segunda-feira, 29 de junho de 2009

Desporto24



Um site informativo, sobre modalidades desportivas, permanentemente actualizado, com notícias, entrevistas, artigos de opinião, curiosidades e muitas outras coisas. Para, num país onde só se fala de futebol, dar espaço às restantes modalidades desportivas, que não têm de ser o parente pobre do chamado "desporto rei".

Um projecto do qual faço parte com muito orgulho e espero ver crescer. Visitem, divulgem, comentem!

A seguir deixo o editorial:

Em prol das modalidades
Sob o lema “A Informação de Excelência em Modalidades”, o dia 17 de Junho de 2009 marcou o arranque do Desporto 24, portal de carácter noticioso que terá o fenómeno das modalidades como temática única.
Numa época em que o futebol ocupa cada vez mais um espaço de primazia nos Media portugueses e as restantes modalidades desportivas vão sendo, desde há muitos anos a esta parte, tratadas como o “parente pobre” no panorama comunicacional lusitano, o Desporto 24 surge com o intuito de ser um espaço de convergência e uma verdadeira lufada de ar fresco no seio do desporto aquém e além-fronteiras e no panorama comunicacional lusitano. Procuraremos assim congregar os diferentes nichos de adeptos num espaço único, onde todos os desportos sintam que têm em nós o seu espaço e a sua voz.
Neste novo endereço electrónico os cibernautas poderão encontrar diariamente uma informação actualizada e de qualidade, entrevistas aos protagonistas que marcam o dia-a-dia da competição em Portugal e artigos de opinião por parte de personalidades de diversos quadrantes que seguem com particular atenção as incidências do desporto no nosso país. Porque a interactividade com quem nos segue é sempre uma prioridade, o Desporto 24 terá ainda inquéritos de opinião onde auscultará os portugueses acerca dos diferentes temas que vão marcando a actualidade das várias vertentes do desporto lusitano e mundial.
Por detrás deste projecto está uma equipa jovem que lhe procurará dar a conhecer tudo o que de mais importante acontece no panorama competitivo, não descurando a pluralidade, a isenção e o rigor informativo.
Bem-vindo à família Desporto 24. Nascemos por si e para si. Contamos consigo. Esperamos que conte connosco também.

sábado, 27 de junho de 2009

...

Este blogue não acabou, por muito que isso possa parecer.

É verdade que estou sem escrever há uma série de tempo. Venho cá todos os dias, leio sempre os comentários que me vão deixando, mas a vontade de escrever escondeu-se algures por aí. No entanto, tendo em conta os comentários que tenho recebido, resolvi deixar aqui umas palavrinhas. De agradecimento pelo carinho e atenção. Por, apesar de eu não escrever, continuarem a passar por cá. Por me lerem. Até pessoas cujos blogues leio, mas nunca pensei que me lessem (casos da Debbie e da Saltos Altos Vermelhos).

A verdade é que em alturas como estas, em que uma das pessoas que nos é mais querida adoece, questionamos tudo. E, se estou triste pela doença e com medo do que possa acontecer (apesar de ter esperança que tudo corra bem) estou também triste por sentir que aos 28 anos não tenho nada daquilo que sempre pensei que teria nesta altura. Para começar, apesar de ser licenciada em uma das áreas que gosto, não tenho emprego e nem posso dizer que tenha alguma vez tido algo a que se possa chamar um emprego fixo. Sempre trabalhei, mas nunca tive, por exemplo, um contrato de trabalho sem termo. E nos últimos anos foram tudo situações mais do que precárias. Sei que muito disto aconteceu por, logo após acabar o curso, ter iniciado um projecto que não deu certo. Mas sei que, apesar de ter sido um passo de coragem e de ter mostrado a minha proactividade, muito do não dar certo também foi responsabilidade minha. Como consequência de não ter emprego, obviamente não tenho uma situação financeira estável. Perspectivas de vir a ser independente nos próximos tempos? Nenhuma. A juntar a tudo isto, afectivamente a minha vida parece o deserto do Sahara. Eu, que preciso tanto de amar e de me sentir amada. Que vivo de afectos. Que acho que a partilha é das melhores coisas que existe.

