A capacidade de dizer que não é, talvez, uma das mais importantes características do ser humano.
É ao dizer que não a alguém, por mais querida que essa pessoa nos seja, que impomos os nossos limites, que mostramos aquilo que estamos dispostos ou não a fazer, que queremos ou não queremos, que gostamos ou não gostamos, que permitimos ou não permitimos.
É ao ir dizendo que não ao longo da nossa vida que vamos formando a nossa personalidade.
É um direito que nos assiste e que muitas vezes descuramos.
Dizer que não nem sempre é fácil. E mais difícil se torna quanto mais gostamos da pessoa a quem temos de o dizer. É uma capacidade que vamos ganhando com a idade, à medida que nos apercebemos que temos o direito de dizer "não quero isso", "não gosto disso", "não estou disposta a fazer isso".
Na maior parte das vezes, quando dizemos que não, não o fazemos para prejudicar o outro ou porque não gostemos dele, mas sim porque, não queremos fazer aquilo que ele quer ou nos pede. Ou seja, tem, na maioria dos casos, muito mais a ver com a pessoa que diz "não" e com a coisa que é pedida, do que com a pessoa a quem dizemos não.
Na minha opinião, as pessoas não andam por aí a dizer que não só porque lhes dá na real gana ou porque têm má vontade. Ou melhor, algumas talvez andem, mas a maior parte das pessoas, as que têm uma personalidade estruturada, madura e coerente, não o fazem. Fazem-no quando é necessário e quando sentem que devem.
Muitas vezes, penso que o "dizer que não" é, mais do que um direito, um dever. Se o que nos pedem colide com os nossos valores, se achamos que vai pôr em causa aquilo em que acreditamos, a pessoa que somos, temos o dever de dizer não. Não podemos deixar que ninguém nos ponha em causa. Quer isso agrade ou desagrade. Quer a outra pessoa fique zangada ou não. Porque, se não dizemos que não porque o outro vai ficar zangado, estamos, por um lado, a não ser sinceros com o outro, porque fazemos algo para que gostem de nós, e, por outro, estamos a deixar que a vontade de outro prevaleça sobre a nossa, o que não deve acontecer. Estamos, de certa forma, a permitir que nos manipulem. E, ao permitirmos isso uma vez, vamos reforçar essa comportamento.
Claro que, se temos o direito e muitas vezes o dever de "dizer que não" também temos de estar preparados para ouvir um não. Porque a outra pessoa está no seu direito. E temos de estar preparados para isso, aceitar e respeitar. Tal como já escrevi, não pessoalizar demasiado, porque, provavelmente isso terá mais a ver com a pessoa e com o que foi pedido do que connosco.
Acho saudável sabermos dizer que não, sem temer as consequências, e também, saber ouvir um não. Porque não é por dizermos sempre que sim que as pessoas vão gostar mais de nós, nem por dizemos que não algumas vezes que se vão zangar ou deixar de gostar. Pelo contrário. Até poderá acontecer algo que não queremos, que é as pessoas aproveitarem-se de nós e começarem a desrespeitar-nos porque nós próprios não nos respeitamos.
Não devemos orientar os nossos comportamentos em função dos outros nem devemos fazer o que quer que seja de propósito para que gostem de nós. Temos de ser nós próprios, fieís aos nossos princípios, sentimentos e valores. Só assim vamos conseguir não só ser felizes como atrair para a nossa vida pessoas que gostam de nós pelo que somos e nos respeitem. Quem gosta de nós porque fazemos sempre tudo, não gosta de nós. Dá-lhe jeito. As pessoas (devem) gostam de nós pelo que somos, não pelo que fazemos ou pelo que lhes proporcionamos.
P.S.: Há muitos anós atrás, uma amiga escreveu-me num livro da escola algo deste género: "contigo em contradição/pode estar um amigo/duvida mais dos que estão/sempre de acordo contigo". E eu não poderia concordar mais com estas palavras. É nos confrontos, que, muitas vezes percebemos as coisas. Quem discorda, diz que não e nos critica é, de certeza, muito mais nosso amigo e muito mais sincero do que alguém que nos diz sempre que sim e concorda com tudo. Porque todos erramos e um verdadeiro amigo é aquele que é capaz de nos dizer "erraste" sem medo, e que, depois, esteja lá para nos ajudar a corrigir o erro.
