A auto-estima é uma das características do ser humano de que mais se fala e no entanto é talvez aquela que menos pessoas possuem na medida certa.
E o que é a auto-estima?
É um conceito que se refere ao sentimento que o ser humano tem por si próprio. É aqui que entra o amor próprio, o egoísmo, a noção dos nossos deveres e direitos e muitas outras coisas que não interessa aprofundar.
Muitas pessoas têm uma enorme falta de auto-estima. E dizem-no sem qualquer tipo de problema. Como se fosse uma qualidade. Como se ter pouca auto-estima fizesse com que os outros gostassem mais de nós. Como se fosse algo que os torna superiores aos outros, sendo o oposto daquelas pessoas que se acham os melhores do mundo.
Mas este raciocínio está profundamente errado. A falta de auto-estima não só é uma qualidade mas sim um problema psicológico como também não torna quem a tem superior a ninguém. Torna-o isso sim, mais infeliz e com uma incapacidade maior do que outra pessoa em criar empatia, em gostar dos outros e em ter relações, quer amorosas, de amizade ou profissionais saudáveis. Porque ninguém dá o que não tem. E quando alguém não gosta de si muito dificilmente saberá gostar dos outros de forma equilibrada.
A falta de auto-estima faz com que as pessoas tenham comportamentos profundamente desiquilibrados em relação aos outros e a si próprios. Faz com que as pessoas façam coisas extremamente prejudiciais em relação a elas próprias, coisas que essas mesmas pessoas não permitiam que outros lhes fizessem e que provavelmente considerariam ofensas. No entanto são elas que fazem essas coisas a elas próprioas.
Durante muito tempo pensei que a falta de auto-estima fosse um dos menores problemas psicológicos mas hoje vejo que não só não é dos menores como está na base de muitos outros problemas.
As pessoas com baixa auto-estima são pessoas que têm uma absoluta necessidade de se sentirem gostadas pelos outros e que devido a essa necessidade se tornam extremamente manipuladoras muitas vezes sem o perceberem. São pessoas que muitas vezes até gostam daquilo que são mas não têm coragem de o demonstrar aos outros, de se afirmar, de impôr as suas vontades, opiniões e sentimentos. São pessoas que não se sentem valorizadas pelos outros. E por isto sentem-se injustiçadas. e acham que um dia serão ricos e famosos e aí será finalmente feita justiça e elas serão invejadas por todos os outros que até aí as desprezaram. Mas tudo isto não passam de delírios. Porque, na maior parte das vezes, quem não se valoriza é o próprio. E claro que isso faz com que os outros também não o façam.
Mas as pessoas com fraca auto-estima não percebem isto tal como não percebem que na maior parte das vezes são os comportamentos que têm que fazem com que os outros se afastem porque não olham para os seus próprios comportamentos.
Porque, apesar de parecer um contracenso, estão tão cheias de si próprias, tão presas à sua auto-construída infelicidade, tão entretidas a sentirem-se vítimas com tudo o que os outros (não) fazem que não olham para si, nem, para os outros, nem para a realidade à sua volta.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
domingo, 16 de agosto de 2009
Pergunta #4
Quando um homem gosta mesmo de uma mulher, há alguma coisa que o impeça de ficar com ela? Será que os homens têm medo de gostar muito de alguém e de ficar presos? Será que têm realmente medo de mulheres independentes? Será que há problemas, alturas na vida ou circunstâncias que fazem com quem se afastem de alguém de quem realmente gostam? Ou isto são tudo tretas, desculpas e justificações que nós inventamos para não termos de assumir que, afinal, eles não estão assim, tão interessados.
(Neste "Pergunta" gostava de ter a participação dos meninos que leêm este blogue. Claro que a opinião das meninas é também e sempre muito bem-vinda)
P.S.: "Pergunta" é uma das rubricas do "A Vida de Uma gaija" que têm por objectivo incentivar a vossa participação e os vossos comentários, por forma a estimular debate/discussão e aprendermos algo uns com os outros.
(Neste "Pergunta" gostava de ter a participação dos meninos que leêm este blogue. Claro que a opinião das meninas é também e sempre muito bem-vinda)
P.S.: "Pergunta" é uma das rubricas do "A Vida de Uma gaija" que têm por objectivo incentivar a vossa participação e os vossos comentários, por forma a estimular debate/discussão e aprendermos algo uns com os outros.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
A solidão e o amor no séc. XXI
Tenho lido aí pela blogosfera textos de mulheres que sendo inteligentes, independentes, interessantes, cultas, bonitas têm a sensação que não vão encontrar alguém com quem partilhar a vida.
Não que isto seja um drama, que não é, é possível ser feliz sozinha, as mulheres do século XXI não precisam de homens para nada e bla bla bla. Claro que sim. Tudo isto é verdade.
Mas, pelo menos na minha opinião, a vida torna-se muito mais interessante quando temos alguém com quem a partilhar.
Existe a família, que é e será sempre o nosso grande suporte, os que nos vão amar incondicionalmente. Existem os amigos, com quem passamos bons momentos, que nos criticam quando é preciso e que nos elogiam quando é caso disso.
Mas é diferente o amor da família e dos amigos do amor de uma pessoa com quem pensamos poder construir um projecto para a vida.
E talvez o séc. XXI, além da independência, que é positiva, tenha trazido também um certo isolamento. Pelo menos em mulheres que estudaram mais, que têm empregos mais bem pagos, que têm uma vida independente sem para isso precisarem de se juntar a alguém.