Talvez nesta altura eu veja tudo negro e as coisas sejam apenas de um branco sujo. Mas a verdade é que, ultimamente, na maior parte dos dias, sinto-me triste, desmotivada, sem vontade para fazer nada. E existem mesmo alturas em que me sinto uma falhada.

Eu sei que a seguir à tempestade normalmente vem a bonança, mas o sorriso que se vê aí na minha foto de perfil anda muito longe da minha cara.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Este homem... #3

É qualquer coisa de cortar a respiração.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

sexta-feira, 29 de maio de 2009

A imprevisibilidade da vida

Há coisas que nos acontecem que se assemelham a tremores de terra de grau 9 na Escala de Richter. É como se o melhor pugilista do mundo nos desse um murro no estômago quando nem sequer ainda o tínhamos visto. Como se um prédio de mil andares nos caíssem em cima de uma assentada só.

E são exactamente estas coisas que nos mostram, na pele, o quão imprevisível e incerta é a vida.

Normalmente o ser humano tem uma falsa noção de imortalidade, de poder tudo, de que "as coisas más só acontecem aos outros".

Nada mais falso.

Não gostamos quando nos dizem que a vida é curta, que o minuto presente é garantido mas que o próximo pode não ser, que somos assustadoramente frageís perante uma vida que não controlamos.

Gostamos muito de dizer que vivemos intensamente os dias, dizer que o carpe diem é o nosso lema, que aproveitamos cada minuto como se fosse o último.

Mas, na grande maioria dos casos, isso não é verdade.

Na grande maioria dos casos deixamo-nos paralisar pelos medos, arrastamos para amanhã situações que poderiam ter sido resolvidas ontem, porque, afinal "temos tempo", perdemos tempo com coisas que não têm importância nenhuma.

A verdade é que apenas achamos que temos. Somos (mesmo) frageís. Não sabemos (mesmo) se o que vai acontecer no minuto seguinte não vai fazer com que não possamos, afinal, resolver os assuntos que deixámos pendentes, se nos vai, finalmente, permitir ultrapassar os tais medos que, grande parte das vezes, nos deixam paralisados sem motivo, se não vai virar a nossa vida de pernas para o ar e mostrar que temos (mesmo) de viver cada minuto e cada dia da melhor forma que podermos e soubermos.

Longe de ser um texto depressivo ou de estar a fazer a apologia de que devemos fazer todos os dispartes porque a vida curta, com este texto quis apenas mostrar que, na vida, não há tempo a perder. Nem com medos, nem com certezas, nem com adiamentos, nem com coisas que não valem nada, nem com mesquinhices.

A vida é para viver, da melhor forma possível, lutando, sempre, por aquilo que queremos, sonhamos e nos faz felizes. Porque as chatices, que nos mostram o quão pequenos afinal somos, vêm sem as chamarmos. E, se de antemão tivermos noção disso, iremos aproveitar muito mais.

P.S.: sim, nos últimos tempos a minha vida virou-se do avesso. Foi diagnosticada à minha mãe uma doença grave, daquelas que nos mostram que a vida não está assim tão garantida. Foi um murro no estômago. Sente-se um medo que não se sabia que podia existir. De repente, a pessoa que mais amamos está a sofrer e nós não podemos fazer nada, a não ser dar força, para a ajudar. A nossa fragilidade. A imprevisibilidade da vida. A pequenez do ser humano perante o mundo. Tudo nos cai em cima de uma vez só de uma forma brutal. A impotência que sentimos é tão grande que nos paralisa. A vida parece que pára. Não sabemos o que fazer. Ficamos sem vontade de nada. Pensamos no quão tremendamente injusto toda a situação é (e é). Revolta. Mas também nos mostra que não há tempo a perder. Que não pode haver medos, desculpas ou "amanhã também é dia" a colocarem-se entre nós e os nossos sonhos. E então, aos poucos, vamos tentando juntar os pedaços que tudo isto espalhou pelo chão e reconstruir o que foi deitado abaixo. Custa. Assusta. Dá um medo do caraças. Mas tem mesmo de ser. Por mim. E por ela.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Podia escrever muita coisa, mas hoje não consigo.

terça-feira, 19 de maio de 2009

E para quem pensou que eu estava a exagerar... (ou Geração Morangos com Açúcar #2)

REDAXÃO

'O PIPOL E A ESCOLA'

Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem Direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver q á razões qd um aluno não vai á escola. Primeiros a peçoa n se sente motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas.

Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto Montanhoso? Ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? Ou cuantas estrofes tem um cuadrado? Ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã?

E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os Lesiades''s, q é u m livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah.

Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos profes até dam gomitos e a Malta re-sentesse, outro dia um arrotou q os jovens n tem abitos de leitura e q a Malta n sabemos ler nem escrever e a sorte do gimbras foi q ele h-xoce bué da rapido e só o 'garra de lin-chao' é q conceguiu assertar lhe com um sapato. Atão agora aviamos de ler tudo qt é livro desde o Camóes até á idade média e por aí fora, qués ver???

O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço de otelaria e a Malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e piças de xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar um gravetame do camandro. Ah poizé. Tarei a inzajerar?

Nota: Recebido ontem, por e-mail. (Infelizmente) com a seguinte legenda: texto (verídico) retirado de uma prova livre de Língua Portuguesa, realizada por um aluno do 9º ano, numa Escola Secundária das Caldas da Rainha. Ah! Pipol é people.

P.S.: uma vez, no início do 10º ano, área de humanidades, disciplina de Português A tive uma colega que, num teste, escrever "i per bolos à em esxesso" querendo dizer "híperboles há em excesso". Isto foi há uns 12 anos atrás. Acho que agora a coisa piorou.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Geração Morangos com Açúcar (ou a propósito de "As melhores frases dos piores alunos")

Epah, voxex kotax, pah! Xão uns xatos, tax a ver? N pexcebem k o k nós keremos agora é kurtir a vida e n pensar no resto!
Mas p k é k nós havemos de kerer xaber kem é k foi o Salazar pah, e o k é k aquele bacano xamado Afonso Henrikes fez pah? O país já tá konkistado, n já? Entaum pa k é k a gente se há-de preokupar k isso pah?

Mas vocês têm de estudar hoje, para poderem aprender, ter cultura, boas notas e assim construírem um futuro melhor.

Epah! Ó meu, max k é k tu tax paí a dizer pah? Eu já tenhu 1 boa vida pah. Desde k os meus kotas n me kortem a net, o msn e o hi5, tá-se bem. Ah! E ox amigox. Eu amu os meux amigos. E xair à noite, klaro, pa Santos e pó Loft, pa danxar, todos os fins de xemana, pah, tem de xer, xabex komu é. O k a gente gosta memu é apanar bubax e fumar umax ganzas. E n há prob nenhum, pah, o k faz mal é o tabako, as ganzas é paxífiko, meu.
E as miudax, pah? Ganda pausa, man! São buedá girax, elas, meu, tipo com totil pulxeiras e kolares e xaias bué kurtas e tops, muita louras, magras e super bronzeadas, com a kalças de ganga descaídas, a mostrar a barriga e ox pierxings no umbigo. eu curto bué duma, a Madalena... ou xerá a Maria? Olha, n sei, mas tb n interexa, elas xão todas bué parexidas, por isso tá na boa, as miúdas agora xão todax parecidax, mas não faz mal, pah, porke xão bué girax e isso é que interexa. Xão memu giras, abusam bué, man.

Então e o que é que gostas de fazer nos tempos livres? Gostas de ler? Gos...

Epah, ó meu, atão? Mas tu n ouvixte nada do k eu dixe? Ler não, man. Foda-xe. Ixo canxa bué. Eu ká gostu é de tar na net a deixar comments no hi5 dos meux amigus e a adicionar amigus, xabex k é muita cool ter buedá comments e buedá fotox. E xair à noite, já te dixe, max parexe k tu n ouvixte pah, vocex xão memu todus iguais. E ir à praia. Tão lah os meux amigus todus! E ouvir música no ipod. E andar de skate, faxer surf e tar com os amigus - o Afonso e o Bernardo e o Kiko. A minha kota diz k nós agora xomox todox iguaix unx aos outrox mas n é nada dixu, pah, nos temos é extilo e gostos parexidos e tal mas n xomos nada iguaix.
Eh komu eu dixe no principiu, pah, voxex kotas n perxebem nada distu, pah...