P.S.2: Durante algum tempo tive uma enorme dificuldade em dizer não. Porque procuro sempre a harmonia nas relações, achava, erradamente, que, ao ceder, as coisas seriam mais fáceis. Depois, claro, sentia-me mal comigo. Era demasiado insegura para assumir as minhas vontades e opiniões. Com o tempo, o crescimento e muita psicoterapia, fui ganhando auto-estima que me fez perceber que dizer que não é um direito e um dever. Também me custava ouvir um não, uma crítica. Sentia-me posta em causa. Achava que não gostavam de mim. Hoje, agradeço a quem gosta o suficiente para o fazer. E admiro quem tem coragem de me dizer não.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Para aí desde o 7º ano que quero seguir psicologia. Toda a minha vida sempre disse que não ia dar aulas, por mais que me tentassem empurar. Tenho muitos professores na família e, provavelmente, isto foi como uma tomada de posição própria das idades adolescentes.
Na altura em que estudava, na transição do 9º para o 10º ano, não tive dúvidas em escolher humanodades. Lá estavam todas as disciplinas com que mais me identificava. A história, a geografia, as línguas. Mesmo sabendo que essa área não dava entrada para a faculdade estatal de psicologia cá de Lisboa (na altura a FPCE de Lisboa era a única faculdade do país onde para entrar no curso de psicologia era obrigatório ter ou biologia ou matemática).
Entre o 10º e o 12º ano fui ganhando um gosto pela disciplina de Português A que nunca pensei poder ganhar. Muito devido à excelente e muito, muito querida professora que tive, a Dra. Natércia Matos Alves, a quem ainda hoje admiro muito e de quem gosto muito mais do que se gosta de um professor.
Esta professora foi então a responsável para que eu até ponderasse não seguir psicologia, mas sim Estudos Portugueses. Mas sempre com o senão de a saída desse curso ser apenas o ensino -algo que eu continuava a não querer.
Assim, no final do 12º ano, como sabia qu não ia entrar em Psicologia, porque me falvata Biologia, candidatei-me a Estudos Portugues. Entrei. Na FSCH da Universidade Nova de Lisboa. Adorei as praxes, ao fim do primeiro dia já tinha amigos, estava tudo a correr muito bem.
Mas, quando começaram as aulas, comecei a ficar nervosa. Ansiosa. Não me conseguia esquecer que a minha primeira escolha era psicologia. Parecia-me mal estar a desistir de forma tão fácil. Desisti. Fiquei um ano a fazer Biologia. Fiz. Não entrei na estatal por 0,03. Fui para o ISPA. Tirei o curso nos 5 anos previstos (comecei e terminei o curso exactamente no mesmo dia, com cinco anos de intervalo).
Durante a faculdade comecei a dar explicações. De português e Inglês. Fui-me apaixonando pelo ensino. Penso que a vida acabou por escolher por mim e por me mostrar que o caminho era o do curso de Estudos Portugueses e não o de Psicologia. Tudo o que tenho feito se relaciona com o ensino. E cada vez gosto mais de tudo o que diz respeito ao ensino.
E agora penso: o que é que eu faço? Não posso, neste momento, pelos mais variados motivos, decidir que vou tirar o curso. Mas não deixo de pensar que o que queria mesmo era dar aulas. De português. Porque eu vibro com tudo o que é poemas e narrativas e figuras de estilo e gramática e planificação de aulas e exercícios e testes e livros de apoio ao estudo e tudo e tudo e tudo.
Na altura em que estudava, na transição do 9º para o 10º ano, não tive dúvidas em escolher humanodades. Lá estavam todas as disciplinas com que mais me identificava. A história, a geografia, as línguas. Mesmo sabendo que essa área não dava entrada para a faculdade estatal de psicologia cá de Lisboa (na altura a FPCE de Lisboa era a única faculdade do país onde para entrar no curso de psicologia era obrigatório ter ou biologia ou matemática).