Talvez porque estas mulheres se habituam a um certo estilo de vida do qual não estão dispostas a abdicar. Talvez porque enquanto sozinhas podem fazer tudo aquilo que lhes apetece. Talvez porque estão mais exigentes e não aceitam qualquer coisa. E ainda bem. Porque as razões para se estar com alguém devem apenas afectivas e nunca por interesse. Mas, por outro lado, penso que a exigência tem de ter limites. O amor é, também, feito de cedências. E, se há homens que são uns verdadeiros trastes e não interessam a ninguém, outros há que valem a pena. Há é que dar tempo ao tempo. Tempo para conhecer. Tempo para gostar. Tempo para perceber se vale ou não a pena. Não se pode desistir à primeira. Não se pode pensar que, por não ter uma determinada qualidade, já não é a pessoa certa para nós. Porque, tal como aquele que parecia tão certo, afinal não é, o outro que à partida até não tinha tudo o que (pensávamos que) queriámos pode ser afinal a pessoa ideal. Só com muita convivência é que realmente conhecemos as pessoas. E só com o conhecimento é que a atracção, o interesse e o gostar podem passar a amor.
Estar sozinha entre aos 25, aos 30, aos 35 é muito diferente de estar sozinha aos 50, 60, 70. Porque até uma determinada altura tudo é fácil sozinha, tudo é novo, tudo é possível. Mas "a eternidade é comprida, sobretudo no fim" e acredito que a solidão também.
Acredito que a partir de uma determinada altura sente-se ainda mais a necessidade de ter alguém ao lado. Alguém que nos ame, que nos ouça, que esteja connosco.
Pelo menos na minha opinião.
Porque, apesar de estar sozinha hoje, espero encontrar alguém com quem partilhar a vida. Com quem fazer projectos faça sentido. Com quem eu queira viver.
Sim, sei ser feliz sozinha. E até sou da opinião quem quem não é feliz sozinho não é feliz com alguém porque não sabe estar consigo. E é essencial saber estar consigo para saber verdadeiramente estar com os outros.
Mas acho que o amor, paixão, a partilha, dão muito mais cor à vida. E sei que se não encontrar alguém com quem possa construir um projecto de vida não serei tão feliz como se encontrar. Porque tudo é tão mais bonito quando temos alguém com quem o partilhar, alguém que está lá para nós quando chegamos camsadas a casa no fim-de-semana, alguém com quem faz tanto sentido pensar no fim-de-semana romântico, alguém com quem podemos realmente ser nós.
Não que isto seja um drama, que não é, é possível ser feliz sozinha, as mulheres do século XXI não precisam de homens para nada e bla bla bla. Claro que sim. Tudo isto é verdade.
Mas, pelo menos na minha opinião, a vida torna-se muito mais interessante quando temos alguém com quem a partilhar.
Existe a família, que é e será sempre o nosso grande suporte, os que nos vão amar incondicionalmente. Existem os amigos, com quem passamos bons momentos, que nos criticam quando é preciso e que nos elogiam quando é caso disso.
Mas é diferente o amor da família e dos amigos do amor de uma pessoa com quem pensamos poder construir um projecto para a vida.
E talvez o séc. XXI, além da independência, que é positiva, tenha trazido também um certo isolamento. Pelo menos em mulheres que estudaram mais, que têm empregos mais bem pagos, que têm uma vida independente sem para isso precisarem de se juntar a alguém.
Talvez porque estas mulheres se habituam a um certo estilo de vida do qual não estão dispostas a abdicar. Talvez porque enquanto sozinhas podem fazer tudo aquilo que lhes apetece. Talvez porque estão mais exigentes e não aceitam qualquer coisa. E ainda bem. Porque as razões para se estar com alguém devem apenas afectivas e nunca por interesse. Mas, por outro lado, penso que a exigência tem de ter limites. O amor é, também, feito de cedências. E, se há homens que são uns verdadeiros trastes e não interessam a ninguém, outros há que valem a pena. Há é que dar tempo ao tempo. Tempo para conhecer. Tempo para gostar. Tempo para perceber se vale ou não a pena. Não se pode desistir à primeira. Não se pode pensar que, por não ter uma determinada qualidade, já não é a pessoa certa para nós. Porque, tal como aquele que parecia tão certo, afinal não é, o outro que à partida até não tinha tudo o que (pensávamos que) queriámos pode ser afinal a pessoa ideal. Só com muita convivência é que realmente conhecemos as pessoas. E só com o conhecimento é que a atracção, o interesse e o gostar podem passar a amor.
Estar sozinha entre aos 25, aos 30, aos 35 é muito diferente de estar sozinha aos 50, 60, 70. Porque até uma determinada altura tudo é fácil sozinha, tudo é novo, tudo é possível. Mas "a eternidade é comprida, sobretudo no fim" e acredito que a solidão também.
Acredito que a partir de uma determinada altura sente-se ainda mais a necessidade de ter alguém ao lado. Alguém que nos ame, que nos ouça, que esteja connosco.
Pelo menos na minha opinião.
Porque, apesar de estar sozinha hoje, espero encontrar alguém com quem partilhar a vida. Com quem fazer projectos faça sentido. Com quem eu queira viver.
