dia para dia, a ausencia de testes para assinar sao pao nosso de cada dia, levantar um prato da mesa é coisa desconhecida, e como isto milhentas coisas.

Não me consigo calar perante tudo isto e portanto dou sermoes, dou liçoes de moral, dou conselhos, dou berros...faço o que qualquer mae deveria fazer, tirando a parte dos castigos e regras, pois isso nao tenho auteridade para tal. Tudo tem vindo a piorar a cada dia que passa, ao ponte de ouro familiar ser furtado e ter como retorno mais de 5mil euros...todos gastos em roupa e coisas carissimas... Mais uma vez descobri eu o acontecimento e mais uma vez tudo permaneceu igual. O acto decorreu segunda vez e mais uma vez apanhei, mas desta em flagrante... Nada feito, nem um unico castigo!

Sou acusada de criar mau ambiente em casa, por parte da minha mae, pois estou sempre a dar sermoes e a chamar a atençao constantemente. Sou acusada de ter a mania da preseguiçao e de nao me meter na minha propria vida, pelo meu irmao. E quando o mesmo diz isto aos berros so posso mesmo calar-me, visto que ninguem me defende ou dá razao!

A minha relaçao com o meu namorado está a ser afectada, visto que ele passa os fins de semana em minha casa...o ambiente é pesado, as discussoes surgem e as más caras para mim sao uma constante.

Permaneço naquela casa porque divido as contas com a minha avó e porque ajudo a cuidar diariamente do meu avô acamado. E pesa-me muito na consciência largar isso para ir viver a minha vida em paz. Ponderei varias vezes sair, mas nunca o fiz, pois pesa-me a consciencia por so estar a pensar em mim, nao sei. E além disso estou cá sozinha.

O namorado e amigos estão longe, iria entao passar 5 dias por semana sozinha, outro facto que me coloca um travão. Por outro lado passo os dias nervosa, sem vontade de ir pra casa, com dores de barriga porque vou chegar a casa e vai estar tudo amuado e a queixar se da vida!

Entretanto o meu irmao vai inicializar consultas com um psicologo, ao qual a minha mae ja foi chamada e de seguida eu. O psicologo falou muito abertamente comigo e disse que pouco poderia fazer pelo meu irmao se em casa nao fossem postas regras, disse-me que sou muito consciente com este problema e que a minha mae deveria ouvir-me e seguir os meus conselhos, caso contrario o meu irmao irá por um caminho muito perigoso ao longo da vida dele.

Posto isto tenho umas questões que me atormentam dia e noite:Que faço à minha vida, saiu ou fico?Se fico como reago? Se quiser pode publicar, pois das pessoas que conheço e sabem desta historia, nenhuma lê blogs! Um beijinho grande e quero so dizer que o facto de ter escrito isto tudo, ja me aliviou bastante! *O que fazer ao meu irmao e à minha mãe?

M.,

Antes de mais obrigada por me ter escrito e pela confiança que depositou em mim ao falar-me sobre essa situação. A maioria das pessoas que escreve para blogues expõe situações do foro sentimental e é bom uma variação. Não é que eu não goste de responder a essas, mas, acaba por ser redutor estar a responder sempre ao mesmo. E este seu email é uma lufada de ar fresco.

Quanto à situação em concreto, concordo em tudo com o que o psicólogo disse. São absolutamente necessárias regras e consequências que sejam aplicadas sempre que o seu irmão as infrinja. E isto não é uma questão de querer castigar, mas antes uma forma de lhe mostrar o que o mundo lhe vai oferecer quando ele for autónomo e tiver que trabalhar para se sustentar. A cada comportamento vão seguir-se consequências que serão boas ou más conforme o seja o comportamento. E isso tem de mimetizado em casa como forma de o preparar para a vida. Sempre mas sobretudo numa altura problemática como esta. E enquanto isto não for feito o comportamento desviante do seu irmão vai continuar em crescendo. Com as possíveis consequências que isso pode trazer. Com 16 anos ele não pode ser preso mas já pode ser responsabilizado criminalmente e enviado para unidades terapêuticas. A sua mãe deve saber isto e deve questioná-la se é isto que ela pretende.