E, digo eu, que contacto com eles todos os dias, assim não admira que se ouçam/leiam pérolas iguais (e piores) às que estavam no texto "As melhores frases dos piores alunos". É que, literalmente, eles hoje em dia só querem curtir a vida, o momento, e não pensar em mais nada. "Fazer axneirax enkuanto podem", como eles gostam de dizer. Não adianta, apesar de me fazer alguma confusão, dizer-lhes que, se querem, no futuro, ter uma vida confortável, têm de estudar e de se aplicar. Eles, simplesmente, não querem saber nem conseguem perspectivar o futuro. Desde que tenham hi5 e messenger e amigos e saídas à noite e roupas giras e ipods e sejam considerados "cool" pelos amigos (que são exactamente iguais a eles) não lhes interessa MESMO mais nada.

domingo, 17 de maio de 2009

Medo #1

Assusta-me (MUITO!) o facto de um homem (namorado, marido, amante) atender o telefone de uma mulher e perguntar quem é e qual o assunto.E assusta-me ainda mais fazerem-no quando é uma mulher a ligar e, caso a pessoa não diga o assunto, não lhe passarem o telefone.Como se as pessoas, mesmo vivendo uma relação, não pudessem ter os seus assuntos privados, os seus segredos, até.E o ex-líbris do susto acontece, quando, uns dias depois, se conseguirmos falar com elas, elas se recusarem a falar porque, há uns dias atrás, não quisemos falar com o homem em questão.What?Que submissão, que falta de individualidade, que possessividade, que dependência, que vistas curtas, que ESTUPIDEZ!...

P.s.: não, isto não é amor. Nem nada que se lhe pareça...

sábado, 16 de maio de 2009

Et voilá... (ou carta aberta aos anónimos da blogosfera)

Assim, num piscar de olhos, se eliminam os comentários anónimos.

Podia mantê-los, é verdade que podia. E ir respondendo e alimentar polémicas e discussões. E irritar-me à conta disso. Em nome da liberdade de expressão. Em nome do politicamente correcto. Porque as pessoas têm todo o direito de dizer o que querem, o que pensam e o que sentem. É verdade.

Acontece que, de há uns tempos para cá, aprendi a pensar mais em mim do que nos outros. A ser egoísta no bom sentido. A pôr-me em primeiro lugar.

Acontece também que este blogue é meu e que o tenho para escrever o que quero, quando quero. E que não estou para ter que ler comentários anónimos, desagradáveis, que escrevem o que lhes apetece, sem me conhecer e que, na maior parte das vezes, não faz qualquer sentido. Que comentam de forma rude e sem qualquer respeito por quem escreve. Que utilizam os blogues das pessoas para descarregar as frustrações. Querem descarregar frustrações? Acho muito bem, que eu também o faço. Mas não de forma cobarde e anónima. Comprem um saco de boxe. Façam exercício físico.

Acontece ainda que se há máxima que respeito na vida é: respeita para poderes ser respeitado. E, como considero que aos anónimos da blogosfera lhes falta em respeito o que têm em estupidez, não vos vou respeitar.

Sempre me irritou muito esta coisa dos anónimos que escrevem perfeitos disparates sem rosto e sem nome. Que atacam com a único propósito de ofender e magoar. E sempre me insurgi contra isso no blogoe dos outros. Mas, nesses casos, apenas podia falar e nada podia fazer. Aqui, o blogue é meu. Logo, aqui, quem manda sou eu.

Sou, firmemente, contra injustiças. E os anónimos, regra geral, são injustos. E maus. destilam ódio em cada letra. E não é para isso que teno um blogue.

É censura, o que estou a fazer? Pois é. Porque há pessoas que não merecem e não sabem lidar com a liberdade.

Infelizmente.

E eu, simplesmente, não estou para aturar isso. Soubesse eu que ia ser assim e já há muito tempo que teria abolido os comentários anónimos.

P.S.: e, se isto continuar, desaparecem também os comentários em que as pessoas podem apenas colocar o nome -os open Id.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Burrices #3 (ou Outra vez a Luciana Abreu)

Pronto, pronto, pronto. Eu assumo, vá. Não insistam mais. Sim, eu não suporto a Luciana Abreu. Dá-me comichão. Faz-me urticária. Irrita-me a sonsise, a foleirice, o pretenciosismo, a bondade fabricada, a humildade falsa e mais uma série de coisas que não vale a pena mencionar.