Sim, sei ser feliz sozinha. E até sou da opinião quem quem não é feliz sozinho não é feliz com alguém porque não sabe estar consigo. E é essencial saber estar consigo para saber verdadeiramente estar com os outros.
Mas acho que o amor, paixão, a partilha, dão muito mais cor à vida. E sei que se não encontrar alguém com quem possa construir um projecto de vida não serei tão feliz como se encontrar. Porque tudo é tão mais bonito quando temos alguém com quem o partilhar, alguém que está lá para nós quando chegamos camsadas a casa no fim-de-semana, alguém com quem faz tanto sentido pensar no fim-de-semana romântico, alguém com quem podemos realmente ser nós.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Pergunta #3
Será que (como muitas vezes ouvimos por aí) os outros têm a capacidade de nos fazer de parvos, de nos tomar por burros ou de nos tomarem por estúpidos ou, no fundo, isso não passa de uma grande insegurança nossa? Será que isto não é antes uma fantasia nossa que deriva de uma baixa auto-estima? Será que quando nos mentem e nos enganam as pessoas realmente o fazem para nos prejudicar?
P.S.: "Pergunta" é uma das rubricas do "A Vida de Uma gaija" que têm por objectivo incentivar a vossa participação e os vossos comentários, por forma a estimular debate/discussão e aprendermos algo uns com os outros.
P.S.: "Pergunta" é uma das rubricas do "A Vida de Uma gaija" que têm por objectivo incentivar a vossa participação e os vossos comentários, por forma a estimular debate/discussão e aprendermos algo uns com os outros.
J.
Sem que eu o esperasse, uma amiga decidiu adicionar-te à minha lista de messenger.
"Olha, tenho aqui um amigo com que acho que vais gostar de falar. Está em psicologia como tu. vou adicioná-lo à tua lista".
Deixei que acontecesse sem ligar muito ao assunto.
Não me lembro exactamente como começámos a falar, se a iniciativa partiu de mim ou de ti, mas sei que acabámos por criar uma empatia. Contei-me muitas coisas da minha vida, contaste-me muitas da tua. Sei que gostava de falar contigo, mas, a fotografia que me aparecia no quadradinho do messenger denunciava-te como convencido.
Por isso resisti e resisti a conhecer-te. Cada vez que, depois de ir aí acima, te dizia que tinha estado, dizias sempre que te podia ter dito alguma coisa para tomarmos um café. Mas as minhas inseguranças não deixavam.
Até ao dia.
Quando a P. me disse "ele está ali" eu estava sem óculos e por isso via mal ao longe. De qualquer forma pareceu-me que a pessoa a quem ela se referia era, digamos, muito mas muito mais interessante do que eu poderia ter pensado.
Não sei exactamente todos os contornos da nossa história. Se é que se pode chamar assim. Sei que, apesar da distância, houve momentos de proximidade.
Sei que fugi, dei patadas a torto e a direito, cobrei aquilo que não tinha direito.
Sei que houve momentos de muita proximidade, outros de amizade, outros de enorme afastamento.
Sei que nunca te cheguei a amar mas sei também que nunca conheci ninguém que reunisse tantas das coisas que sempre quis encontrar em alguém e que ao mesmo tempo me atraísse como tu me atraías.
Foste a primeira pessoa que me fez achar que talvez fizesse sentido fazer planos a longo prazo, a primeira pessoa ao lado de quem me consegui imaginar para além do presente, a primeira pessoa que me fez pensar que mudar a minha vida por alguém talvez até fizesse sentido.
Agora nada disto faz sentido. É até raro olhar para trás. Assumo que não tinha de ser. Ou que as circunstâncias que existiam fizeram com que não tivesse de ser. Que não eras a pessoa ideal, que um conjunto de andorinhas não faz a Primavera, que te faltava um petit rien que não sei explicar. E nem sequer penso muito nisso.
Mas hoje quando ouvi uma voz parecida com a tua por momentos questionei tudo.
Por momentos pensei que gostava de saber o que é que realmente houve que me escapou.
Será que realmente sentiste algo por mim como a maioria das pessoas me dizia na altura?
E se assim foi porque é que as coisas nunca evoluíram?
"Olha, tenho aqui um amigo com que acho que vais gostar de falar. Está em psicologia como tu. vou adicioná-lo à tua lista".
Deixei que acontecesse sem ligar muito ao assunto.
Não me lembro exactamente como começámos a falar, se a iniciativa partiu de mim ou de ti, mas sei que acabámos por criar uma empatia. Contei-me muitas coisas da minha vida, contaste-me muitas da tua. Sei que gostava de falar contigo, mas, a fotografia que me aparecia no quadradinho do messenger denunciava-te como convencido.
Por isso resisti e resisti a conhecer-te. Cada vez que, depois de ir aí acima, te dizia que tinha estado, dizias sempre que te podia ter dito alguma coisa para tomarmos um café. Mas as minhas inseguranças não deixavam.
Até ao dia.
Quando a P. me disse "ele está ali" eu estava sem óculos e por isso via mal ao longe. De qualquer forma pareceu-me que a pessoa a quem ela se referia era, digamos, muito mas muito mais interessante do que eu poderia ter pensado.
Não sei exactamente todos os contornos da nossa história. Se é que se pode chamar assim. Sei que, apesar da distância, houve momentos de proximidade.
Sei que fugi, dei patadas a torto e a direito, cobrei aquilo que não tinha direito.
Sei que houve momentos de muita proximidade, outros de amizade, outros de enorme afastamento.