O que eu acho relativamente a ela é que está em negação. Muitas vezes é mais fácil fingir que não vemos o que está mesmo à nossa frente do que admitirmos que nos magoa. E a ela magoa-a porque ela sente que falhou. Ela no fundo sabe o que se passa mas não quer admitir que sabe como se isso evitasse que a situação fosse real. Entende o que estou a querer dizer? Enquanto ela não tomar atitudes e fingir que está tudo bem é como se as coisas que acontecem realmente não estivessem a acontecer. E eu arriscaria dizer que isto acontece porque ela ao olhar para o seu irmão provavelmente sente que falhou como mãe e isso afecta a auto-estima dela. Não tem que ser assim. Ela não tem que ter falhado como mãe. Existem muitas causas que podem levar a uma determinada consequência. Mas está claramente a falhar agora, ainda que sem ter noção disso, ao ignorar um problema que existe e vai crescer se nada for feito, e ainda mais ao virar-se contra si. Mas também isto é normal e não pense que é por gostar mais do seu irmão do que de di. Ela no fundo sabe que a M. tem razão. Mas neste momento é a M. quem a está a a forçar a abrir os olhos para uma realidade que ela não quer ver. E o mais fácil é mesmo virar-se contra o mensageiro porque assim é como se a notícia não fosse verdadeira. É claro que tudo isto é confuso mas é o que provavelmente estará a acontecer.

O psicólogo tem razão quando diz que pouco conseguirá fazer se em casa não o ajudarem. E a sua mãe tem se saber isto mas creio que ele lho dirá até porque foi bastante honesto neste ponto. Mas ela tem de ser ajudada também a perceber tudo o que isto implica. Quando ela for ao psicóloga acompanhe-a se puder. E a seguir vá lanchar com ela. Mostre interesse em saber como correu a sessão e depois dê-lhe, calmamente, a sua opinião. Tendo em conta tudo o que aqui lhe disse sobre a negação. Mostre sobretudo que o seu grande interesse é ajudar o seu irmão, mas que nem a M. nem o psicólogo sozinhos conseguem. Mas com calma. E sem gritos. Sei bem o quão difícil pode ser manter este tipo de conversa em casa onde o ambiente já está contaminado e por isso lhe sugiro o lanche.

Quanto a si, o meu conselho (e eu não gosto de conselhos nem os psicólogos os dão mas isto não é uma consulta) era que saísse. Não sei deixe contaminar por esse ambiente. Percebo bem que sente que é um pilar fundamental. Mas antes de ser um pilar fundamental para alguém tem de o ser para si. Sob pena de não o ser para ninguém. E pode sempre morar noutra casa mas estar presente. E se calhar estará mais disponível. Não lhe vou dizer para mudar de terra e ir para perto do seu namorado (por acaso apeteceu-me) porque acho que neste momento tem e quer estar perto. Mas digo-lhe para se começar a autonomizar. A M. preciso disso e a sua família preciso disso. Vai ver que a vão valorizar mais quando der o passo.

Espero ter conseguido ajudar alguma coisa.

Beijinhos

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Desabafo

Existem realidades que, por muitos anos que vivamos, apenas conhecemos quando nos diz respeito. Trabalhar com jovens institucionalizadas é uma delas. Não é fácil.
É diferente de tudo aquilo que possamos imaginar, estar à espera, ouvir. É um mundo completamente à parte. E esse mundo faz-nos constantemente pensar em tanta coisa, pôr tanta coisa em questão, tentar encontrar estratégias diferentes para lidar com o que vai surgindo.
São experiêcias que valem a pena porque nos enriquecem como pessoas, nos ensinam coisas que outra forma não aprendiámos, que nos fazem valorizar tudo aquilo que temos.
Mas não nos podemos iludir. Por mais que queiramos, por mais que tentemos, e por mais que desesperemos há mesmo, e haverá sempre, jovens que não vamos conseguir ajudar. Simplesmente porque elas não querem ser ajudadas. Porque acham que a vida delas é muito boa, que o que interessa é falta às aulas, é experimentar tudo aquilo que acham que é porreiro, é arranjar estratagemos para ter dinheiro para comprar tabaco. São essas as que vibram quando nos conseguem chatear, que acham que quando nos ofendem estão a ganhar o dia, mas que se se esquecem que, nós quando saímos do trabalho voltamos para a nossa vida, aquela que tem coisas que a delas nunca virá a ter.
E eu tenho imensa pena disto. Tenho pena que a maior parte destas miúdas nem sequer se aperceba que podia ter uma vida melhor. Que, dentro do infortúnio que tiveram (e quem somos nós para julgar o que é viver em meios tão desestruturados que existem motivos legais para as retirar à família) houve também sorte: a de vir parar a uma instituição que se preocupa com elas e lhes dá o melhor.
Portanto o meu trabalho tem sido e vai ser muito à volta disto. Tentar partir pedra. E lá no meio dos insultos que vamos ouvindo diariamente tentar fazer algo de bom podia vir a ter.
Gosto? Muito. Mas é preciso ter uma grande capacidade de lidar com s frustração.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Eu quero, preciso e tenho de me apaixonar*