Entre o 10º e o 12º ano fui ganhando um gosto pela disciplina de Português A que nunca pensei poder ganhar. Muito devido à excelente e muito, muito querida professora que tive, a Dra. Natércia Matos Alves, a quem ainda hoje admiro muito e de quem gosto muito mais do que se gosta de um professor.
Esta professora foi então a responsável para que eu até ponderasse não seguir psicologia, mas sim Estudos Portugueses. Mas sempre com o senão de a saída desse curso ser apenas o ensino -algo que eu continuava a não querer.
Assim, no final do 12º ano, como sabia qu não ia entrar em Psicologia, porque me falvata Biologia, candidatei-me a Estudos Portugues. Entrei. Na FSCH da Universidade Nova de Lisboa. Adorei as praxes, ao fim do primeiro dia já tinha amigos, estava tudo a correr muito bem.
Mas, quando começaram as aulas, comecei a ficar nervosa. Ansiosa. Não me conseguia esquecer que a minha primeira escolha era psicologia. Parecia-me mal estar a desistir de forma tão fácil. Desisti. Fiquei um ano a fazer Biologia. Fiz. Não entrei na estatal por 0,03. Fui para o ISPA. Tirei o curso nos 5 anos previstos (comecei e terminei o curso exactamente no mesmo dia, com cinco anos de intervalo).
Durante a faculdade comecei a dar explicações. De português e Inglês. Fui-me apaixonando pelo ensino. Penso que a vida acabou por escolher por mim e por me mostrar que o caminho era o do curso de Estudos Portugueses e não o de Psicologia. Tudo o que tenho feito se relaciona com o ensino. E cada vez gosto mais de tudo o que diz respeito ao ensino.
E agora penso: o que é que eu faço? Não posso, neste momento, pelos mais variados motivos, decidir que vou tirar o curso. Mas não deixo de pensar que o que queria mesmo era dar aulas. De português. Porque eu vibro com tudo o que é poemas e narrativas e figuras de estilo e gramática e planificação de aulas e exercícios e testes e livros de apoio ao estudo e tudo e tudo e tudo.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Serviço público #2
Queres reclamar?
Já tens onde!
Muito simples.
Se queres reclamar de um mau serviço, de uma empresa, de um produto,
etc. já tens onde.
http://www.livroamarelo.net/
Por outro lado, se tens dúvidas sobre determinada empresa podes fazer
uma busca no próprio site.
Não deixes de divulgar o que está mal ou não foi cumprido por uma
determinada empresa.
Assim estás a ajudar os outros a não caírem na mesma asneira de
contratar serviços ou comprar produtos que não prestam.
Quantas mais reclamações forem registadas, menos possibilidades são
dadas aos maus prestadores de serviços e produtos.
P.S.: entretanto pergunto-me o que se passará com os meus leitores, que não tenho recebido comentários. Só vos perdoo se andarem entretidos a ler o Desporto24. Entendidos?
Já tens onde!
Muito simples.
Se queres reclamar de um mau serviço, de uma empresa, de um produto,
etc. já tens onde.
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Por outro lado, se tens dúvidas sobre determinada empresa podes fazer
uma busca no próprio site.
Não deixes de divulgar o que está mal ou não foi cumprido por uma
determinada empresa.
Assim estás a ajudar os outros a não caírem na mesma asneira de
contratar serviços ou comprar produtos que não prestam.
Quantas mais reclamações forem registadas, menos possibilidades são
dadas aos maus prestadores de serviços e produtos.
P.S.: entretanto pergunto-me o que se passará com os meus leitores, que não tenho recebido comentários. Só vos perdoo se andarem entretidos a ler o Desporto24. Entendidos?
E...
os meus queridos stalkers já são 101 :)
Obrigada!
Os meus textos (e comentários noutros blogues), aos poucos, vão voltar.
Obrigada!