Sei que nunca te cheguei a amar mas sei também que nunca conheci ninguém que reunisse tantas das coisas que sempre quis encontrar em alguém e que ao mesmo tempo me atraísse como tu me atraías.
Foste a primeira pessoa que me fez achar que talvez fizesse sentido fazer planos a longo prazo, a primeira pessoa ao lado de quem me consegui imaginar para além do presente, a primeira pessoa que me fez pensar que mudar a minha vida por alguém talvez até fizesse sentido.
Agora nada disto faz sentido. É até raro olhar para trás. Assumo que não tinha de ser. Ou que as circunstâncias que existiam fizeram com que não tivesse de ser. Que não eras a pessoa ideal, que um conjunto de andorinhas não faz a Primavera, que te faltava um petit rien que não sei explicar. E nem sequer penso muito nisso.
Mas hoje quando ouvi uma voz parecida com a tua por momentos questionei tudo.
Por momentos pensei que gostava de saber o que é que realmente houve que me escapou.
Será que realmente sentiste algo por mim como a maioria das pessoas me dizia na altura?
E se assim foi porque é que as coisas nunca evoluíram?
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Será que conseguem?
Sei que esta situação já não é nova e provavelmente muitos de vocês já a conhecem.Eu própria lembro-me de já a ter lido, mas não me consigo lembrar como se resolve.
Será que algum de vocês me consegue ajudar a perceber onde foi então parar a moeda de 1€ que falta?
Eu, tu e ele fomos comer ao restaurante e no final a conta deu 30,00 EUR. Fizemos o seguinte: Cada um deu dez Euros...
Eu: 10,00 EUR Tu: 10,00 EUR Ele: 10,00 EUR
O empregado levou o dinheiro até à caixa e o dono do Restaurante disse:
- Esses três são clientes antigos do restaurante, então vou devolver-lhes 5,00 EUR e entregou ao empregado cinco moedas de 1,00 EUR.
O empregado, muito esperto, fez o seguinte: ficou com 2,00 EUR para ele e deu 1,00 EUR a cada um de nós.
No final ficou assim:
Eu: 10,00 EUR (-1,00 EUR que foi devolvido) = eu gastei 9,00 EUR.
Tu: 10,00 EUR (-1,00 EUR que foi devolvido) = tu gastaste 9,00 EUR.
Ele: 10,00 EUR (-1,00 EUR que foi devolvido) = ele gastou 9,00 EUR.
Então, se cada um de nós gastou 9,00 EUR, o que nós três gastamos juntos, foi 27,00 EUR. E se o empregado guardou 2,00 EUR para ele, temos:
Nós: 27,00 EUR, Empregado: 2,00 EUR, Total: 29,00 EUR
Pergunta-se: onde foi parar a outra moeda de 1,00 EUR?
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
"Diz-me que não"
A capacidade de dizer que não é, talvez, uma das mais importantes características do ser humano.
É ao dizer que não a alguém, por mais querida que essa pessoa nos seja, que impomos os nossos limites, que mostramos aquilo que estamos dispostos ou não a fazer, que queremos ou não queremos, que gostamos ou não gostamos, que permitimos ou não permitimos.
É ao ir dizendo que não ao longo da nossa vida que vamos formando a nossa personalidade.
É um direito que nos assiste e que muitas vezes descuramos.
Dizer que não nem sempre é fácil. E mais difícil se torna quanto mais gostamos da pessoa a quem temos de o dizer. É uma capacidade que vamos ganhando com a idade, à medida que nos apercebemos que temos o direito de dizer "não quero isso", "não gosto disso", "não estou disposta a fazer isso".
Na maior parte das vezes, quando dizemos que não, não o fazemos para prejudicar o outro ou porque não gostemos dele, mas sim porque, não queremos fazer aquilo que ele quer ou nos pede. Ou seja, tem, na maioria dos casos, muito mais a ver com a pessoa que diz "não" e com a coisa que é pedida, do que com a pessoa a quem dizemos não.
Na minha opinião, as pessoas não andam por aí a dizer que não só porque lhes dá na real gana ou porque têm má vontade. Ou melhor, algumas talvez andem, mas a maior parte das pessoas, as que têm uma personalidade estruturada, madura e coerente, não o fazem. Fazem-no quando é necessário e quando sentem que devem.
Muitas vezes, penso que o "dizer que não" é, mais do que um direito, um dever. Se o que nos pedem colide com os nossos valores, se achamos que vai pôr em causa aquilo em que acreditamos, a pessoa que somos, temos o dever de dizer não. Não podemos deixar que ninguém nos ponha em causa. Quer isso agrade ou desagrade. Quer a outra pessoa fique zangada ou não. Porque, se não dizemos que não porque o outro vai ficar zangado, estamos, por um lado, a não ser sinceros com o outro, porque fazemos algo para que gostem de nós, e, por outro, estamos a deixar que a vontade de outro prevaleça sobre a nossa, o que não deve acontecer. Estamos, de certa forma, a permitir que nos manipulem. E, ao permitirmos isso uma vez, vamos reforçar essa comportamento.
Claro que, se temos o direito e muitas vezes o dever de "dizer que não" também temos de estar preparados para ouvir um não. Porque a outra pessoa está no seu direito. E temos de estar preparados para isso, aceitar e respeitar. Tal como já escrevi, não pessoalizar demasiado, porque, provavelmente isso terá mais a ver com a pessoa e com o que foi pedido do que connosco.