Quero um amor. Grande, pequeno ou assim assim, não me interessa. Quero um amor. Alguém com quem possa passear de mãos dados e no ombro de quem possa deitar a acabeça. Alguém que partilhe comigo os seus dias, noites, tristezas, alegrias, experiências. Alguém a quem eu possa fazer um chá de limão, quando a garganta o arranhar. Alguem que queira fazer doce de morango comigo, e me mostre coisas que eu nunca vi e me ensine coisas que eu não sei. Alguém que entre na minha vida sem pedir licença e me faça acreditar que sim, que eu também vou encontrar um amor, que eu também vou ser feliz ao lado de alguém.
Alguém que queira, tal como eu, uma relação simples, mas não simplista, uma relação feita de amor, respeito, confiança, amizade, paixão, amor, sinceridade e carinho. Alguém que não tenha medo de falhar, que perceba que os erros são oportunidades de crescimento, que não tenha medo de criticar e que saiba aceitar críticas, que queira crescer e me faça crescer. Alguém que me abrace sempre que me sentir perdida e queira ter o meu abraço sempre que os dias lhe doerem no peito.
Alguém que me abrace quando chego do trabalho e estou rabujenta, com sono e com fome e só quero dormir e entenda as minhas ausências, o meu telemóvel sempre a tocar com assuntos do trabalho, a minha preocupação constante com os assuntos de trabalho. Alguém que me saiba fazer parar quando é tempo, que tenha paciência para me ouvir, que se interesse pelos meus assuntos.
Alguém que queira partilhar comigo a vida. Que queira mesmo construir algo a dois. E que queira, tanto como eu, sentir amor na sua plenitude.
Quero sorrir sem motivo e ficar com aquele ar lamechas sempre que me lembrar dele, quero ouvir o telemóvel a tocar e ler uma mensagem dele ou ouvir a voz dele a dizer-me apenas "bom dia, meu amor" do outro lado da linha.
Quero olhar para os olhos dele e ver o meu reflexo, quero sentir-me protegida, amada e desejada, quero um abraço forte que não me deixe fugir e me envolva por inteiro.
Quero alguém com quem possa partilhar os meus gostos - cinema, música, viagens, escapadinhas de fim-de-semana em sítios de turismo rural, livros, compras, e tudo o mais que nos apetecer.
Chegou a altura de baixar as barreiras, olhar com olhos de ver e deixar entrar alguém.
Porque eu quero, preciso e tenho mesmo de me apaixonar.

*título descaradamente roubado à Lua Escondida do blogue Já não te sinto em mim, com autoização dada por ela.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O divã da Miss G. #1

Tinha uma vez escrito aqui que, sendo eu psicóloga, e gostando muito de ouvir histórias ds pessoas, queria iniciar uma rúbrica onde as pessoas me escrevessem a expôr situações, sobre as quais eu depois tentatria dar a minha opinião. Claro que nunca seria o mesmo que uma consulta de psicologia, uma vez que neste tipo de situações falta sempre muita coisa, mas seria uma tentativa de um olhar de alguém que tem uma formação em psicologia clínica, sobre uma situação.
E na altura recebi alguns emails. Mas todas as pessoas que me contactaram (não foram muitas) me pediram que não publicasse os textos no blogue. Respondi a todos, mas claro que, com o passar do tempo, a minha ideia foi sendo esquecida e deixei de receber contactos nesse sentido.
Até que há uns dias, por causa de um comentário que deixei no blogue da Poisoned Apple (e aproveito para dizer que tenho a autorização dela para esta rúbrica, uma vez que é parecida com o consultório, e eu não ando aqui a imitar ninguém), recebi um email a pedir a minha opinião. Respondi, perguntei à pessoa se podia publicar, e tendo o consentimento resolvi dar um novo empurraõ a esta rúbrica que quero mesmo implementar. Por isso quem tiver situações sobre as quais gostasse de ler uma opinião é só enviar um email para vidadeumagaija@gmail.com (a publicação no blogue não é obrigatória, mas é esse um dos objectivos, uma vez que a partilha de situações é boa). Aqui vai então a situação e a minha resposta.