E, a propósito disso, li outro dia (ainda na tal TV 7 Dias, que, talvez, eleja como a minha inspiradora de críticas sociais tais são os nonsenses que por lá se lêem) li um comentário de uma leitora que, muito indignada, dizia adorar a Luciana Abreu e achar que o que a RTP lhe tinha feito no festival da canção tinha sido uma grande injustiça, porque era ela quem devia ter ganho (recordo que ela foi uma das concorrentes). Ora, a senhora só pode ser burra. Houve uma votação (não vi o programa, mas penso que foi 50% decidido pelo público, 50% pelo jurí) e a Luciana não ganhou. Onde está a injustiça? A RTP deveria ter forjado as coisas para ela ter ganho? Claro. Porque, aí sim, não haveria injustiça. Está certo.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Homens & Mulheres #2

"As mulheres têm fios desligados"

Há uns tempos a Joana
-Pai, acabei um namoro à homem
Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda
- Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim
O que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes. Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de
-já não gosto de ti
De
-não quero mais
Chegam com discursos vagos, circulares
-preciso de tempo para pensar
-não é que não te ame, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas
Ou declarações do género de
- tu mereces melhor
-estive a reflectir e acho que já não te faço feliz
-necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta
E aos amigos
-dá-me os parabéns que lá consegui livrar-me da chata
-custou mas foi
-amandei-lhe aquelas lérias do costume e a gaja engoliu
-chora um dia ou dois e passa-lhe
E pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar (chichi, sede, fome, a janela de que esqueceram de fechar o estore ) ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas, pá e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarrados à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo? Lembro-me de um sujeito que explicava
- o maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é pensar que durante uma semana estou safo
E depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las.
O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias
- as mulheres têm os fios desligados
E outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa pare que comecem a trabalhar outra vez. Meus Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam
-já não gosto de ti
Se informam
-não quero mais
Aí estão eles alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos, ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores, eles que nunca mandavam a colocarem-se de plantão À porta dado que aquela p*** há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-pagas, cenas ridículas, gritos. A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, Che Guevara ou eu, e eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham. Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhes caia na sorte um caramelo que passe À frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persianas-mal-descidas-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia
(para citar noventa por cento dos escritores portugueses)
- O problema não está em ti está em mim a mexerem a faca na mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre. Não tenho nada contra os homens até gosto de alguns. Dos meus amigos. De Schubert. De Ovídio. De Horácio, de Vergílio. De Velásquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável a minha colecção. Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres. E não me excluo: fui cobarde idiota, desonesto.
Fui
(espero que não muitas vezes)
rasca. Volta e meia surge-me na cabeça uma frase do Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde de mais. Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim. A partir de certa altura deixa de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros. O problema não está em ti está em mim, que extraordinária treta. Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc..., que mulher não ouviu bugigangas destas? Uma mulher contou-me que o marido iniciou o discurso habitual
- mereces melhor que eu
levou com a resposta
- pois mereço. Rua.
Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda. Nem uma lágrima para amostra. Rua. A mesma lágrima para amostra. Rua. A mesma amiga para uma amiga sua.
- o que faço às cartas de amor que me escreveu?
e a amiga sua
- Manda-lhas. Pode ser que façam falta.
Fazem de certeza: é só copiar mudando o nome. Perguntei à minha amiga
- E depois de ele se ir embora?
- Depois chorei um bocado e passou-me.
Ontem jantámos juntos. Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto. Palavra de honra que vi na janela uma árvore a sorrir-me. Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me.