Acho saudável sabermos dizer que não, sem temer as consequências, e também, saber ouvir um não. Porque não é por dizermos sempre que sim que as pessoas vão gostar mais de nós, nem por dizemos que não algumas vezes que se vão zangar ou deixar de gostar. Pelo contrário. Até poderá acontecer algo que não queremos, que é as pessoas aproveitarem-se de nós e começarem a desrespeitar-nos porque nós próprios não nos respeitamos.
Não devemos orientar os nossos comportamentos em função dos outros nem devemos fazer o que quer que seja de propósito para que gostem de nós. Temos de ser nós próprios, fieís aos nossos princípios, sentimentos e valores. Só assim vamos conseguir não só ser felizes como atrair para a nossa vida pessoas que gostam de nós pelo que somos e nos respeitem. Quem gosta de nós porque fazemos sempre tudo, não gosta de nós. Dá-lhe jeito. As pessoas (devem) gostam de nós pelo que somos, não pelo que fazemos ou pelo que lhes proporcionamos.
P.S.: Há muitos anós atrás, uma amiga escreveu-me num livro da escola algo deste género: "contigo em contradição/pode estar um amigo/duvida mais dos que estão/sempre de acordo contigo". E eu não poderia concordar mais com estas palavras. É nos confrontos, que, muitas vezes percebemos as coisas. Quem discorda, diz que não e nos critica é, de certeza, muito mais nosso amigo e muito mais sincero do que alguém que nos diz sempre que sim e concorda com tudo. Porque todos erramos e um verdadeiro amigo é aquele que é capaz de nos dizer "erraste" sem medo, e que, depois, esteja lá para nos ajudar a corrigir o erro.
P.S.2: Durante algum tempo tive uma enorme dificuldade em dizer não. Porque procuro sempre a harmonia nas relações, achava, erradamente, que, ao ceder, as coisas seriam mais fáceis. Depois, claro, sentia-me mal comigo. Era demasiado insegura para assumir as minhas vontades e opiniões. Com o tempo, o crescimento e muita psicoterapia, fui ganhando auto-estima que me fez perceber que dizer que não é um direito e um dever. Também me custava ouvir um não, uma crítica. Sentia-me posta em causa. Achava que não gostavam de mim. Hoje, agradeço a quem gosta o suficiente para o fazer. E admiro quem tem coragem de me dizer não.
É ao dizer que não a alguém, por mais querida que essa pessoa nos seja, que impomos os nossos limites, que mostramos aquilo que estamos dispostos ou não a fazer, que queremos ou não queremos, que gostamos ou não gostamos, que permitimos ou não permitimos.
É ao ir dizendo que não ao longo da nossa vida que vamos formando a nossa personalidade.
É um direito que nos assiste e que muitas vezes descuramos.
Dizer que não nem sempre é fácil. E mais difícil se torna quanto mais gostamos da pessoa a quem temos de o dizer. É uma capacidade que vamos ganhando com a idade, à medida que nos apercebemos que temos o direito de dizer "não quero isso", "não gosto disso", "não estou disposta a fazer isso".
Na maior parte das vezes, quando dizemos que não, não o fazemos para prejudicar o outro ou porque não gostemos dele, mas sim porque, não queremos fazer aquilo que ele quer ou nos pede. Ou seja, tem, na maioria dos casos, muito mais a ver com a pessoa que diz "não" e com a coisa que é pedida, do que com a pessoa a quem dizemos não.
Na minha opinião, as pessoas não andam por aí a dizer que não só porque lhes dá na real gana ou porque têm má vontade. Ou melhor, algumas talvez andem, mas a maior parte das pessoas, as que têm uma personalidade estruturada, madura e coerente, não o fazem. Fazem-no quando é necessário e quando sentem que devem.
Muitas vezes, penso que o "dizer que não" é, mais do que um direito, um dever. Se o que nos pedem colide com os nossos valores, se achamos que vai pôr em causa aquilo em que acreditamos, a pessoa que somos, temos o dever de dizer não. Não podemos deixar que ninguém nos ponha em causa. Quer isso agrade ou desagrade. Quer a outra pessoa fique zangada ou não. Porque, se não dizemos que não porque o outro vai ficar zangado, estamos, por um lado, a não ser sinceros com o outro, porque fazemos algo para que gostem de nós, e, por outro, estamos a deixar que a vontade de outro prevaleça sobre a nossa, o que não deve acontecer. Estamos, de certa forma, a permitir que nos manipulem. E, ao permitirmos isso uma vez, vamos reforçar essa comportamento.
Claro que, se temos o direito e muitas vezes o dever de "dizer que não" também temos de estar preparados para ouvir um não. Porque a outra pessoa está no seu direito. E temos de estar preparados para isso, aceitar e respeitar. Tal como já escrevi, não pessoalizar demasiado, porque, provavelmente isso terá mais a ver com a pessoa e com o que foi pedido do que connosco.
Acho saudável sabermos dizer que não, sem temer as consequências, e também, saber ouvir um não. Porque não é por dizermos sempre que sim que as pessoas vão gostar mais de nós, nem por dizemos que não algumas vezes que se vão zangar ou deixar de gostar. Pelo contrário. Até poderá acontecer algo que não queremos, que é as pessoas aproveitarem-se de nós e começarem a desrespeitar-nos porque nós próprios não nos respeitamos.