Bom dia!!

Tudo bem consigo?!

Tomei a liberdade de lhe mandar um email, sou uma leitora assídua do blog “A Maça de Eva” e encontrei um comentário seu ao post “Consultório #85” e algo me chamou atenção ao seu comentário, não sei a razão, mas algo forte me fez mandar este email, desde já peço imensa desculpa pela minha ousadia.
Através desse comentário fiquei com a sensação que gosta de conversar e principalmente de dar conselhos e por esse motivo estou aqui a entrar em contacto consigo.

Nestes últimos tempos, mas precisamente 4 meses, conheci um rapaz e ando cheia de dúvidas e sobretudo ando a procura de respostas ou simplesmente de conselhos que me possam acalmar.Vou contar um pouco desta história e se não for pedir muito gostava de receber uma resposta, uma opinião sua.

Ando eu aqui com muita conversa mas ainda não me apresentei, sou a L. tenho 24 anos. =) Em Julho mais precisamente na festa de S. Pedro conheci um rapaz, e a conta disso tive uma sensação nunca antes sentida, por ser tão forte. Estava eu mais as minhas irmãs a nos dirigirmos até a capela quando alguém toca na minha irmã e a cumprimenta, era o tal rapaz, eles se conhecem porque ele frequenta o café onde a minha irmã trabalha. Minha irmã apresentou-nos e ficamos durante algum tempo a falar, eu fiquei fascinada com a forma dele falar, com a forma dele ser, com a forma dele. =) Não sei o que me aconteceu, senti algo muito forte, não digo que seja amor, pois não acredito em amor a primeira vista, mas acredito que uma energia estava a tomar conta de mim, isto nunca me tinha acontecido antes, por isso nem sei como descrever tal sensação.

A partir desse momento comecei a ser cliente habitual no café onde a minha irmã trabalha e a conta da minha atitude comecei a conhecer o rapaz. Eu as vezes considero-me um pouco “parva”, no bom sentido hehe, pois sou muito romântica e gostava de viver um conto de fadas, embora tal ainda não se proporcionou, talvez porque os contos de fadas não existam e assim ando a procura da história perfeita, da pessoa perfeita e isso não existe.

Bem, pensava eu… Sou um pouco como aquelas miúdas que têm a mania de fazer listas para encontrar o rapaz ideal, e vim encontra por acaso numa festa.Sei que neste momento de encanto não vemos defeito algum, mas com o passar do tempo tenho vindo a me fascinar cada dia mais com ele. Já me apaixonei antes e tal não acontecia, pois tinha consciência que eles tinham características menos boas.

Desde Setembro temos trocado mensagens todos os dias, temos saído juntos, temos nos aproximado tanto, mas tanto. Só que existe uns pequenos problemas, eu sou muito tímida nesta area e já notei que ele também o é, e acho que isso vai dificultar um pouco as coisas. Outro problema é que em Outubro foi diagnosticado a mãe dele cancro da mama e ela a semana passada começou em quimioterapia, é normal que neste momento a última coisa que ele queira pensar é em namoro ou algo do género, por exemplo esta semana ele está um pouco distante, não estou com intenções de apressar as coisas, não é a minha ideia, só que tenho receio de estar ao lado dele nesta caminhada e ele no final só me ver como amiga.

Eu me apego demasiado as pessoas, como já disse anteriormente sou uma romântica sem cura… hehe… E tenho medo de estar a idealizar algo com ele que não exista e estar a deixar passar uma oportunidade, simplesmente por estar distraída.Queria uma opinião de alguém de fora e por esse motivo estou a lhe escrever. Será que me pode ajudar?! Não sei o que está a pensar de mim, mas acredito muito em energias e destinos e se estou em contacto consigo isso deve ter alguma razão de ser, pois não é por acaso que as pessoas surgem na nossa vida, acredito que seremos umas grandes amigas "virtuais"... =)

Muito Obrigada pela sua compreensão e pela sua disponibilidade.