Os meus textos (e comentários noutros blogues), aos poucos, vão voltar.
domingo, 26 de julho de 2009
Serviço público
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Luciana Abreu e Yannick Djaló
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Refúgio
sábado, 11 de julho de 2009
... nos últimos tempos, quanto mais penso mais percebo que passei grande parte da minha vida a adiar as coisas. "Amanhã...", "Para a semana...", "Para o ano..." (é que vai ser). Quando tem de ser hoje, aqui e agora. E adiei (tudo) sem motivo. Porque, no fundo, problemas mesmo graves estou a tê-los agora. E agora, como me sinto sem vontade de fazer o que quer que seja, percebo que essa minha tendência de ficar parada não surgiu apenas com a doença da minha mãe, que é uma característica minha. Só que agora, infelizmente, tem motivo. Daqui concluo duas coisas: não devemos adiar nada, devemos mesmo viver as coisas; a saúde (nossa e de quem amamos) é mesmo mesmo mesmo o mais importante. O resto são peanuts.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
A vida
Vi esta frase numa entrevista do Mico da Câmara Pereira e da Joana Sousa Cardoso (namorada dele e que durante um ano e meio lutou contra um cancro na mama do qual, felizmente, saíu vitoriosa) e não podia deixar de a transcrever para aqui.
Aprenderam a olhar a vida com outros olhos?
J.S.C: Inevitavelmente. No início achava que não, que ia ser exactamente a mesma pessoa. Mas somos fruto das nossas vivências, das nossas escolhas... Tornei-me, inevitavelmente, uma outra pessoa. Ao longo deste tempo fiz sempre um esforço enorme para não desmoralizar e acordava todos os dias a pensar "hoje, vou conseguir, vai ser mais um dia em que vou estar feliz e bem-disposta". Era com esta motivação que tentava seguir em frente. Hoje, sou uma pessoa mais tolerante para com as pessoas que gostam de mim, não faço só o que me apetece mas não faço fretes. A vida é curta, as coisas más não acontecem só aos outros e, por isso, temos de aproveitar e de nos divertirmos muito.
M.C.P: Depois desta experiência, o que quer que aconteça que não tenha a ver com saúde -problemas materiais, profissionais-eu relativizo. A vida é complicada e há alturas em que nos sentimos aflitos, mas agora esse tipo de situações não me afecta da mesma maneira. Quando as coisas correm menos bem, fico um pouco aborrecido, mas quero lá saber. O importante é mesmo a saúde. A Joana está cá e isso é que é importante.
E eu, hoje, percebo estas palavras melhor que ninguém. Porque é mesmo assim. Porque, quando somos confrontados com uma doença como estas, a nossa visão da vida muda. Passamos a olhar para as coisas com outros olhos, a dar importância ao que é realmente importante e a relativizar o que não tem importância. Porque o importante é viver e aproveitar enquanto estamos vivos. E isso significa aproveitar cada minuto, porque o próximo não está mesmo garantido. Viver o melhor que pudermos e soubermos hoje, aqui e agora. E não perder tempo com aquilo que não interessa. Lutar pelo que queremos, mas não achar que só vamos ser felizes quando tivermos isto ou aquilo, senão nunca somos. Se a cada conquista, só a próxima interessar nunca seremos inteiros. E é isso que interessa. Ser inteiro. Viver. Estar. Porque as coisas más não acontecem mesmo só aos outros e não avisam. Chegam sem pedir licença e viram tudo do avesso.
À Joana, os meus parabéns. Ver um caso de sucesso destes, apesar de sabermos que cada pessoa é uma pessoa, motiva-nos e dá-nos alento. Consigo perceber bem o que ela sentiu durante todo este processo pois também eu anseio pelo dia em que possa deitar a cabeça na almofada e pensar que a minha mãe está bem. Porque, agora, cada dia que passa é uma angústia, uma incerteza e um medo tão grandes que é quase impossível pensar noutra coisa. Porque o problema que a minha mãe tem, e que eu ainda não tinha dito, embora tivesse dado a entender, também é cancro, apesar de não ser na mama e sim no recto. E, apesar da evolução da medicina e de todos os casos positivos que vamos conhecendo, ainda é uma doença com um peso muito grande e que nos faz temer pela vida.
Aprenderam a olhar a vida com outros olhos?