Não devemos orientar os nossos comportamentos em função dos outros nem devemos fazer o que quer que seja de propósito para que gostem de nós. Temos de ser nós próprios, fieís aos nossos princípios, sentimentos e valores. Só assim vamos conseguir não só ser felizes como atrair para a nossa vida pessoas que gostam de nós pelo que somos e nos respeitem. Quem gosta de nós porque fazemos sempre tudo, não gosta de nós. Dá-lhe jeito. As pessoas (devem) gostam de nós pelo que somos, não pelo que fazemos ou pelo que lhes proporcionamos.
P.S.: Há muitos anós atrás, uma amiga escreveu-me num livro da escola algo deste género: "contigo em contradição/pode estar um amigo/duvida mais dos que estão/sempre de acordo contigo". E eu não poderia concordar mais com estas palavras. É nos confrontos, que, muitas vezes percebemos as coisas. Quem discorda, diz que não e nos critica é, de certeza, muito mais nosso amigo e muito mais sincero do que alguém que nos diz sempre que sim e concorda com tudo. Porque todos erramos e um verdadeiro amigo é aquele que é capaz de nos dizer "erraste" sem medo, e que, depois, esteja lá para nos ajudar a corrigir o erro.
P.S.2: Durante algum tempo tive uma enorme dificuldade em dizer não. Porque procuro sempre a harmonia nas relações, achava, erradamente, que, ao ceder, as coisas seriam mais fáceis. Depois, claro, sentia-me mal comigo. Era demasiado insegura para assumir as minhas vontades e opiniões. Com o tempo, o crescimento e muita psicoterapia, fui ganhando auto-estima que me fez perceber que dizer que não é um direito e um dever. Também me custava ouvir um não, uma crítica. Sentia-me posta em causa. Achava que não gostavam de mim. Hoje, agradeço a quem gosta o suficiente para o fazer. E admiro quem tem coragem de me dizer não.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Para aí desde o 7º ano que quero seguir psicologia. Toda a minha vida sempre disse que não ia dar aulas, por mais que me tentassem empurar. Tenho muitos professores na família e, provavelmente, isto foi como uma tomada de posição própria das idades adolescentes.
Na altura em que estudava, na transição do 9º para o 10º ano, não tive dúvidas em escolher humanodades. Lá estavam todas as disciplinas com que mais me identificava. A história, a geografia, as línguas. Mesmo sabendo que essa área não dava entrada para a faculdade estatal de psicologia cá de Lisboa (na altura a FPCE de Lisboa era a única faculdade do país onde para entrar no curso de psicologia era obrigatório ter ou biologia ou matemática).
Entre o 10º e o 12º ano fui ganhando um gosto pela disciplina de Português A que nunca pensei poder ganhar. Muito devido à excelente e muito, muito querida professora que tive, a Dra. Natércia Matos Alves, a quem ainda hoje admiro muito e de quem gosto muito mais do que se gosta de um professor.
Esta professora foi então a responsável para que eu até ponderasse não seguir psicologia, mas sim Estudos Portugueses. Mas sempre com o senão de a saída desse curso ser apenas o ensino -algo que eu continuava a não querer.
Assim, no final do 12º ano, como sabia qu não ia entrar em Psicologia, porque me falvata Biologia, candidatei-me a Estudos Portugues. Entrei. Na FSCH da Universidade Nova de Lisboa. Adorei as praxes, ao fim do primeiro dia já tinha amigos, estava tudo a correr muito bem.
Mas, quando começaram as aulas, comecei a ficar nervosa. Ansiosa. Não me conseguia esquecer que a minha primeira escolha era psicologia. Parecia-me mal estar a desistir de forma tão fácil. Desisti. Fiquei um ano a fazer Biologia. Fiz. Não entrei na estatal por 0,03. Fui para o ISPA. Tirei o curso nos 5 anos previstos (comecei e terminei o curso exactamente no mesmo dia, com cinco anos de intervalo).
Durante a faculdade comecei a dar explicações. De português e Inglês. Fui-me apaixonando pelo ensino. Penso que a vida acabou por escolher por mim e por me mostrar que o caminho era o do curso de Estudos Portugueses e não o de Psicologia. Tudo o que tenho feito se relaciona com o ensino. E cada vez gosto mais de tudo o que diz respeito ao ensino.
E agora penso: o que é que eu faço? Não posso, neste momento, pelos mais variados motivos, decidir que vou tirar o curso. Mas não deixo de pensar que o que queria mesmo era dar aulas. De português. Porque eu vibro com tudo o que é poemas e narrativas e figuras de estilo e gramática e planificação de aulas e exercícios e testes e livros de apoio ao estudo e tudo e tudo e tudo.
Na altura em que estudava, na transição do 9º para o 10º ano, não tive dúvidas em escolher humanodades. Lá estavam todas as disciplinas com que mais me identificava. A história, a geografia, as línguas. Mesmo sabendo que essa área não dava entrada para a faculdade estatal de psicologia cá de Lisboa (na altura a FPCE de Lisboa era a única faculdade do país onde para entrar no curso de psicologia era obrigatório ter ou biologia ou matemática).
Entre o 10º e o 12º ano fui ganhando um gosto pela disciplina de Português A que nunca pensei poder ganhar. Muito devido à excelente e muito, muito querida professora que tive, a Dra. Natércia Matos Alves, a quem ainda hoje admiro muito e de quem gosto muito mais do que se gosta de um professor.