Beijinhos, L.

Olá L.,

Antes de mais, gostava de lhe perguntar se me permite que publique o seu email no meu blogue, claro que sem colocar nomes nem nada que a identifique. Uma vez falei que queria ter uma rúbrica no meu blogue que era muito ao género do Consultório, d'A Maçã de Eva, mas com uma perspectiva um bocadinho mais psicológica, e ninguém aderiu. Ainda tive dois ou três pedidos mas como nenhum me deixou publicar acabou por não ser possível.

Falando em concreto daquilo que me contou: o rapaz de quem me falou está a passar por uma fase complicada. E posso dizer-lhe que sei o quão complicada é porque passei pelo mesmo com a minha mãe. Mas não sei se isso seria impedimento para que ele lhe dissesse que gosta de si. É verdade que tem menos tempo e menos disponibilidade mental, mas também é verdade que tem muito mais necessidade de carinho e de alguém com quem falar e com quem estar, com quem se sinta bem, que aceite a presença incerta dele, que aceite o eventual mau humor e tristeza que ele sente.

O que é que eu lhe quero dizer com isto? Que não se afaste dele mas que também não pressione. Que tenha noção que esta é uma altura delicada mas uma altura em que ele precisa de todo o carinho que lhe possa dar. Que não deixe passar o momento por achar que ele tem mais em que pensar. Tem. Claro que tem. Mas também tem direito de sentir alguma felicidade, de perceber que tem quem goste dele e esteja lá para ele. Posso dizer-lhe que ainda hoje penso numa determinada situação da minha vida onde tive medo de falar.

O que é que pode perder? Uma boa oportunidade de ser feliz. E isso nós nunca devemos perder.

Por isso esteja com ele, prepare programas que não sejam muito longos e não o obriguem a estar longe de mãe, esteja presente e pergunte mas não seja chata (não pergunte sempre todos os dias a mesma coisa), mostre-lhe que gosta dele e que quer estar com ele.

Quanto ao que estou a pensar de si: ainda bem que me escreveu e desculpa só responder agora. Estou aqui sempre para a ler. Por isso quando quiser escreva.

Espero ter ajudado.

Beijinhos

Entretanto, a L. respondeu-me a disse-me que o rapaz em questão a tinha pedido em namoro, e que tinha feito tudo da forma a que L. desejava. E eu fico muito contente que isso tenha acontecido. Espero que sejam muito felizes juntos.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Perguntinha

Alguma das minhas leitoras sabe que laser é que é melhor? Alexandrite ou diodo? Obrigada.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Abrir o coração*

Aqueles que me lêem há mais tempo sabem que sou licenciada há uns aninhos. Provavelmente também sabem que dou explicações há mais de 10 anos. Comecei a dá-las no segundo ano de licenciatura e ainda hoje as dou e vou continuar a dar. Talvez ainda saibam que já tive o meu próprio projecto, que criei pouco depois de sair da faculdade, num misto de coragem, capacidade de iniciativa e falta de experiência que fizeram com que o projecto falhasse um tempo depois.
Entre todas estas coisas e tal como já aqui escrevi fui tendo imensos trabalhos. A sua grande maioria precários. Mas isso também já todos vocês sabem.
O que talvez não saibam é que, a dada altura, comecei a por tudo em causa. Teria tirado o curso certo? Quereria eu mesmo continuar na psicologia? Devia mudar para o ensino? Afinal, o primeiro curso onde entrei foi Estudos Portugueses, desde novinha que dava explicações, gostava de o fazer e a psicologia não me parecia viável. Pensei, pensei e pensei muito. Tanto que algumas vezes me senti desesperada. Perdida. Parecia que já nem eu própria sabia o que queria. Ponderei medicina por ter percebido, depois de tanto tempo às voltas com a minha mãe no Hospital, que era uma coisa de que gostava muito. E no meio de todas estas minhas dúvidas havia sempre quem quisesse dar palpites. Não o levo a mal, sei que eram manifestações de amizade, mas ajudou para eu ficar ainda mais baralhada, desesperada, perdida.
Até que aos poucos comecei a perceber. Não, não era preciso mudar de área, nem sequer tirar outro curso. Sim, a psicologia fazia ainda muito sentido para mim, tal como o ensino também. Fui percebendo que o que me motivava verdadeiramente era juntar as coisas. Percebi que tinha que trabalhar na área da psicologia mas numa vertente mais "educativa".
E foi quando percebi isso que parece que universo me ouviu. E surgiu a oportunidade que hoje abraço. Sem deixar as explicações e sessões de psicologia individual, começo hoje um desafio numa instituição na qual muito acredito, e onde sei que está o meu futuro, com uma população que sempre desejei, a fazer uma coisa que sei que vou gostar muito.
O primeiro dia é hoje.
Por isso desejem-me muita sorte.