J.S.C: Inevitavelmente. No início achava que não, que ia ser exactamente a mesma pessoa. Mas somos fruto das nossas vivências, das nossas escolhas... Tornei-me, inevitavelmente, uma outra pessoa. Ao longo deste tempo fiz sempre um esforço enorme para não desmoralizar e acordava todos os dias a pensar "hoje, vou conseguir, vai ser mais um dia em que vou estar feliz e bem-disposta". Era com esta motivação que tentava seguir em frente. Hoje, sou uma pessoa mais tolerante para com as pessoas que gostam de mim, não faço só o que me apetece mas não faço fretes. A vida é curta, as coisas más não acontecem só aos outros e, por isso, temos de aproveitar e de nos divertirmos muito.
M.C.P: Depois desta experiência, o que quer que aconteça que não tenha a ver com saúde -problemas materiais, profissionais-eu relativizo. A vida é complicada e há alturas em que nos sentimos aflitos, mas agora esse tipo de situações não me afecta da mesma maneira. Quando as coisas correm menos bem, fico um pouco aborrecido, mas quero lá saber. O importante é mesmo a saúde. A Joana está cá e isso é que é importante.
E eu, hoje, percebo estas palavras melhor que ninguém. Porque é mesmo assim. Porque, quando somos confrontados com uma doença como estas, a nossa visão da vida muda. Passamos a olhar para as coisas com outros olhos, a dar importância ao que é realmente importante e a relativizar o que não tem importância. Porque o importante é viver e aproveitar enquanto estamos vivos. E isso significa aproveitar cada minuto, porque o próximo não está mesmo garantido. Viver o melhor que pudermos e soubermos hoje, aqui e agora. E não perder tempo com aquilo que não interessa. Lutar pelo que queremos, mas não achar que só vamos ser felizes quando tivermos isto ou aquilo, senão nunca somos. Se a cada conquista, só a próxima interessar nunca seremos inteiros. E é isso que interessa. Ser inteiro. Viver. Estar. Porque as coisas más não acontecem mesmo só aos outros e não avisam. Chegam sem pedir licença e viram tudo do avesso.
À Joana, os meus parabéns. Ver um caso de sucesso destes, apesar de sabermos que cada pessoa é uma pessoa, motiva-nos e dá-nos alento. Consigo perceber bem o que ela sentiu durante todo este processo pois também eu anseio pelo dia em que possa deitar a cabeça na almofada e pensar que a minha mãe está bem. Porque, agora, cada dia que passa é uma angústia, uma incerteza e um medo tão grandes que é quase impossível pensar noutra coisa. Porque o problema que a minha mãe tem, e que eu ainda não tinha dito, embora tivesse dado a entender, também é cancro, apesar de não ser na mama e sim no recto. E, apesar da evolução da medicina e de todos os casos positivos que vamos conhecendo, ainda é uma doença com um peso muito grande e que nos faz temer pela vida.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Desporto24

Um site informativo, sobre modalidades desportivas, permanentemente actualizado, com notícias, entrevistas, artigos de opinião, curiosidades e muitas outras coisas. Para, num país onde só se fala de futebol, dar espaço às restantes modalidades desportivas, que não têm de ser o parente pobre do chamado "desporto rei".
Um projecto do qual faço parte com muito orgulho e espero ver crescer. Visitem, divulgem, comentem!
A seguir deixo o editorial:
Em prol das modalidades
Sob o lema “A Informação de Excelência em Modalidades”, o dia 17 de Junho de 2009 marcou o arranque do Desporto 24, portal de carácter noticioso que terá o fenómeno das modalidades como temática única.
Numa época em que o futebol ocupa cada vez mais um espaço de primazia nos Media portugueses e as restantes modalidades desportivas vão sendo, desde há muitos anos a esta parte, tratadas como o “parente pobre” no panorama comunicacional lusitano, o Desporto 24 surge com o intuito de ser um espaço de convergência e uma verdadeira lufada de ar fresco no seio do desporto aquém e além-fronteiras e no panorama comunicacional lusitano. Procuraremos assim congregar os diferentes nichos de adeptos num espaço único, onde todos os desportos sintam que têm em nós o seu espaço e a sua voz.