Esta professora foi então a responsável para que eu até ponderasse não seguir psicologia, mas sim Estudos Portugueses. Mas sempre com o senão de a saída desse curso ser apenas o ensino -algo que eu continuava a não querer.
Assim, no final do 12º ano, como sabia qu não ia entrar em Psicologia, porque me falvata Biologia, candidatei-me a Estudos Portugues. Entrei. Na FSCH da Universidade Nova de Lisboa. Adorei as praxes, ao fim do primeiro dia já tinha amigos, estava tudo a correr muito bem.
Mas, quando começaram as aulas, comecei a ficar nervosa. Ansiosa. Não me conseguia esquecer que a minha primeira escolha era psicologia. Parecia-me mal estar a desistir de forma tão fácil. Desisti. Fiquei um ano a fazer Biologia. Fiz. Não entrei na estatal por 0,03. Fui para o ISPA. Tirei o curso nos 5 anos previstos (comecei e terminei o curso exactamente no mesmo dia, com cinco anos de intervalo).
Durante a faculdade comecei a dar explicações. De português e Inglês. Fui-me apaixonando pelo ensino. Penso que a vida acabou por escolher por mim e por me mostrar que o caminho era o do curso de Estudos Portugueses e não o de Psicologia. Tudo o que tenho feito se relaciona com o ensino. E cada vez gosto mais de tudo o que diz respeito ao ensino.
E agora penso: o que é que eu faço? Não posso, neste momento, pelos mais variados motivos, decidir que vou tirar o curso. Mas não deixo de pensar que o que queria mesmo era dar aulas. De português. Porque eu vibro com tudo o que é poemas e narrativas e figuras de estilo e gramática e planificação de aulas e exercícios e testes e livros de apoio ao estudo e tudo e tudo e tudo.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Serviço público #2
Queres reclamar?
Já tens onde!
Muito simples.
Se queres reclamar de um mau serviço, de uma empresa, de um produto,
etc. já tens onde.
http://www.livroamarelo.net/
Por outro lado, se tens dúvidas sobre determinada empresa podes fazer
uma busca no próprio site.
Não deixes de divulgar o que está mal ou não foi cumprido por uma
determinada empresa.
Assim estás a ajudar os outros a não caírem na mesma asneira de
contratar serviços ou comprar produtos que não prestam.
Quantas mais reclamações forem registadas, menos possibilidades são
dadas aos maus prestadores de serviços e produtos.
P.S.: entretanto pergunto-me o que se passará com os meus leitores, que não tenho recebido comentários. Só vos perdoo se andarem entretidos a ler o Desporto24. Entendidos?
Já tens onde!
Muito simples.
Se queres reclamar de um mau serviço, de uma empresa, de um produto,
etc. já tens onde.
http://www.livroamarelo.net/
Por outro lado, se tens dúvidas sobre determinada empresa podes fazer
uma busca no próprio site.
Não deixes de divulgar o que está mal ou não foi cumprido por uma
determinada empresa.
Assim estás a ajudar os outros a não caírem na mesma asneira de
contratar serviços ou comprar produtos que não prestam.
Quantas mais reclamações forem registadas, menos possibilidades são
dadas aos maus prestadores de serviços e produtos.
P.S.: entretanto pergunto-me o que se passará com os meus leitores, que não tenho recebido comentários. Só vos perdoo se andarem entretidos a ler o Desporto24. Entendidos?
E...
os meus queridos stalkers já são 101 :)
Obrigada!
Os meus textos (e comentários noutros blogues), aos poucos, vão voltar.
Obrigada!
Os meus textos (e comentários noutros blogues), aos poucos, vão voltar.
domingo, 26 de julho de 2009
Serviço público
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Luciana Abreu e Yannick Djaló
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Refúgio
sábado, 11 de julho de 2009
... nos últimos tempos, quanto mais penso mais percebo que passei grande parte da minha vida a adiar as coisas. "Amanhã...", "Para a semana...", "Para o ano..." (é que vai ser). Quando tem de ser hoje, aqui e agora. E adiei (tudo) sem motivo. Porque, no fundo, problemas mesmo graves estou a tê-los agora. E agora, como me sinto sem vontade de fazer o que quer que seja, percebo que essa minha tendência de ficar parada não surgiu apenas com a doença da minha mãe, que é uma característica minha. Só que agora, infelizmente, tem motivo. Daqui concluo duas coisas: não devemos adiar nada, devemos mesmo viver as coisas; a saúde (nossa e de quem amamos) é mesmo mesmo mesmo o mais importante. O resto são peanuts.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
A vida
Vi esta frase numa entrevista do Mico da Câmara Pereira e da Joana Sousa Cardoso (namorada dele e que durante um ano e meio lutou contra um cancro na mama do qual, felizmente, saíu vitoriosa) e não podia deixar de a transcrever para aqui.
Aprenderam a olhar a vida com outros olhos?
J.S.C: Inevitavelmente. No início achava que não, que ia ser exactamente a mesma pessoa. Mas somos fruto das nossas vivências, das nossas escolhas... Tornei-me, inevitavelmente, uma outra pessoa. Ao longo deste tempo fiz sempre um esforço enorme para não desmoralizar e acordava todos os dias a pensar "hoje, vou conseguir, vai ser mais um dia em que vou estar feliz e bem-disposta". Era com esta motivação que tentava seguir em frente. Hoje, sou uma pessoa mais tolerante para com as pessoas que gostam de mim, não faço só o que me apetece mas não faço fretes. A vida é curta, as coisas más não acontecem só aos outros e, por isso, temos de aproveitar e de nos divertirmos muito.