Nora*: o título deste texto é de alguma forma baseado no texto da Muxy-muxy do blogue Paracuca Ginguba.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Motivações

Tenho um blogue porque gosto de escrever. Tenho um blogue porque gosto de ler, gosto de conhecer as ideias dos outros, gosto de perceber as formas de ser e de pensar e de estar das outras pessoas. Tenho um blogue porque uma das coisas de que mais gosto é de partilhar: sentimentos, acontecimentos, ideias.
Daquilo que entendo estes são motivos válidos para termos um blogue. Claro que outros tantos haverá. Sou tolerante às ideias dos outros como escrevi no texto anterior.
Mas o que não entendo é fazermos da blogosfera um sítio onde apenas vimos para criticar os outros. E para sorrateiramente dar espetadinhas a outras pessoas que cá também cá estão. Até percebo que as vezes precisemos de descarregar frustrações. Mas nesses casos aconselho o ginásio. Aconselho um bom filme, livro ou série. Aconselho um concerto onde se grite até a voz falhar. Aconselho um passeio à beira-mar. Aconselho estar simplesmente em silêncio. Aconselho pensar naquilo que nos faz ficar agitados. Mas dizer mal dos outros, criar polémicas desnecessárias, espicaçar as pessoas não é denitivamente a forma de relaxarmos.
Não faz bem.
E não é nada bonito.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Sobre a tolerância

Ontem, a propósito de um inquérito a que tive de responder, dei comigo a pensar nas minhas características pessoais. Pensei quais os eram os traços que melhor me caracterizavam. E desses quais é que me distinguiam das outras pessoas.
Porque dizer que sou "simpática, "inteligente" e "boa pessoa" é dizer mais do mesmo. Não quer dizer que eu não seja essas coisas. Sou. Mas essas não me distinguem. Tal como a tendência para ser insegura e teimosa e impulsiva também não. Porque são características muito comuns. E que muitas pessoas utilizam para se descrever.
Então o que é que me distingue? Sou e tento ser cada vez mais uma pessoa tolerante. (É engraçado que o tema do meu trabalho de "Área Escola" no 7º/8º/9º ano foi a tolerância. E que sempre partilhei escolas com pessoas de outras raças. Não sei se esses dois factores foram os principais "culpados" mas tenho a certeza que me influenciaram). É sem dúvida uma das minhas qualidades. E além da tolerância valorizo muito o direito à diferença. O respeito pelas diferenças individuais.
Todos somos diferentes. Todos temos o direito de ser diferentes. E a forma de ser, pensar, estar de ninguém é melhor do que a ninguém.
E talvez seja por isto que eu tento não julgar as pessoas. E sobretudo não julgar as suas escolhas. E não sobrevalorizar as minhas. Claro que não sou perfeita. E claro que de vez em quando também critico as pessoas. Porque sou humana. Mas tento só criticar as pessoas que fazem algo que interfere comigo. Porque aí eu posso dizer que me estão a afectar. Agora criticar ideiais? Posturas? Formas de ser? Coisas que não me dizem o mínimo respeito? Mas com base em quê? Achando que a minha postura é melhor? E quem é que disse? A minha pode ser "mais bem vista". Mas por isso é que é melhor? Não. Até pode estar mais adaptada à sociedade em que vivemos. Mas nem por isso é necessariamente a melhor. Porque da ruptura, do conflito e da divergência nasce a evolução.
Sermos tolerantes significa aceitar que todos somos diferentes. E que todos temos o direito de o ser. Que ninguém é melhor do que ninguém. Que todos temos uma história pessoal, relações e contextos que definem aquilo que somos, pensamos e fazemos. Que devemos aceitar as diferenças individuais e se possível ainda aprender com essas diferenças.
E com isto tudo acho que acabei também por fazer a apologia da humildade. Não somos melhores que ninguém. Mesmo que numa determinada altura da vida estejamos numa posição mais favorável. E temos que ter noção disso. Todos somos importantes. E não sabemos em que posição vamos estar no dia seguinte.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Não tenho paciência para pessoas que acham que a sua postura perante a vida é a melhor. Que o caminho que trilharam até agora é o único que deve ser trilhado. E que como consequência tentam evangelizar tudo e todos.
Claro que depois criticam todos aqueles que têm uma postura oposta.
Mas quem é que disse que lá porque o nosso caminho resultou connosco tem de resultar com os outros?