Neste novo endereço electrónico os cibernautas poderão encontrar diariamente uma informação actualizada e de qualidade, entrevistas aos protagonistas que marcam o dia-a-dia da competição em Portugal e artigos de opinião por parte de personalidades de diversos quadrantes que seguem com particular atenção as incidências do desporto no nosso país. Porque a interactividade com quem nos segue é sempre uma prioridade, o Desporto 24 terá ainda inquéritos de opinião onde auscultará os portugueses acerca dos diferentes temas que vão marcando a actualidade das várias vertentes do desporto lusitano e mundial.
Por detrás deste projecto está uma equipa jovem que lhe procurará dar a conhecer tudo o que de mais importante acontece no panorama competitivo, não descurando a pluralidade, a isenção e o rigor informativo.
Bem-vindo à família Desporto 24. Nascemos por si e para si. Contamos consigo. Esperamos que conte connosco também.
sábado, 27 de junho de 2009
...
Este blogue não acabou, por muito que isso possa parecer.
É verdade que estou sem escrever há uma série de tempo. Venho cá todos os dias, leio sempre os comentários que me vão deixando, mas a vontade de escrever escondeu-se algures por aí. No entanto, tendo em conta os comentários que tenho recebido, resolvi deixar aqui umas palavrinhas. De agradecimento pelo carinho e atenção. Por, apesar de eu não escrever, continuarem a passar por cá. Por me lerem. Até pessoas cujos blogues leio, mas nunca pensei que me lessem (casos da Debbie e da Saltos Altos Vermelhos).
A verdade é que em alturas como estas, em que uma das pessoas que nos é mais querida adoece, questionamos tudo. E, se estou triste pela doença e com medo do que possa acontecer (apesar de ter esperança que tudo corra bem) estou também triste por sentir que aos 28 anos não tenho nada daquilo que sempre pensei que teria nesta altura. Para começar, apesar de ser licenciada em uma das áreas que gosto, não tenho emprego e nem posso dizer que tenha alguma vez tido algo a que se possa chamar um emprego fixo. Sempre trabalhei, mas nunca tive, por exemplo, um contrato de trabalho sem termo. E nos últimos anos foram tudo situações mais do que precárias. Sei que muito disto aconteceu por, logo após acabar o curso, ter iniciado um projecto que não deu certo. Mas sei que, apesar de ter sido um passo de coragem e de ter mostrado a minha proactividade, muito do não dar certo também foi responsabilidade minha. Como consequência de não ter emprego, obviamente não tenho uma situação financeira estável. Perspectivas de vir a ser independente nos próximos tempos? Nenhuma. A juntar a tudo isto, afectivamente a minha vida parece o deserto do Sahara. Eu, que preciso tanto de amar e de me sentir amada. Que vivo de afectos. Que acho que a partilha é das melhores coisas que existe.
Talvez nesta altura eu veja tudo negro e as coisas sejam apenas de um branco sujo. Mas a verdade é que, ultimamente, na maior parte dos dias, sinto-me triste, desmotivada, sem vontade para fazer nada. E existem mesmo alturas em que me sinto uma falhada.
Eu sei que a seguir à tempestade normalmente vem a bonança, mas o sorriso que se vê aí na minha foto de perfil anda muito longe da minha cara.
É verdade que estou sem escrever há uma série de tempo. Venho cá todos os dias, leio sempre os comentários que me vão deixando, mas a vontade de escrever escondeu-se algures por aí. No entanto, tendo em conta os comentários que tenho recebido, resolvi deixar aqui umas palavrinhas. De agradecimento pelo carinho e atenção. Por, apesar de eu não escrever, continuarem a passar por cá. Por me lerem. Até pessoas cujos blogues leio, mas nunca pensei que me lessem (casos da Debbie e da Saltos Altos Vermelhos).