M.C.P: Depois desta experiência, o que quer que aconteça que não tenha a ver com saúde -problemas materiais, profissionais-eu relativizo. A vida é complicada e há alturas em que nos sentimos aflitos, mas agora esse tipo de situações não me afecta da mesma maneira. Quando as coisas correm menos bem, fico um pouco aborrecido, mas quero lá saber. O importante é mesmo a saúde. A Joana está cá e isso é que é importante.
E eu, hoje, percebo estas palavras melhor que ninguém. Porque é mesmo assim. Porque, quando somos confrontados com uma doença como estas, a nossa visão da vida muda. Passamos a olhar para as coisas com outros olhos, a dar importância ao que é realmente importante e a relativizar o que não tem importância. Porque o importante é viver e aproveitar enquanto estamos vivos. E isso significa aproveitar cada minuto, porque o próximo não está mesmo garantido. Viver o melhor que pudermos e soubermos hoje, aqui e agora. E não perder tempo com aquilo que não interessa. Lutar pelo que queremos, mas não achar que só vamos ser felizes quando tivermos isto ou aquilo, senão nunca somos. Se a cada conquista, só a próxima interessar nunca seremos inteiros. E é isso que interessa. Ser inteiro. Viver. Estar. Porque as coisas más não acontecem mesmo só aos outros e não avisam. Chegam sem pedir licença e viram tudo do avesso.
À Joana, os meus parabéns. Ver um caso de sucesso destes, apesar de sabermos que cada pessoa é uma pessoa, motiva-nos e dá-nos alento. Consigo perceber bem o que ela sentiu durante todo este processo pois também eu anseio pelo dia em que possa deitar a cabeça na almofada e pensar que a minha mãe está bem. Porque, agora, cada dia que passa é uma angústia, uma incerteza e um medo tão grandes que é quase impossível pensar noutra coisa. Porque o problema que a minha mãe tem, e que eu ainda não tinha dito, embora tivesse dado a entender, também é cancro, apesar de não ser na mama e sim no recto. E, apesar da evolução da medicina e de todos os casos positivos que vamos conhecendo, ainda é uma doença com um peso muito grande e que nos faz temer pela vida.
Aprenderam a olhar a vida com outros olhos?
J.S.C: Inevitavelmente. No início achava que não, que ia ser exactamente a mesma pessoa. Mas somos fruto das nossas vivências, das nossas escolhas... Tornei-me, inevitavelmente, uma outra pessoa. Ao longo deste tempo fiz sempre um esforço enorme para não desmoralizar e acordava todos os dias a pensar "hoje, vou conseguir, vai ser mais um dia em que vou estar feliz e bem-disposta". Era com esta motivação que tentava seguir em frente. Hoje, sou uma pessoa mais tolerante para com as pessoas que gostam de mim, não faço só o que me apetece mas não faço fretes. A vida é curta, as coisas más não acontecem só aos outros e, por isso, temos de aproveitar e de nos divertirmos muito.
M.C.P: Depois desta experiência, o que quer que aconteça que não tenha a ver com saúde -problemas materiais, profissionais-eu relativizo. A vida é complicada e há alturas em que nos sentimos aflitos, mas agora esse tipo de situações não me afecta da mesma maneira. Quando as coisas correm menos bem, fico um pouco aborrecido, mas quero lá saber. O importante é mesmo a saúde. A Joana está cá e isso é que é importante.
E eu, hoje, percebo estas palavras melhor que ninguém. Porque é mesmo assim. Porque, quando somos confrontados com uma doença como estas, a nossa visão da vida muda. Passamos a olhar para as coisas com outros olhos, a dar importância ao que é realmente importante e a relativizar o que não tem importância. Porque o importante é viver e aproveitar enquanto estamos vivos. E isso significa aproveitar cada minuto, porque o próximo não está mesmo garantido. Viver o melhor que pudermos e soubermos hoje, aqui e agora. E não perder tempo com aquilo que não interessa. Lutar pelo que queremos, mas não achar que só vamos ser felizes quando tivermos isto ou aquilo, senão nunca somos. Se a cada conquista, só a próxima interessar nunca seremos inteiros. E é isso que interessa. Ser inteiro. Viver. Estar. Porque as coisas más não acontecem mesmo só aos outros e não avisam. Chegam sem pedir licença e viram tudo do avesso.
À Joana, os meus parabéns. Ver um caso de sucesso destes, apesar de sabermos que cada pessoa é uma pessoa, motiva-nos e dá-nos alento. Consigo perceber bem o que ela sentiu durante todo este processo pois também eu anseio pelo dia em que possa deitar a cabeça na almofada e pensar que a minha mãe está bem. Porque, agora, cada dia que passa é uma angústia, uma incerteza e um medo tão grandes que é quase impossível pensar noutra coisa. Porque o problema que a minha mãe tem, e que eu ainda não tinha dito, embora tivesse dado a entender, também é cancro, apesar de não ser na mama e sim no recto. E, apesar da evolução da medicina e de todos os casos positivos que vamos conhecendo, ainda é uma doença com um peso muito grande e que nos faz temer pela vida.
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