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Sobre o vídeo da Sábado e a ignorância dos univesitários

Tenho poucas palavras a dizer sobre o assunto, mas, depois de tudo que o tenho lido não consigo, mesmo, não as dizer.

O vídeo é absurdamente tendencioso? É. É um exemplo mau jornalismo? É. Existe ali uma imensa falta de ética profissional, com um claro apelo à rotulação de todos os jovens como burros? Existe. E além disso o vídeo é sensasionalista, não é representativo nem das pessoas entrevistas, nem da classe dos jovens universitários, nem sequer da classe dos jovens e até tem erros.

Mas, ainda com todas essas coisas negativas, não deixa de ser triste que existam pessoas que não só são ignorantes como se riem da própria ignorância, que estas pessoas sejam estudantes universitários e que tenham sempre desculpas prontas na ponta da língua para justificar o não saber. Claro que ser estudante universitário não garante conhecimento. Mas deveria garantir interesse por saber. Curiosidade. E até humildade. É óbvio que ninguém sabe tudo e que todos temos falhas. Mas há mínimos. E há coisas básicas que todos devíamos saber. Mas, sobretudo, a nossa ignorância devia fazer-nos querer saber mais e não fazer-nos rir.

Não é com palmadinhas nas costas que lá vamos. Não é a afirmar que a grande parte dos alunos pertence à primeira geração de universitários da família. Não é a dizer que a culpa é do sistema de ensino. A culpa é sempre do próprio indivíduo, que não lê, não quer aprender, não se interessa.

O resto são apenas desculpas.

domingo, 20 de novembro de 2011

Quiches mais saudáveis

Ontem experimentei pela primeira vez fazer umas quiches "saudáveis" para o almoço. Gosto muito de quiches mas todos sabemos que, por mais que as comamos apenas com salada, são bombas calóricas. Claro que comidas apenas de quando em vez não tem mal, mas se mesmo assim conseguirmos torná-las mais saudáveis, melhor. Sobretudo quando estamos de dieta. Foi neste blogue, desta fantástica cozinheira, que me inspirei. E aqui fica a receita com o respectivo valor nutricional.

Massa
1 dl de água (0 calorias)
1 casca de limão (0 calorias)
sal (0 calorias)
50 g de margarina (300 calorias)
300 g de farinha (1000 calorias)

Recheio
50 grs. de fiambre de perú (65 calorias)
6 espargos verdes previamente cozidos (30 calorias)
1 lata de cogumelos laminados (30 calorias)
200 ml. de leite (90 calorias)
3 ovos (195 calorias)

1 colher de sopa de azeite (90 calorias)

Indicações
Ferver a água com sal e uma casca de limão, juntar a margarina e deixar derreter. Verter sobre a farinha que deve estar numa taça e misturar com uma colher de pau. Deixar repousar enquanto se prepara o recheio.
Colocar um dente de alho numa frigideira com uma colher de azeite. Saltear os cogumelos. Juntar o fiambre e os espargos cozidos e cortados em pedaços pequenos. Temperar com sal e pimenta.
Misturar o leite com os ovos e temperar com sal e pimenta.
Esticar a massa, preencher formas pequenas, colocar o recheio e cobrir com a mistura de ovos e leite. Levar ao forno por 20/25 minutos. Comer.


Fiz 10 quiches, o que significa que cada uma tem à volta de
137 calorias. Mas sobrou massa (por isso podia ter feito mais se tivesse posto menos recheio e não estivesse com pressa). E é por isso que ao total das calorias da massa que está ali acima retirei um terço. Claro que mesmo assim é bastante mas nem quero imaginar as originais. E estas ficam bastante saborosas.

sábado, 19 de novembro de 2011

Mas como é que é possível que eu tivesse 3 comentários por moderar e não os tivesse recebido no email?