António Lobo Antunes
Mais palavras, para quê?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Burrices #2 (ou Nós mulheres somos tão estúpidas que até chateia)

Débora Ghira e o namorado DJ Mayna

Se há coisa que me entristece é a burrice e falta de vista femininas. A estupidez que, muitas vezes, nos faz ficar ao lado de alguém que nos dá todos os sinais de, além de não nos amar nem nos respeitar, nos poder vir a dar problemas e ser uma pessoa nada recomendável.

aqui escrevi um texto sobre isso, onde apontava que uma das razões para tal era a competitividade inata que existe entre mulheres, o estigma do "eu sou melhor que tu e, por isso, comigo ele vai mudar", o facto de acharmos sempre que NÓS (e não as outras) é que os vamos mudar (e que eles vão ficar tão sensibilizados com as nossas qualidades que irão mudar por nós) e os efeitos que isso tem com a nossa auto-estima (aparentemente bons ao início, quando ele(s) ainda fingem ser cordeiros, devastadora no fim, quando despem a pele e revelam o lobo que sempre foram e percebemos que, afinal, fomos mais uma, a quem ele tratou tão mal como a todas as outrase as esperanças de o mudarmos se começam a desvanecer).

Ainda na TV 7 Dias que li ontem, um dos temas da capa era o namoro de uma das meninas dos Moranços com Açucar, a Débora Ghira. Parece que o moço com quem a menina namora (além de ter um ar de chunga que até chateia) é uma pessoa nada recomendável. Ora ele é queixas na polícia de todas (sim, leram bem, todas) as ex-namoradas que teve (e de alguns familiares destas também) que, após serem feitas são imediatamente retiradas (alegadamente devido à pressão e ameaças feitas pelo dito senhor), ele é empréstimos feitos em nome de uma das ex-namoradas que o senhor nunca pagou, ele é um filho a quem ele nao liga e mal trata e cuja mãe (ex-namorada do bicho) fugiu para Moçambique para conseguir ter paz e, para completar, cadastro policial por suspeita de posse e tráfico de estupefacientes (drogas, vá).

E, obviamente, nada disto é segredo para a menina. Até porque o rapaz, a certa altura, como seria de esperar, diz algo como "agora que estou bem, querem-me destruir". Claro. Ele é uma vítima. As pessoas é que são más e, por ele "namorar com uma pessoa que está no início de uma carreira que vai ser brilhante" (palavras dele) querem-no destuir. Claro, então. As pessoas não têm mais nada que fazer nad vida. Ou então, foi ele que passou a vida a fazer asneira e agora as coisas caem-lhe em cima. A "notoriedade" traz estas coisas. E já diz o povo "quem semeia ventos, colhe tempestades". A questão aqui é que este menino não semeou ventos, semeou tempestades. Brincou com o fogo e agora, está-se a queimar. É mau carácter, mal formado e tem vistas curtas.

Mas, o que me faz mais impressão aqui, é ela. A posição dela em toda esta história. Não por ele ser chunga, porque, aqui entre nós, ela também tem uns arezitos de o ser (é uma girl k fala axim e ke kurte bué tudo o k é fixe, perxebem? Podem ver o estilo aqui e aqui). Mas por continuar ao lado de uma pessoa como estas, tendo todos os sinais de que isto ainda lhe vai trazer problemas. "Nas costas dos outros vemos as nossas" é um dito popular que devemos sempre ter em mente. "Quem faz uma, faz duas ou três". Então uma mulher que ouve dizer que o namorado bateu, violentamente, em todas as ex-namoradas que teve, que começou a relação com ela quando ainda havia mais uma (ou mais, não percebi) à mistura, que mal trata o filho, que a usa como propaganda (parece que vai à terra de onde é com ela, exibí-la e mostrar "o quão bem está"), que faz questão de achincalhar todas as pessoas que já estiveram com ele dizendo que "agora é que ele está bem", continua, como se nada fosse, ao lado dele, dizendo que está muito apaixonada, olhando para ele como se ele fosse a melhor coisa que ela pode ter? Se ela não soubesse de nada disto, eu até entendia. Já me aconteceu e, confesso, mesmo sabendo alguns dos defeitos da pessoa, não me afastei. Mas, quando conheci a história toda, nem sequer equacionei a questão de voltar a olhar para a cara dele. Percebi onde estava metida e tratei de sair de lá para nunca mais voltar.