A verdade é que em alturas como estas, em que uma das pessoas que nos é mais querida adoece, questionamos tudo. E, se estou triste pela doença e com medo do que possa acontecer (apesar de ter esperança que tudo corra bem) estou também triste por sentir que aos 28 anos não tenho nada daquilo que sempre pensei que teria nesta altura. Para começar, apesar de ser licenciada em uma das áreas que gosto, não tenho emprego e nem posso dizer que tenha alguma vez tido algo a que se possa chamar um emprego fixo. Sempre trabalhei, mas nunca tive, por exemplo, um contrato de trabalho sem termo. E nos últimos anos foram tudo situações mais do que precárias. Sei que muito disto aconteceu por, logo após acabar o curso, ter iniciado um projecto que não deu certo. Mas sei que, apesar de ter sido um passo de coragem e de ter mostrado a minha proactividade, muito do não dar certo também foi responsabilidade minha. Como consequência de não ter emprego, obviamente não tenho uma situação financeira estável. Perspectivas de vir a ser independente nos próximos tempos? Nenhuma. A juntar a tudo isto, afectivamente a minha vida parece o deserto do Sahara. Eu, que preciso tanto de amar e de me sentir amada. Que vivo de afectos. Que acho que a partilha é das melhores coisas que existe.
Talvez nesta altura eu veja tudo negro e as coisas sejam apenas de um branco sujo. Mas a verdade é que, ultimamente, na maior parte dos dias, sinto-me triste, desmotivada, sem vontade para fazer nada. E existem mesmo alturas em que me sinto uma falhada.
Eu sei que a seguir à tempestade normalmente vem a bonança, mas o sorriso que se vê aí na minha foto de perfil anda muito longe da minha cara.
terça-feira, 9 de junho de 2009
quarta-feira, 3 de junho de 2009
sexta-feira, 29 de maio de 2009
A imprevisibilidade da vida
Há coisas que nos acontecem que se assemelham a tremores de terra de grau 9 na Escala de Richter. É como se o melhor pugilista do mundo nos desse um murro no estômago quando nem sequer ainda o tínhamos visto. Como se um prédio de mil andares nos caíssem em cima de uma assentada só.
E são exactamente estas coisas que nos mostram, na pele, o quão imprevisível e incerta é a vida.
Normalmente o ser humano tem uma falsa noção de imortalidade, de poder tudo, de que "as coisas más só acontecem aos outros".
Nada mais falso.
Não gostamos quando nos dizem que a vida é curta, que o minuto presente é garantido mas que o próximo pode não ser, que somos assustadoramente frageís perante uma vida que não controlamos.
Gostamos muito de dizer que vivemos intensamente os dias, dizer que o carpe diem é o nosso lema, que aproveitamos cada minuto como se fosse o último.
Mas, na grande maioria dos casos, isso não é verdade.
Na grande maioria dos casos deixamo-nos paralisar pelos medos, arrastamos para amanhã situações que poderiam ter sido resolvidas ontem, porque, afinal "temos tempo", perdemos tempo com coisas que não têm importância nenhuma.
A verdade é que apenas achamos que temos. Somos (mesmo) frageís. Não sabemos (mesmo) se o que vai acontecer no minuto seguinte não vai fazer com que não possamos, afinal, resolver os assuntos que deixámos pendentes, se nos vai, finalmente, permitir ultrapassar os tais medos que, grande parte das vezes, nos deixam paralisados sem motivo, se não vai virar a nossa vida de pernas para o ar e mostrar que temos (mesmo) de viver cada minuto e cada dia da melhor forma que podermos e soubermos.
Longe de ser um texto depressivo ou de estar a fazer a apologia de que devemos fazer todos os dispartes porque a vida curta, com este texto quis apenas mostrar que, na vida, não há tempo a perder. Nem com medos, nem com certezas, nem com adiamentos, nem com coisas que não valem nada, nem com mesquinhices.
A vida é para viver, da melhor forma possível, lutando, sempre, por aquilo que queremos, sonhamos e nos faz felizes. Porque as chatices, que nos mostram o quão pequenos afinal somos, vêm sem as chamarmos. E, se de antemão tivermos noção disso, iremos aproveitar muito mais.