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Sobre os genéricos

Uma vez escrevi aqui que sou a favor dos medicamentos genéricos.
Escrevi na altura que os genéricos são iguais aos medicamentos de marca, que tenho pena que ainda exista uma grande ignorância nesta área no nosso país e sobretudo que me custa que esta ignorância seja alimentada por médicos e farmacêuticas.
Mantenho hoje as mesmas opiniões que tinha na altura relativamente a este assunto.
E, sendo a favor dos medicamentos genéricos, sou, obviamente, a favor da prescrição por denominação comum internacional (DCI), não me fazendo aliás sentido que seja de outra forma, uma vez que o que trata o doente não é o nome do medicamento de marca, mas sim o princípio activo, que é o mesmo que dizer DCI.
Mas não é só por ser a favor dos genéricos que sou a favor da prescrição por DCI.
É por uma multiplicidade de factores. Por achar que ordem dos médicos tem demasiados interesses nas farmacêuticas que produzem medicamentos de marca. Por, apesar de ter imenso respeito pela classe dos médicos e de os admirar, sentir que os médicos ocupam um lugar endeusado na nossa sociedade como se fosse mais do que as outras classes, por achar que devemos defender o interesse dos doentes, daqueles que têm menos recursos e acesso a informação.
Claro que isto nos pode levar por uma discussão sem fim.
Mas acho que devemos saber sobretudo que existe um organismo chamado INFARMED (o 5º instituto mais reputado da Europa no que diz respeito a licenciamento de medicamentos), que testa e assegura não só a segurança como a equivalência dos medicamentos genéricos face ao medicamento de marca, e que isso deveria ser suficiente para percebermos que a prescrição deve ser feita por DCI.
A designação feita por DCI é seguida na maioria dos países europeus. E na maioria dos países mais evoluídos do mundo.
E a propósito disto estive a ver ontem o programa "Prós e Contras", que é exactamente sobre este assunto, e que surgiu a propósito da lei que obriga os médicos a prescrever por DCI, que vai entrar em vigor em Janeiro, e perante a qual os médicos sugeriram entregar um folheto aos pacientes a sugerir-lhes que eles não aceitem os genéricos.
Penso que isto é inaceitável. Que é aproveitamento da ignorância que existe. Que é uma pena que estas coisas aconteçam por causa de interesses económicos, quando o que deveria interessar acima de tudo o resto era o melhor interesse do doente, sobretudo quando nos hospitais os medicamentos são utilizados por DCI.
E se os médicos nos hospitais utilizam medicamentos por DCI então porque é que nas farmácias não pode acontecer o mesmo? Porque é que os utentes não podem beneficiar do custo mais baixo dos genéricos? Por acaso os laboratórios que produzem para hospitais são diferentes dos que produzem para as farmácias?
Tendo a acompanhado o programa foi sobretudo engraçado ver os argumentos utilizados:
então o bastonário da ordem dos médicos assume que os genéricos são bioequivalentes (significa que têm a mesma biodiponibilidade: mesma quantidade ou quantidade equivalente de princípio activo) aos medicamentos de marca e depois afirma que não são bioequivalentes entre si? Então mas se todos os genéricos são bioequivalentes ao medicamento de marca cmo é possível depois não serem bioequivalentes entre si? Não consigo entender.
Assusta-me esta posição do bastonário da ordem dos médicos num país onde ainda existe tanta ignorância, tantas pessoas com escasso acesso à informação e ainda menos capacidade de a perceber, e sobretudo num país onde o "senhor doutor" ainda é visto como aquele que é superior a todos os outros.

MAS, com todas as questões que foram levantadas (e eu ainda tenho o resto do programa para ver) confesso que fico com um bocadinho de dúvidas e já não sei bem o que pensar.

P.S.: atenção que apesar de eu ser a favor de genéricos, sou acima de todas as coisas, a favor da qualidade. E este texto é essencialmente um texto cheio de dúvidas. Não tenho qualquer certeza sobre o assunto neste momento.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Preciso de um casaco de malha fininho preto e de outro azul escuro com decote em v e botões à frente. Alguém sabe onde os posso encontrar? Quero malha fininha, mas com elasticidade (não gosto de casos que ficam todos esbambeados ao fim de um dia de uso), e que seja assim baratinho. Uma coisa simples mas com alguma qualidade.