Como disse no início do texto, isto entristece-me. É burrice e é algo que é demasiado característico de muitas, muitas mulheres no nosso país. É isso e é as mulheres não saberem pôr um ponto final em relações que lhes são prejudiciais e voltarem vezes sem conta a reatar com esses homens que as humilham, mal tratam e lhes roubam dignidade e auto-estima. Sempre porque, no fundo, no fundo, achamos que os vamos mudar. A isto, em psicologia, chama-se uma falha narcísica que tem de ser compensada. Sentimos que temos de ser melhores do que as outras, temos que tornam bom algo que tem defeito, achamos que, quando o conseguirmos, vamos ser melhores, superiores. E isso, espelhando a falta de auto-estima, amor próprio e self respect, é, acima de tudo, e apenas, triste. Muito triste.

P.S.: o título deste texto, embora se aplique, não é só sobre a Débora Ghira. É sobre todas as mulheres que caem e se deixam ficar nestas situações. Sejam elas tão graves como estas ou apenas parecidas. Porque, no fundo, foi isso que quis com este texto: escrever sobre uma situação que acontece amiúde, partindo de um caso real que está nas bancas numa revista desta semana.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Burrices #1

Hoje estive a ler a TV7 Dias. Veio parar-me às mãos e, dando uma rápida vista de olhos pelos temas de capa, achei que eram suficiente polémico (e baixo nível) e, por isso, apeteceu-me lê-la. E, sinceramente, tantos eram os assuntos sórdidos que nem sei qual escolher para este primeiro post. Vai ao calhas.

Uma das reportagens visava uma senhora, de seu nome Sónia Fortunato de Almeida (ou deverei chamála Rita ou Tia de Cascais?), que, ao que parece, se assumiu publicamente como sendo amante do namorado da Alexandra Lencastre, tendo ido até a um (ou mais, não sei) programa de televisão para contar detalhes do caso. Isto, por si, já é mau, eu sei, mas não pensem que é só isto.

Parece então que a senhora se dedica a outras artes, para além de ser amante de homens comprometidos e andar por aí a contá-lo aos quatro ventos. Artes físicas, chamemos-lhe assim. Ou seja, ganha a vida com o corpo. Sim, é prosti. Nada contra, que cada um faz do seu corpinho o que quiser.

Mas, cara Sónia (ou Rita ou Tia de Cascais) então a menina vai para as revistas, jornais e programas de televisão fazer alarido do seu alegado romance com o namorado da Alexandra Lencastre, fazendo passar-se por uma pessoa normal (quando digo normal, refiro-me a pessoas não ganham a vida a vender o corpo) e depois continua com anúncios dos seus préstimos nos classificados de jornais diários? Era assim tão difícil de calcular que toda a sua vida iria ser passada a pente fino? A sua inteligência não chegou para ver isso? Claro está que foi descoberta. Como seria óbvio para qualquer pessoa com dois dedos de testa, como se costuma dizer. E assim foi. Dois reportéres da TV 7 Dias fizeram passar-se por clientes, marcaram hora e esta semana contam tudo na revista. E lá se foi a sua credibilidade (se é que alguma vez teve alguma, dada a atitude inicial de ir expôr um romance extraconjugal a um programa de televisão) por água abaixo. Temos pena. Ou não.

E é nestas coisas que, tristemente, se constata o nível de cultura e civismo dos Portugueses. Que dão tempo de antena a este tipo de pessoas e a este tipo de assuntos.

Nota: Rita ou Tia de Cascais é o "nome de guerra" (ou devo dizer de "ataque"?) da Soninha.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Homens & Mulheres

Um homem está na cozinha, a estrelar um ovo, quando a mulher chega e começa a gritar, como uma louca:

- PÕE MAIS ÓLEO!!! PÕE MAIS ÓÓÓÓÓLEOOOO!!! VAI COLAR AO FUUUUUUNDO... CUIDADO!!! VIRA, VIRA, ANDA VIRA... RÁÁÁÁPIDO!!! VAI, CUIDADO! CUIDADO!!! VAI ESPIRRAR...!!!!!! PARECE QUE É LOUCO.... VAI ENTORNAR... AI, MEU DEUS! O SAAAAAAALLLL!!!!! NÃO ESQUEÇAS DO SAAAAAALLL!!!

O homem, trémulo, transtornado e irritado com os beeeerroooos, pergunta:

- O diabo da mulher!!! Por que é que estás a gritar dessa maneira?!? Achas que eu não sei fritar um ovo?

E a mulher, super calma, responde:

- Nada de especial, é só para teres uma ideia do que fazes comigo quando eu conduzo....