P.S.: sim, nos últimos tempos a minha vida virou-se do avesso. Foi diagnosticada à minha mãe uma doença grave, daquelas que nos mostram que a vida não está assim tão garantida. Foi um murro no estômago. Sente-se um medo que não se sabia que podia existir. De repente, a pessoa que mais amamos está a sofrer e nós não podemos fazer nada, a não ser dar força, para a ajudar. A nossa fragilidade. A imprevisibilidade da vida. A pequenez do ser humano perante o mundo. Tudo nos cai em cima de uma vez só de uma forma brutal. A impotência que sentimos é tão grande que nos paralisa. A vida parece que pára. Não sabemos o que fazer. Ficamos sem vontade de nada. Pensamos no quão tremendamente injusto toda a situação é (e é). Revolta. Mas também nos mostra que não há tempo a perder. Que não pode haver medos, desculpas ou "amanhã também é dia" a colocarem-se entre nós e os nossos sonhos. E então, aos poucos, vamos tentando juntar os pedaços que tudo isto espalhou pelo chão e reconstruir o que foi deitado abaixo. Custa. Assusta. Dá um medo do caraças. Mas tem mesmo de ser. Por mim. E por ela.
E são exactamente estas coisas que nos mostram, na pele, o quão imprevisível e incerta é a vida.
Normalmente o ser humano tem uma falsa noção de imortalidade, de poder tudo, de que "as coisas más só acontecem aos outros".
Nada mais falso.
Não gostamos quando nos dizem que a vida é curta, que o minuto presente é garantido mas que o próximo pode não ser, que somos assustadoramente frageís perante uma vida que não controlamos.
Gostamos muito de dizer que vivemos intensamente os dias, dizer que o carpe diem é o nosso lema, que aproveitamos cada minuto como se fosse o último.
Mas, na grande maioria dos casos, isso não é verdade.
Na grande maioria dos casos deixamo-nos paralisar pelos medos, arrastamos para amanhã situações que poderiam ter sido resolvidas ontem, porque, afinal "temos tempo", perdemos tempo com coisas que não têm importância nenhuma.
A verdade é que apenas achamos que temos. Somos (mesmo) frageís. Não sabemos (mesmo) se o que vai acontecer no minuto seguinte não vai fazer com que não possamos, afinal, resolver os assuntos que deixámos pendentes, se nos vai, finalmente, permitir ultrapassar os tais medos que, grande parte das vezes, nos deixam paralisados sem motivo, se não vai virar a nossa vida de pernas para o ar e mostrar que temos (mesmo) de viver cada minuto e cada dia da melhor forma que podermos e soubermos.
Longe de ser um texto depressivo ou de estar a fazer a apologia de que devemos fazer todos os dispartes porque a vida curta, com este texto quis apenas mostrar que, na vida, não há tempo a perder. Nem com medos, nem com certezas, nem com adiamentos, nem com coisas que não valem nada, nem com mesquinhices.
A vida é para viver, da melhor forma possível, lutando, sempre, por aquilo que queremos, sonhamos e nos faz felizes. Porque as chatices, que nos mostram o quão pequenos afinal somos, vêm sem as chamarmos. E, se de antemão tivermos noção disso, iremos aproveitar muito mais.
P.S.: sim, nos últimos tempos a minha vida virou-se do avesso. Foi diagnosticada à minha mãe uma doença grave, daquelas que nos mostram que a vida não está assim tão garantida. Foi um murro no estômago. Sente-se um medo que não se sabia que podia existir. De repente, a pessoa que mais amamos está a sofrer e nós não podemos fazer nada, a não ser dar força, para a ajudar. A nossa fragilidade. A imprevisibilidade da vida. A pequenez do ser humano perante o mundo. Tudo nos cai em cima de uma vez só de uma forma brutal. A impotência que sentimos é tão grande que nos paralisa. A vida parece que pára. Não sabemos o que fazer. Ficamos sem vontade de nada. Pensamos no quão tremendamente injusto toda a situação é (e é). Revolta. Mas também nos mostra que não há tempo a perder. Que não pode haver medos, desculpas ou "amanhã também é dia" a colocarem-se entre nós e os nossos sonhos. E então, aos poucos, vamos tentando juntar os pedaços que tudo isto espalhou pelo chão e reconstruir o que foi deitado abaixo. Custa. Assusta. Dá um medo do caraças. Mas tem mesmo de ser. Por mim. E por ela.
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